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:: Gestão de Energia

Estudo da viabilidade econômica para implantação de uma linha de transmissão

Phelippe Rezende Rodrigues

Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em Sistemas de Energia pela Universidade Federal de Minas Gerais em dezembro de 2005 e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec. Atua como engenheiro eletricista do setor de proteção, controle e automação da empresa Energ Power

 

Resumo

A situação energética do Brasil tem demonstrado a necessidade de construção de novas Usinas Hidrelétricas para o atendimento à demanda energética futura. O governo brasileiro, no intuito de evitar novos “apagões” e permitir o crescimento do país, criou o programa de aceleração do crescimento (PAC), que dentre vários objetivos, visa o incentivo à construção de usinas hidrelétricas.

Aliada à construção de novas usinas, vem também a construção de Linhas de Transmissão para a interligação desses novos empreendimentos com o sistema elétrico já existente. Este artigo visa apresentar a importância do estudo de viabilidade econômica num projeto de construção de uma Linha de Transmissão.


Introdução


O programa de aceleração do crescimento (PAC) criado pelo governo brasileiro em janeiro de 2007 tem como objetivo promover o crescimento econômico, gerar novos empregos e melhorar a condição de vida da população brasileira. Para tal, está sendo incentivada a construção de usinas hidrelétricas para que seja atendida a demanda energética futura e assim evite novos “apagões”.

Aliada à construção das usinas hidrelétricas é necessária a construção de Linhas de Transmissão que interliguem esses novos empreendimentos ao sistema elétrico brasileiro. 

Tecnicamente, é possível construir linhas de transmissão de várias maneiras, desde que se sigam as recomendações do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Diante das várias opções viáveis tecnicamente apresentadas pela engenharia das empresas, vê-se a importância de se realizar um estudo de viabilidade econômica para que se decida pela alternativa mais favorável.


Métodos de Análise de Investimentos


O objetivo principal dos métodos de avaliação de alternativas de investimento é determinar quais investimentos devem ser implementados pela empresa. Existem diversos métodos de avaliação, dentre eles podemos citar: período de retorno ou “payback”, valor presente líquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR), série uniforme (SUL), índice benéfico/custo (IB/C), período de retorno descontado ou “payback” descontado (PBD), taxa interna de retorno modificada (TIRM).

No presente artigo será apresentado apenas o método de valor presente líquido, pois esse será o método utilizado no estudo de caso abordado mais adiante.

O VPL é uma técnica sofisticada de análise de orçamentos de capital. Tal método de análise de investimento é considerado moderno por levar em conta o valor do dinheiro no tempo. Esse tipo de técnica, de uma forma ou de outra, desconta os fluxos de caixa a uma taxa especificada, taxa esta frequentemente chamada de taxa de desconto, custo de oportunidade ou custo de capital, que se refere ao retorno mínimo que deve ser obtido por um projeto, de forma a manter inalterado o valor de mercado da empresa.

O método do valor presente líquido é representado pela seguinte fórmula:

Onde: 
 
FCj : Fluxo de caixa do período j
i      : Taxa de desconto
n     : Vida útil da alternativa

Quando o método de valor presente líquido é usado para tomar decisões do tipo “aceitar-rejeitar”, adota-se o seguinte critério: se o VPL for maior que zero, aceita-se o projeto; se o VPL for menor que zero, rejeita-se o projeto. Se o VPL for maior que zero, a empresa obterá um retorno maior do que seu custo de capital. Com isto, estaria aumentando o valor de mercado da empresa, e, consequentemente, a riqueza dos seus proprietários.


Estudo de Caso


No presente item será apresentado um caso típico de análise de investimento que envolve a construção de uma linha de transmissão. Foram apresentadas duas alternativas técnicas e estas foram avaliadas economicamente através do método VPL.

Alternativas Técnicas

As alternativas técnicas apresentadas pela engenharia da empresa são as descritas a seguir:

Alternativa 1

Esta alternativa consiste na integração da PCH X em 13,2kV no alimentador GU03 da subestação Y, através de uma linha neste nível de tensão, em cabos 336,4MCM, circuito simples, estrutura de concreto, com aproximadamente 9km de extensão.

Para a conexão no alimentador GU03 da subestação Y, são necessárias as seguintes obras, além da conexão:

- Construção de uma linha com aproximadamente 9km de extensão, circuito simples, cabos condutores 336,4 MCM, estruturas de concreto, para conexão do acessante;

- Instalação de 03 TP’s de 13,2kV no bay do alimentador GU03, na subestação Y, objetivando a verificação de tensão de retorno da usina;

- Instalação de 02 reguladores de linha, sendo um no ramal da usina e outro a jusante do ponto de conexão, ambos dotados com funções de telecomando e controle. O religador do ramal da usina deverá ser equipado com 03 TP’s e relé com as funções 50/51N, 50/51F, 67N e 67F;

- Adequação da proteção na subestação Y, através da instalação de 01 relé 59N e 03 TP’s, ambos no lado de 69kV.
 

O diagrama unifilar que representa esta alternativa está apresentado a seguir.

Alternativa 2

Esta alternativa consiste na integração da PCH X em 13,2kV na barra de 15kV da subestação Y, através de uma linha neste nível de tensão, em cabos 336,4 MCM, circuito simples, estruturas de concreto, com aproximadamente 24,5 km de extensão.

Para conexão na barra da subestação Y, são necessárias as seguintes obras, além da conexão:

- Construção de uma linha de transmissão com aproximadamente 24,5km de extensão, circuito simples, cabos condutores 336,4 MCM, estruturas de concreto, para conexão do acessante;

- Instalação de 03 TP’s de 13,2kV na barra da subestação Y, objetivando a verificação de tensão de retorno da usina;

- Instalação de 01 religador de linha, no ramal da usina dotado com funções de telecomando e controle. O religador do ramal da usina deverá ser equipado com 03 TP’s e relé com as funções 50/51N, 50/51F, 67N e 67F;

- Adequação da proteção na subestação Y, através da instalação de 01 relé 59N e 03 TP’s, ambos no lado de 69kV.

O diagrama unifilar que representa esta alternativa está apresentado a seguir.


Resultado da Análise Econômica

Seguem abaixo os quadros que resumem os resultados da análise econômica das alternativas de conexão da PCH X

No presente estudo não foram considerados os fluxos de caixa positivos, uma vez que os mesmos são iguais para ambas as alternativas. Os valores de retorno do investimento são dependentes da capacidade e do tempo diário de geração da PCH X. Deve ser feito um estudo em separado para que sejam estimados esses montantes.

Na primeira tabela foram apresentados os resultados obtidos, considerando as perdas inerentes a cada alternativa. Já na segunda, essas perdas foram desconsideradas.

Observa-se que a alternativa de conexão no alimentador GU03 em 13,2kV é a de menor custo, sendo que o custo da alternativa de conexão na barra de 15kV na subestação Y é 257,2% maior.

Ao se desconsiderar os efeitos do acréscimo de perdas, observa-se que a alternativa de conexão no alimentador GU03 em 13,2kV é a de menor custo, sendo que o custo da alternativa de conexão na barra de 15kV na subestação Y é 101,1% maior.

Considerando que os resultados obtidos nas análises técnicas e econômicas mostraram a conexão da PCH X no alimentador GU03 de 13,2kV, como a alternativa de melhor desempenho, recomenda-se a sua implementação para conexão à Rede de Distribuição.


Considerações Finais


O Programa de aceleração do crescimento (PAC) criado pelo governo brasileiro tem incentivado a construção de usinas hidrelétricas. Junto à construção das centrais hidrelétricas vem a implantação de linhas de transmissão para interligar os novos empreendimentos ao sistema elétrico.

É possível observar que é de extrema necessidade a realização de estudos de viabilidade econômica para a construção de linhas de transmissão, uma vez que normalmente a engenharia das empresas apresenta mais de uma alternativa técnica que viabilizam esses empreendimentos. Dessa forma, os critérios de decisões relativos à alternativa a ser adotada acabam vindo dos resultados obtidos através dos métodos de análise de investimento.


Referência Bibliográfica


- OLIVEIRA, C. A. Planejamento Financeiro. IP – Informática Pública, [S.I.], p.01-08. Disponível em: < http://www.professorcezar.adm.br/Textos>. Acesso em: julho 2007

- CAMPOS, B. Viabilidade Econômico-Financeira de Projetos. Apostila de Sala de Aula do Curso de Gestão de Projetos – Instituto de Educação Tecnológica, Belo Horizonte, 2007.

- Material preparado para a imprensa sob a responsabilidade da Secretaria de imprensa e Porta-Voz da Presidência da República, com informações da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério da Fazenda e do Ministério do Planejamento, por ocasião do lançamento do programa de Aceleração do Crescimento, Palácio do Planalto, Brasília, 22 de janeiro de 2007.

 

 

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