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:: Gestão de Negócios

Uma visão da gestão tecnológica e inovação brasileira

César Luiz Saldanha

Pós-graduado - MBA de Gestão de Negócios do Ietec.

1. INTRODUÇÃO


A pergunta, que será tema deste artigo é a tecnologia e inovação colocadas como foco principal às indústrias brasileiras. Após revolução industrial com o crescimento de inúmeras ofertas de novos produtos e o crescimento deste mercado competitivo, são exigidos das empresas cada vez mais resultados para manterem-se na concorrência.

São criados novos produtos diferenciados para atender as necessidades dos seus clientes. É evidenciado nas empresas brasileiras o baixo grau de inovação, cujos principais obstáculos para o crescimento da produtividade e conseqüência da economia do país.

Os setores de desenvolvimento de tecnologia das empresas nunca foram tão exigidos como nestes últimos anos. Para a empresa manter-se neste mercado desigual, se projetando no mercado futuro com visão de médio e ao longo prazo é fundamental que os investimentos na Gestão do Conhecimento, sejam priorizadas neste pilar diferencial composto por pessoas.

As empresas brasileiras ainda investem uma porcentagem pequena do faturamento em P&D. Além dos conhecidos obstáculos impostos pela burocracia e pelo sistema tributário do país, os inovadores brasileiros têm de vencer uma importante barreira cultural. A imensa maioria das inovações costuma ser precedida por um grande número de fracasso.

Por outro lado podemos citar umas das principais empresas brasileiras que se destacam em pesquisa e tecnologias são: os jatos da Embraer, sistema eletrônico (motores flex) da Magneti Marelli e Natura dentre outras. Quando se olha as estatísticas, o Brasil desponta num patamar de confortável liderança entre as demais economias latino-americanas, mas ainda está distante em relação a países emergentes asiáticos, sobretudo a Índia e a China, segundo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), órgão do governo federal.

Abaixo quadro do IBGE das empresas brasileiras que inovam por setor.

No quadro acima, David Kupfler e Frederico Rocha afirmam, que as empresas que inovam e diferenciam produtos são mais presentes em setores industriais em que predomina atividades de montagem e que as empresas especializadas em produtos padronizados são encontradas em maior número nas indústrias de processo.... Além disso, 76% das exportações das empresas que inovam e diferenciam produtos ocorrem em indústrias típicas de montagem e 83,4% das exportações das empresas especializadas em produtos especializadas em produtos padronizados são de indústrias típicas de processo.

No geral, esses indicadores e a evidência de que existem firmas que inovam e diferenciam produtos em todos os setores das indústrias brasileiras apontam na direção de que, independentemente do setor industrial onde a firma atua, a inovação tecnológica e a diferenciação de produto são estratégias competitivas perseguidas pelas firmas brasileiras.


2. O Planejamento Tecnológico nas Empresas


O Planejamento tecnológico segundo Reis e Carvalho, configura-se como uma das atividades mais importantes para a criação, sustentação e maximização da vantagem competitiva. Por essa razão a aplicação de novas tecnologias na empresa precisa ser cuidadosamente planejada.

Planejar é antecipar problemas e sucessos que venham ocorrer no futuro. Quando a empresa faz um bom planejamento estratégico, ela identifica oportunidades para que ocorra o sucesso e fraquezas que possam ser obstáculos no negócio. Identificar oportunidades é estar atento à percepção de novas tecnologias.

A empresa deve buscar fontes de pesquisas disponíveis na grande maioria com custo mínimo. As pesquisas podem ser em revistas especializadas, Internet, jornais, congressos, entre outros. Focado na tendência dos impactos ambientais gerados por produtos não planejados nas últimas décadas, serve de históricos para não ser repetidos.

A busca de materiais com tecnologia para novos produtos, que serão utilizados no futuro deve ser planejado, e fazer uma interface com o equilíbrio à natureza. As responsabilidades do destino dos produtos no futuro, além do fabricante, também são dos fornecedores.

Conscientizar a população sobre a utilização de produtos ecologicamente corretos é fator principal de um planejamento bem sucedido. Normalmente estes produtos têm custos mais elevados em relação aos produtos concorrentes, portanto o convencimento e conscientização deverá ser o ponto forte na estratégia da empresa.

O sucesso das empresas relaciona com as principais etapas e identificação de oportunidades.

- Estar atento e dinâmico com a prospecção de novas tecnologias. 
- Procurar possíveis fornecedores que atenda novas tecnologias.
- Estar diretamente envolvido com as necessidades dos clientes.
- O produto tem que garantir aplicabilidade no que foi proposto.


3. Inteligência Competitividade no Apoio às Atividades de P&D&E


Reis e Carvalho, diz que existem  duas formas de processo que consolidam a tecnologia e competitividade. Primeiro é voltado ao meio externo, é a vigilância ou Inteligência Competitiva, com seus conceitos, técnicas e ferramentas baseadas fortemente em coleta, tratamento, análise e disseminação de informações externa para o ambiente interno, com o intuito de subsidiar o apoio à decisão.

Segundo processo, voltado ao meio interno, é o de Gestão do conhecimento, com os conceitos, técnicas e ferramentas baseadas fortemente no trabalho em equipe em redes (tanto físicas como humanas) para potenciar o capital intelectual.

Com visão sistêmica e com necessidade de sobrevivência, o ponto forte da tecnologia e da inovação sempre vem acompanhado pela inteligência competitiva com apoio as atividades de P&D&E. A ferramentas mais utilizadas na inovação é acompanhar e monitorar as novas tecnologias de novos processos buscando ser específico cada um em sua área. Com essas ferramentas projeta-se um diferencial no aumento da competitividade na sociedade do conhecimento.

A inteligência competitiva tem que ser trabalhada no âmbito geral das empresas com metas a médio e longo prazo consolidado nos três pilares principais: continuidade da empresa, legalidade e ética. Ser contínuo é acompanhar as necessidades dos clientes e manter competitivo com produtos substitutos.

Ser corretamente legal é obedecer à legislação em vigor e sair na frente com inovações ambientais e pioneiras utilizando como diferencial. Ética faz parte dos princípios da corporação e resulta por conseqüência nos produtos que serão consumidos pela sociedade.

A inteligência tecnológica é o diferencial que as empresas utilizam para tomadas de decisão, no seguimento científico voltado para as patentes, publicações, pesquisas, processos onde desenvolve todo know how da empresa. No âmbito estratégico os gestores estudam a posição da empresa em relação ao mercado e seus concorrentes.

Carlos Vogt relata no seu artigo: transformar conhecimento em riqueza é o grande desafio contemporâneo para países em desenvolvimento, ou, na nova nomenclatura, emergentes como o Brasil.

Do ponto de vista da participação do país na produção do conhecimento científico mundial é sabido que a mesma subiu de 0.6% para 1.2%, considerando-se aí apenas as publicações indexadas, o que o número de doutores que formávamos anualmente em 1.980 era de 500, subindo para 1.500 em 1.990 e para quase 6.000 em 2.000. A ciência brasileira tem reconhecimento internacional e o Programa Genoma da FAPESP é, nos dias de hoje, a prova viva desse reconhecimento.

Quanto maior o número de talentos humanos envolvidos na criação de novos produtos e na política de Gestão do Conhecimento e transformando-a em bens intelectuais em valor de bens intangíveis para organização, geram um grande diferencial competitivo para organização.


4. Ambientes de Estímulo ao Processo de Inovação


Reis e Carvalho definem, que a principal característica das organizações inovadoras é a alta eficiência em aprender, que elas sejam autocríticas e compromissadas com o aperfeiçoamento continuo.

Toda pesquisa e inovação com criatividade de todos os novos produtos com desenvolvimento mediante ao know-how/know-why de produção, são feitos a partir das necessidades. Para que o processo de inovação ao ambiente seja estimulado é necessário política de estímulos, como apoio da alta direção, estímulos à criatividade e pesquisa a toda cadeia da empresa.

O sucesso no estímulo ao processo de inovação está diretamente em relação aos gerentes e funcionários da empresa. Os gerentes têm como função principal, fornecer recursos fundamentais para retenção do conhecimento entre a equipe, tem que fazer interface de modo a acontecer à  motivação estimular equipes que possam apresentar as idéias criativas.

O papel principal da empresa junto aos seus funcionários é da comunicação das metas, dos objetivos e dos envolvimentos dos projetos desenvolvido pela área de P&D&E com as demais áreas da empresa. Entre essas áreas jamais deverão ocorrer barreiras. 

Criar produtos com novas tecnologias, inovadora e ecologicamente capazes de atender as necessidades do cliente também depende das ações políticas e governamentais. Se as entidades públicas não apoiarem com políticas de sustentabilidades, subsidiar programas sobre impactos sobre o meio ambiente o poder privado estará com poucas forças e comprometidas com este sucesso. Quando órgãos governamentais somados com empresas privadas atuarem no bem comum o sucesso dos programas planejados serão consideradas na maioria certas.


5. Conclusão


A inovação, aspecto fundamental para o sucesso da empresa brasileira, sempre acaba ofuscada pelo deslumbre com as grandes novidades tecnológicas estrangeiras. A baixa capacidade de inovar das empresas nacionais é um dos grandes entraves para o crescimento da economia brasileira.

Estimular as idéias radicais e incrementais à inovação é o grande desafio das novas gerações das empresas para se manter no mercado competitivo. A evolução das tecnologias  e inovação tem como resultados para empresa, melhoria na qualidade dos produtos, ampliação ou manutenção da participação no mercado. Isto permite abrir novos mercados, promover redução dos custos e reduzir impactos ao meio ambiente.

Forter e Kaplan (2002), descrevem que a diferença essencial entre as empresas e os mercados de capitais está na forma como elas habilitam, gerenciam e controlam os processos de destruição criativa. As empresas são criadas com base no pressuposto da continuidade; seu foco está nas operações. Os mercados de capitais são criados com base no pressuposto da descontinuidade; seu foco está na criação e destruição.

O mercado estimula a criação rápida e abrangente e, portanto, maior acúmulo de riqueza, É menos tolerante do que a empresa em relação ao baixo desempenho de longo prazo. As empresas excepcionais efetivamente conquistam o direito à  sobrevivência, mas não alcançam a capacidade de gerar retorno para os acionistas acima da média ou mesmo na média, no longo prazo. Por quê? Porque seus processos de controle – os mesmos processos que as ajudam a sobreviver no longo prazo – as condenam à necessidade da mudança.

A resposta para mudança do cenário competitivo da indústria brasileira rumo a inovação e diferenciação de produto, é a articulação dos instrumentos e desenvolvimento de culturas empreendedoras, criação de parcerias com universidades e que toda esta parceria seja utilizada como ferramenta na busca de recursos financeiros que possam cobrir todas as cadeias do capital empreendedor.


5. Referências Bibliográficas


NEGRI, João Aberto de. SALERMO, Mario Sergio, organizadores - Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras. – Brasília: IPEA, 2005

REIS, Dálcio Roberto dos, CARVALHO, Hélio Gomes de – Gestão tecnológica e Inovação. – São Paulo: Manole, 2003

FORTER, Richard e KAPLAN, Sarah,  Sobrevivência e Desempenho na Era da Descontinuidade, Campus, 2002

VOGT, Carlos http://www.comciencia.br, 2001

 

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