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:: Gestão de Negócios

Inovação nas organizações

Dalistécio Ferreira Balan

Pós-graduado MBA - Gestão de Negócios pelo Ietec

RESUMO

O objetivo deste artigo é apresentar os conceitos das inovações nas organizações empresarias e também mostrar a diferença entre inovação e invenção.
Também demonstramos que o Brasil ainda tem a cultura que inovação é responsabilidade apenas dos centros acadêmicos e universidades , quando em outros pais esse perfil já mudou , e precisamos rever rapidamente esse conceito.


Introdução


Com a finalidade de aumentar a capacitação tecnológica, visando adaptarem-se às demandas do mercado, empresas nacionais têm buscado vantagens competitivas por meio da introdução de inovações tecnológicas. Essa tarefa, entretanto, é dificultada pelo reduzido número de pesquisadores nas empresas brasileiras.

Apesar do grande numero de doutores que as universidades produz por ano no Brasil o pais e responsável apenas por um por cento das patentes mundiais esse numero é muito pequeno por que as universidades estão apenas preocupada em formar acadêmicos e não profissionais para o mercado de trabalho.

Segundo Brito Cruz , no Brasil 68% dos pesquisadores estão em universidades , 21% nos institutos e centros de pesquisas públicas e 11% nas empresas privadas . No Brasil e investido 0,87% do PIB isso em valores é 5,89 bilhões de dólares, quando a Coréia do Sul investe 2,69% do PIB isso em valores é 12,20 bilhões de dólares , nos Estados Unidos investe 2,48% isso em valores é 184,30 bilhões de dólares. 


Revisão de Literatura


A realização de inovações tecnológicas ocorre em função dos aspectos internos e externos às empresas. Os primeiros referem-se à forma organizacional, envolvendo planejamento estratégico, aprendizagem e competência de toda a empresa. Os outros estão vinculados ao relacionamento com o mercado e o ambiente que as circunda, abrangendo os consumidores, os fornecedores e os concorrentes, entre outros (SILVA, 1999).

As inovações, segundo Shumpeter (1982), assim como a tecnologia, estão no centro do desenvolvimento tecnológico e devem viabilizar-se à medida que atendam às necessidades sociais e de mercado. Nesse sentido, de acordo com esse autor, o desenvolvimento econômico só ocorrerá se houver uma demanda por novos produtos e métodos produtivos.

Para realizarem inovações, ou seja, viabilizar novos produtos, melhorar a qualidade dos existentes e diminuir os custos de produção, atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em uma empresa são vistas como fundamentais. A atividade de Pesquisa envolve a geração de novos conhecimentos e a de Desenvolvimento visa à aplicação dos conhecimentos gerados, objetivando a criação de novos produtos ou o aperfeiçoamento dos existentes, com a intenção de torná-los melhores e mais baratos (FERRO, 1997).

No Brasil os investimentos das indústrias em P&D são muito pequenos e os recursos governamentais ainda são a principal fonte para o desenvolvimento de pesquisa no País (SILVA, 1999). Uma das razões é que, nos países em desenvolvimento, o senso comum remete à idéia de que a pesquisa é uma atividade da universidade. Esse fato pode ser observado no Brasil (CRUZ, 2000), onde quase a totalidade da pesquisa é realizada pelo setor acadêmico.

A realização de pesquisa é uma das funções da universidade, mas isso não implica, em nenhuma instância, que as atividades de P&D devam ser realizadas exclusivamente por essas instituições, e não pelas empresas. Cruz (1998) e Nelson & Rosemberg (1993) mencionam que deveria haver no Brasil uma cultura que valorizasse a realização das atividades de P&D nas empresas (SUTZ, 2000).

A transferência de conhecimento da universidade para a empresa e vice-versa é uma maneira de ambas cooperarem, beneficiando-se mutuamente. A cooperação universidade-empresa tem incentivado uma melhora na qualidade do ensino universitário, a atuação do meio acadêmico na sociedade (SEGATTO & SBRAGIA, 1996) e a obtenção de conhecimentos que podem ser utilizados no próprio segmento universitário.

Um modelo que permite compreender melhor as relações que se estabelecem nas três esferas institucionais – universidade, empresa e governo – foi estabelecido no final da década de 1980 e início dos anos 1990. Os autores Etzkowitz & Peters (1991) propuseram um modelo que possui uma representação na forma de espiral, mostrando a ligação das três esferas nos vários estágios do processo de inovação. Nesse modelo, denominado Triple Helix, as partes envolvidas se relacionam simultaneamente.

A Triple Helix é um modelo alternativo para explicar o atual sistema de pesquisa no contexto social, no qual a universidade pode exercer um importante papel na inovação. É visto como um modelo analítico que agrega uma variedade de arranjos institucionais e modelos políticos para explicar suas dinâmicas (ETZKOWITZ & LEYDERSDORFF, 2000).

Há três variações de arranjos institucionais envolvendo as relações universidade-empresa-governo, abrangendo a Triple Helix. Essas variações do modelo refletem a evolução dos sistemas de inovação e o atual conflito a respeito do caminho a ser seguido pelos atores envolvidos no processo.

A Triple Helix I é uma configuração em que o Estado abarca as relações entre a academia e a indústria. É um modelo estático das relações universidade-empresa-governo que ocorre em uma situação histórica específica como, por exemplo, na antiga União Soviética e em países do Leste Europeu. Nesse arranjo, como afirmam Etzkowitz & Leydersdorff (2000), há apenas um pequeno espaço para iniciativas entre universidades e empresas, pois o Estado sobrepõe-se aos outros dois atores. Com este modelo a inovação é disseminada ao mesmo tempo em que é desencorajada.

Um segundo arranjo, o da Triple Helix II, é um modelo político, com esferas institucionais separadas com fortes limites dividindo-as e com relações altamente circunscritas entre essas esferas, tendo cada uma delas o seu papel totalmente definido.

Já no arranjo da Triple Helix III não existem limites entre as esferas institucionais como há no da Triple Helix II e os acordos entre os agentes são encorajados, mas não controlados pelo governo como no arranjo da Triple Helix I.

Atualmente, há uma tendência de muitos países a tentar atingir o terceiro arranjo, devido ao objetivo da realização de um ambiente inovativo, interagindo firmas geradas por spin-offs, iniciativas tri-laterais de desenvolvimento econômico e laboratórios governamentais de grupos de pesquisa (ETZKOWITZ & LEYDERSDORFF, 2000).

Na Triple Helix III há ligações entre as partes que emergem de vários estágios do processo de inovação (ETZKOWITZ & LEYDERSDORFF, 2000). Dessa forma, ocorre uma relação dinâmica entre universidade, empresa e governo.

As políticas da Triple Helix III devem operar considerando que os aspectos envolvidos no relacionamento universidade-empresa-governo variam de um local para outro (SUTZ, 2000), dependendo de aspectos sociais, comportamentais, contextuais e estruturais diferentes.


Definição de Tecnologia , invenção e Inovação


Tecnologia é conhecimento , mas nem todo conhecimento e tecnologia ,como diz o dicionário Aurélio , é um conjunto de conhecimento , especialmente princípios científicos  que  se aplicam a um determinado ramo de atividade.Bem como a totalidade desses conhecimentos ( Ferreira, 1996).
 

Assim pode-se dizer que tecnologia é um corpo de conhecimentos de diferentes tipos , científicos e outros que podem ser empregado em qualquer ramo de atividade.


Invenção e Inovação


Invenção é uma idéia elaborada ou uma concepção mental de algo que se apresenta na forma de planos, formulas,modelos,protótipos,descrições e outros meios de registrar idéias . Mas podemos garantir com certeza  que nem toda invenção é uma inovação , porque uma inovação e implementada e aceita pelo mercado e se transforma em um grande produto e gera dividendos aos seus responsável.

No ambiente empresarial, as inovações tecnológicas dizem respeito ao binômio tecnologia- mercado , sendo que o mercado é o arbitro final que julgará todo processo de inovação. A excelência técnica de uma invenção pode ser uma condição necessária para o sucesso de uma inovação , mas nunca uma condição suficiente. De acordo com Gundling ( 2000:23) , para a 3M a inovação é definida como novas idéias mais ações ou implementações  que resultam em melhorias , ganhos ou lucros.

Inovação = idéia + implementação + resultados

Podemos observar abaixo os benefícios que uma inovação pode trazer para os criadores do projeto quando implementados:

• Inovações: refere-se à obtenção de novos produtos e/ou à realização de melhorias em projetos existentes. Consideram-se os casos com resultados tanto do ponto de vista empresarial quanto acadêmico;
• Obtenção de resultados práticos: considera a possibilidade de ter como retorno imediato um produto no mercado, redução de custos e outros retornos financeiros;
• Pessoais: considera o enriquecimento curricular advindo da participação dos indivíduos nos projetos;

• Financeiros: aborda a obtenção de recursos financeiros concedidos pelos programas, por meio dos quais é possível comprar equipamentos, adquirir bolsas, contratar pessoal qualificado, etc;

• Parceria: envolve a troca de informações e experiências entre as partes envolvidas nos projetos;

• Recursos humanos: considera a possibilidade de contratação de pessoal qualificado para o desenvolvimento dos projetos;

• Geração de publicações-patentes: aborda o desenvolvimento de produtos que podem gerar publicação de artigos e participação em congressos; e a geração de royalties em caso de obtenção de patente;

• Outros: envolve o desconhecimento dos benefícios em projetos que estão no início ou durante o processo de desenvolvimento:

Em termos empresariais o emprego de uma tecnologia passa por um processo de avaliação econômica . Como se sabe  a implantação de uma nova tecnologia faz parte do capital da empresa e se encontra embutida em bens de capital, possuindo , portanto expectativa da vida útil dessa nova tecnologia , também devemos preparar a empresa para receber e operar essa nova tecnologia promovendo treinamentos para  os funcionários que irão operar  , por que não baste ter acesso sem ter conhecimento com isso os benefícios e dividendos que essa nova tecnologia poderia trazer para as organizações pode se transforma em um fracasso.


Conclusão


Podemos afirma que para implantar uma nova tecnologia ou inovação é necessário preparar as empresas. Também deveremos rever o conceito de formação de pesquisadores que hoje é uma única responsabilidade dos centros acadêmicos do pais.

Com isso estamos perdendo a melhor oportunidade  do Brasil deixar de ser uma economia que simplesmente exporta matéria prima , para se transformar em uma nova potencia tecnológica mundial.Para que isso acontece devemos seguir exemplo dos pais mais avançado tecnologicamente , sem educação e investimento em P&D o Brasil vai ficar para através e perderemos uma grande oportunidade.


Referências Bibliográficas


CRUZ, C.H.B. Universidade, Empresa e a Inovação Tecnológica. In: Plonski A.G. (coord.). Interação Universidade-Empresa. Brasília: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), 1998, v.1, p. 226-240.        
 
CRUZ, C.H.B. A universidade, a empresa e a pesquisa que o país precisa. Revista Parcerias Estratégicas. n. 8, p. 5-30, Brasília, maio, 2000.        
 
ETZKOWITZ, H.; LEYDESDORFF, L. The dynamics of innovation: from National Systems and "Mode 2" to a Triple Helix of university-industry-government relations. Research Policy, v. 29, Issue 2, p.109-123, 2000.        
 
FERRO, J.R.(a) Administração da Tecnologia na Universidade e na Empresa. In: Ferro, J.R. (coord.). Universidade e Indústria: depoimentos. 2º ed. São Carlos : Ed. da UFSCar, p.9-20, 1997.    
 
NELSON, R.R.; ROSEMBERG, G.N. Technical Innovation and Nacional Systems. In: NELSON, R. R., (ed.), National Innovation Systems – A Comparative Analysis. New York : Oxford University Press, 1993.        
 
SCHUMPETER, J. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São Paulo : Editora Abril, 1982.       

SEGATTO, A.P.; SBRAGIA, R. Motivadores, barreiras e instrumentos da cooperação universidade-empresa para as universidades. In: Simpósio da Gestão da Inovação Tecnológica, 19. Anais... São Paulo, 1996.       

SILVA, J.C.T Modelo interativo empresa-universidade no desenvolvimento de produto. São Paulo.163 p. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Produção, 1999.        
 
SUTZ, J. The university-industry-government relations in Latin America. Research Policy. Amsterdam, v.29, p.279-290, Feb., 2000.  

 

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