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:: Gestão de Negócios

Busca da tecnologia e inovação

Paulo Trajano de Souza

Químico Industrial pós-graduado MBA - Gestão de Negócios pelo Ietec

RESUMO

A busca da Tecnologia e Inovação é fator de sucesso para todas as empresas e de qualquer ramo de atividade. Uma empresa não garante sucesso apenas com produtos em evidência, deve estar atenta às tendências do mercado, às exigências dos clientes, à concorrência e às necessidades do público que deseja atingir.

O processo de busca pela tecnologia e inovação deve fazer parte do planejamento de uma empresa, sendo que as mesmas poderão utilizar vários recursos para gerar sua própria tecnologia e fazer um produto aceito pelo mercado, ou seja, uma inovação.


1 OBJETIVO


Este trabalho tem por objeto descrever a importância da busca pela tecnologia e inovação, bem como mostrar as várias formas de acesso, suas principais vantagens e desvantagens.


2 INTRODUÇÃO


Em tempos de globalização todas as empresas devem estar atentas às necessidades do mercado. Devem acompanhar diariamente as oscilações que possam afetar suas vendas, devem pesquisar a satisfação do cliente em relação ao seu produto, devem conhecer as expectativas e se preparar para concorrência. Para garantir sucesso a empresa deve investir em pesquisa, desenvolvimento e em engenharia e com isso produzir e manter um produto útil de boa qualidade a um preço acessível para o consumidor.

O sucesso de uma empresa não é uma missão fácil, visto que, a cada dia surgem novos produtos no mercado, além dos tradicionais concorrentes. Uma maneira de garantir sucesso é estar sempre à frente do mercado, conhecer seus colaboradores, seu potencial, valorizar a geração de idéias para que sejam transformados em projetos de sucesso.


3 A BUSCA TECNOLÓGICA NAS EMPRESAS


Para as empresas o desafio de buscar tecnologia e transformá-la em inovação começa dentro do próprio ambiente empresarial. Constantemente deve-se buscar a manutenção do seu produto de sucesso e a vantagem competitiva adquirida com este. Em alguns casos um determinado produto é responsável direto pelo poder da própria empresa que o produz. Deve-se, portanto identificar as oportunidades e fazer destas uma janela para o sucesso.

No entanto, a procura por novas tecnologias não deve apenas ficar restrita a manutenção e aprimoramento do produto de sucesso, é indispensável a pesquisa no ambiente externo a corporação. Para alguns casos o próprio mercado estará sugerindo uma nova tecnologia, como é o caso dos fornecedores, que são empresas que passam pelo mesmo processo de buscar a tecnologia e tentam convertê-la em inovação. Outra maneira de orientação sobre as novas tecnologias está em avaliar novos produtos ou mesmo, aqueles já existentes e que sejam concorrentes do seu produto.

Toda empresa deve estar atualizada e para isso precisa manter um programa básico de acesso às novas tecnologias que geralmente são apresentadas em publicações, revistas, jornais, congressos, seminários, internet, entre outros (lembrando que neste caso as tecnologias acessadas já possuem um dono ou poderão estar à venda para mais de uma empresa, sem a garantia de exclusividade, podendo ser um risco para o negócio). A empresa precisa estar atualizada e obter o maior número de informação possível sobre as tecnologias emergentes. Deve comparar ofertas com necessidade de inovações à possibilidade de transformar estas tecnologias em vantagem competitiva.


3.1 ESTUDO DE OPORTUNIDADES


Uma vez identificada uma nova tecnologia, deve se procurar os fornecedores no mercado avaliando o domínio sobre a tecnologia, além de custos e exclusividades. Uma forma de identificar os sucessos e os problemas de uma determinada tecnologia utilizada para fabricação de um produto, está no contato direto com o consumidor, através de encontros, visitas e palestras, ou artigos em publicações.

Através da avaliação de produtos existentes por meio de demonstrações, visitas a instalações dos usuários, pesquisa em literatura  e se possível, à experimentação de produtos. Tudo isto com objetivo de analisar a realidade e o desempenho dos produtos que utilizam a nova tecnologia.

A passagem de qualquer tecnologia para o ambiente interno de uma empresa deve ser decidida a partir de estudos de acesso desejado, ou seja, fazendo, comprando ou partilhado uma nova tecnologia de sucesso. Para passar uma tecnologia para o ambiente produtivo deve-se recorrer à compra por catálogo de matéria prima, equipamentos ou mesmo serviços, diminuindo assim o tempo, acelerando o desenvolvimento e aproveitando oportunidades de ganhos, porém,  com este modelo de internalização não se tem o domínio da tecnologia comprada.

Outro tipo de compra de tecnologia está na importação que, geralmente é feito quando uma empresa tem acesso com capital estrangeiro detentor da tecnologia, o que muitas vezes pode resultar em uma joint ventures. Neste caso são necessários esforços para a implantação da tecnologia importada.

Uma outra maneira de ter acesso à tecnologia é a vigilância tecnológica. Esta consiste em utilizar tecnologia de produtos de sucesso, desde que agregue valor para o negócio e tem como vantagem o custo baixo quando comparadas a outros métodos, podemos citar como exemplo o benchmarking. A modalidade cópia com aperfeiçoamento criativo e melhoria da tecnologia também poder ser usado, para isso é necessário atenção à aceitação do produto pelo mercado e sua vida útil.

Talvez o processo mais barato para a obtenção de uma tecnologia é a prestação de serviços contratados para uma determinada empresa, geralmente nestes contratos são fornecidos todas as instruções e detalhes para a fabricação de um determinado produto ou realização de determinados serviços, possibilitando assim a prática e assimilando o know-how da empresa, porém a empresa deve estar atenta à formação de recursos humanos para a apropriação direta da tecnologia.

Algumas empresas adotam a pesquisa cooperativa, o que poderá trazer benefícios para as empresas participantes, com utilização de equipes de pesquisas, áreas e equipamentos compartilhados e com isso custo baixo. A tecnologia neste caso será compartilhada e, portanto não será exclusiva.

A formação de pessoal próprio é um recurso também utilizado e consiste em capacitar os funcionários continuamente, acreditando que o sucesso está no desempenho dos membros, através das expectativas da empresa e as expectativas pessoais dos colaboradores. Esta capacitação pode ser feita internamente por especialistas contratados, através de participação em treinamentos externos, palestras, feiras entre outras.

Tem como principal vantagem à satisfação pessoal do formando. Este tipo de acesso à tecnologia deve ser exemplificado pelos líderes e a empresa deve sempre manter um ambiente de aprendizagem. Uma desvantagem está geralmente no acesso a tecnologias antigas.

Caso a nova tecnologia identificada não seja interna é importante que a empresa procure autorização para seu uso junto à organização que detém o desenvolvimento, geralmente universidades, centros de P&D, ou mesmo outras empresas. A vantagem para ambos está no desenvolvimento rápido com possibilidade de lucro em menos tempo.

Algumas empresas estão adotando o desenvolvimento de tecnologias por encomenda através de institutos públicos ou privados. As universidades têm procurado os temas financiados pelas empresas, evidenciando que o ambiente universitário é um propulsor maior de inventos e quebra de paradigmas.

A contratação de especialistas também é um recurso bastante utilizado, estudos mostram que os conhecimentos são tácitos ou implícitos, sendo essencial para o domínio da tecnologia, tendo como desvantagem o alto custo.

A sinergia de distribuição de um produto pouco ou nada traz de domínio de tecnologia, porém, a aliança estratégica entre empresas traz vantagens inegáveis para ambas, obtendo bons índices de apropriação de tecnologias.

Um empresa com P&D próprio faz grandes investimentos e visa a obtenção de mercado em escala internacional, mesmo com riscos altos e incertezas, típicos de inovações radicais. Este caso é o mais alto grau de domínio de uma nova tecnologia, tem o máximo nível de apropriação de exclusividade que pode ser vendida, explorada ou disposta para outros. As desvantagens de P&D internas são custos elevados e os resultados nem sempre são imediatos.

Quando se faz à opção de utilização de uma nova tecnologia, seja ela obtida por qualquer meio é necessário à implantação planejada utilizando um cronograma detalhado. Se a nova tecnologia requerer mudança do processo já existente, em muitos casos será necessária à implantação em paralelo, podendo gerar despesas adicionais, esforços de coordenação, geração de conflitos.

A internalização de novas tecnologias é um processo de mudança, e como tal precisa ser gerenciado, no entanto, a utilização de tecnologia é um meio para realizar a visão estratégica de uma empresa.


4 COMPETITIVIDADE NAS ATIVIDADES DE P&D&E


A estratégia de sobrevivência de uma empresa pode estar na inovação e tem cada vez mais exigido novo conceito, novas ferramentas efetivas de acompanhamento e vigilância de novas tecnologias.

Todas as empresa tem dificuldades em implantar um novo produto e aumentar assim sua competitividade na sociedade do conhecimento. Pensando nisso podemos comentar sobre dois destaques: O primeiro voltado ao ambiente externo, sendo a Vigilância ou Inteligência Competitiva baseados em coleta, tratamento, análises e disseminação de conhecimento e informação externa para o ambiente interno, ou para apoiar decisões estratégicas.

O segundo voltado internamente para a gestão do conhecimento, com conceitos, técnicas e ferramentas baseadas fortemente no trabalho em equipe em redes para potencializar o capital intelectual.

A Inteligência Competitiva tem como conceito:

"Processo de monitorar o meio ambiente competitivo como objetivo de habilitar gerentes seniores, em empresas de todos os tamanhos, a tomar decisões informando sobre todas as coisas de marketing, P&D e investimentos táticos para estratégicas de negócio de longo prazo".

Os principais tipos de inteligência são: a competitiva, com análise e seguimento dos competidores atuais e potenciais, conhecimento da cadeia de valor do setor e da força da empresa nesta área; a comercial  que vem centrada em clientes e fornecedores; os mercados; os fornecedores e seus concorrentes; os novos produtos; e a própria mão-de-obra no setor e na cadeia de valor; a entorno centrada nos aspectos legais, sociais, culturais e de meio ambiente como, legislação e normas, meio ambiente e a evolução dos cuidados com este, a cultura (política, sociologia, etc) e as forças sociais e econômicas; a tecnológica (ou técnica), voltada para avanços do estado da técnica em particular da tecnologia e das ameaças e oportunidades que gera, avanços científicos e técnicos, produtos e serviços, particularmente os substitutivos, processos de fabricação, tecnologias e sistemas de informação, em que, e com que trabalham as pessoas de centros técnicos, universidades, laboratórios da área de competência, ou seja, desenvolvimento de fontes tecnológicas.


4.1 INTELIGÊNCIA TECNOLÓGICA


Conceitos

-  "um sistema para detectar, analisar e empregar informações sobre eventos técnicos, tendências e, em geral, atividades ou aspectos-chave para a competitividade da empresa, com o propósito de obter uma melhor exploração da tecnologia."

- "conhecimento dos ambientes tecnológicos externo e interno da empresa, aplicado a processos de tomada de decisão, tendo em vista a geração de vantagens competitivas para a mesma."

Os principais tipos são: cientifica: patentes e publicações escritas e/ou engenharia reversa; estratégica: capacidade tecnológica das concorrências, relação econômico-financeiras e de trabalho entre empresas do setor.


4.2 CONTRA-INTELIGÊNCIA


Conceito

"Conjunto de atividades planejadas e sistematizadas para evitar o vazamento de informações de cunho estratégico".


4.3 GESTÃO DO CONHECIMENTO


Conceitos:

"A Arte de gerar valor a partir de bens intangíveis da organização". (SVEIBY, 1998).

"Uma estratégia que transforma bens intelectuais da organização - informações registradas e o talento dos seus membros - em maior produtividade, novos valores e aumento de competitividade" (MURRAY, 1996).

"A administração de conhecimento colhe e partilha bens intelectuais visando obter resultados ótimos em termos da produtividade e capacidade de inovação das empresas. É um processo que envolve gerar, coletar, assimilar e aproveitar o conhecimento, de modo a gerar uma empresa mais inteligente e competitiva" (GAERTNER GROUP, 1198).


5 CULTURA DA INOVAÇÃO


A importância de criação de um ambiente de inovação passa por política de estímulo, pois o processo de inovar é endógeno à empresa, gerado a partir de suas necessidades. A principal característica das organizações inovadoras é a alta eficiência em aprender, são autocríticas e compromissadas com os aperfeiçoamentos contínuos, eficientes em sintetizar mediante know-how e know-why.

Estas empresas participam de pesquisa e desenvolvimento  de novos produtos, lançam mão de conhecimentos científicos, participam de feiras, analisando tendências de mercado e desenvolvendo o conhecimento tácido de seus colaboradores.

É uma criadora de conhecimentos, valoriza as idéias criativas dos seus colaboradores, bem como seus ideais, alimenta a inovação, dissemina a cultura de que inovar é um modo de vida e cada empregado é um empreendedor da empresa, que são fontes de conhecimento e seus palpites podem se tornar protótipos de inovações para uso na empresa.

Valorizam a busca de políticas especificas que incentivem o potencial criador desses empreendedores, por ser fontes de vantagens mediante a inovação contínua, promove a troca de informação entre empregados com transferência de conhecimentos e formando equipe de trabalhos onde todos devem desempenhar este papel.


5.1 GERENCIANDO P&D&E


Um gerente de P&D&E  tem papel importante na coordenação e consolidação de um ambiente tecnológico, deve gerir seus colaboradores que são peças importante no processo inovativo. O gerente de P&D&E deve identificar e quantificar o capital intelectual existente na empresa, identificar e desenvolver o potencial de cada colaborador, suas habilidades na organização com um programa de incentivo a inovação, devem transformar o potencial humano em inovações, através de capacitação dos trabalhadores.

Os gerentes devem proporcionar um ambiente de trabalho com constantes questionamentos, os colaboradores poderão dizer "eu não sei" e não se sentirem ameaçados. A alavancagem de conhecimento, num processo de inovação deve ser feita mediante o diálogo permanente em que as pessoas se sintam á vontade para compartilhar suas idéias com terceiros.

O gerente de P&D&E tem o papel de quebrar as barreiras á integração entre a área de P&D&E e os demais setores da empresa e vice-versa. Evitar o bloqueio de informações entre P&D&E e fábrica, o que dificulta o processo de inovação, todos devem conhecer os produtos da empresa, para quê servem, quem consome, como se colocam no mercado.

A barreiras mais comuns entre P&D&E e outras áreas da empresa são: não divulgação dos objetivos, não envolvimento da fábrica nas suas atividades, estar distante da realidade da empresa, não reconhece a contribuição da fábrica, fornece documentação insuficiente, o grau de especificidade fornecido pelo P&D&E é insuficiente para a compreensão da fábrica e a implementação da inovação, enfatiza o produto em relação ao processo, muitas vezes P&D&E volta-se mais para o aprimoramento dos produtos por uma maior exigência de setores como o de marketing, relegando ajustes ao processo de fabricação a um segundo plano, inviabilizando, assim, a introdução de inovações.


6 CONCLUSÃO


Um programa de busca pela tecnologia e inovação deve fazer parte do planejamento estratégico de qualquer empresa de qualquer tamanho, só assim a empresa poderá garantir sucesso de seu negócio, através das avaliações de tendências de mercado, das exigências dos clientes e poderá tomar decisões para a melhoria de seu produto ou mesmo para inovar com um novo lançamento no seu ramo próprio ou radicalizar com novos produtos.


7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


REIS, DÁLCIO R.; CARVALHO, HÉLIO G. Gestão Tecnológica e Inovação.

 

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