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:: Gestão de Negócios

Inovações nas organizações empresariais

Renata T. Costa

Pós-graduada em Gestão de Negócios pelo Ietec.

I - RESUMO

A expressão inovação vem ganhando cada vez mais importância de um modo generalizado nas últimas décadas nos textos que tratam de administração. Inovar significa renovar ou introduzir novidades (uma idéia de fazer alguma coisa nova) de qualquer espécie. Como dizem Freeman e Soete (1997), “não inovar é morrer”. As empresas que sobrevivem ou crescem são as que introduzem novidades tecnológicas e organizacionais ao longo do tempo.

Num contexto empresarial significa produzir e comercializar bens e serviços que atendam ou superem as expectativas dos clientes e investidores. As novas e crescentes exigências e os inesperados desafios no contexto do mundo atual exigem que se pense e se aja de um jeito novo, que se incorporem novas tecnologias para introduzir novos produtos, processos e serviços.


II - INTRODUÇÃO


A inovação é fruto da criatividade, da invenção. A inovação pode ser confundida com criatividade. A criatividade imagina coisas novas e a inovação faz coisas novas. A criatividade é o meio, o processo e não o produto. Ou seja, é necessário que se tenha um raciocínio criativo para produzir idéias novas que vão gerar coisas novas ou inovação. Mas nem toda invenção é um inovação, pois esta só se efetiva se for implementada e o mercado aceitá-la.

As novas e crescentes exigências e os inesperados desafios no contexto do mundo atual exigem que se pense e se aja de um jeito novo. A inovação surge quando acreditamos que tudo pode ser melhorado. É preciso unir o raciocínio produtivo e a ação inovadora, que resultem em vantagem competitiva.

A maioria das empresas reconhecem que a inovação é fundamental para alcançar ou sustentar uma vantagem competitiva num mercado em acelerada transformação, mas é bem restrito o número de empresas que efetivamente trabalham pela inovação. Para isso, é preciso primeiramente superar o medo de ousar e, depois, ousar. O sucesso de um negócio está relacionado à capacidade do empreendedor de buscar o diferente, o quase impossível. É preciso estar aberto para o inesperado, para assim reconhecer uma descoberta ou uma oportunidade quando você der de cara com ela.

Um ponto básico que diferencia uma organização de sucesso é a utilização criativa do conhecimento gerado pelos avanços na tecnologia da informação. Estamos vivendo o momento onde as tecnologias de vanguarda facilitam e permitem a expansão do processo criativo. A cada dia, torna-se mais curta a distância entre o fato e a informação. Conhecimento sem uso é um patrimônio pessoal.

Podemos colocá-lo ao alcance de todos com o auxílio da criatividade. Ela agrega valor a este patrimônio. E a matéria-prima gerada pela tecnologia (fatos, informações, dados) só é útil quando acompanhada por idéias. Ao estabelecer conexões entre os dados chegamos à oportunidade (achado, descoberta) e as ações criativas tornam-se mais viáveis.
 

III - INOVAÇÕES NAS ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS


O fórum de Inovação da Easp/FGV define inovação genericamente considerada, pela seguinte equação: Inovação = idéia + implementação + resultados. E na verdade, um processo de inovação que traz importantes novidades tecnológicas geralmente requer outras inovações, muitas delas desenvolvidas durante seu processo de implementação.

Produtos pioneiros e inovadores são competitivos e levam as organizações que os desenvolveram a ocupar posições de liderança no mercado, onde as empresas inovadoras destacam-se frente às demais. Porém, as que não são as inovadoras, precisam também competir, e, nestes casos, muitas vezes a única alternativa é imitar criativamente estas inovações, tentando sustentar-se no mercado. Ao imitar, estas empresas imitadoras podem também gerar novidades, passando a ocupar posições efetivamente competitivas no mercado.

A imitação criativa como é uma forma de propulsionar o desenvolvimento tecnológico e consequentemente, a competitividade das empresas. As empresas voltam-se à imitação criativa seguindo suas estratégias tecnológicas, integrando fontes internas e externas de tecnologia, passando por processos de aprendizado tecnológico, obtendo assim, capacidade de desenvolver tecnologia e inovar.

Contudo, a difusão das inovações nunca é instantânea. Entre as várias causas estão a imperfeita difusão das informações, a falta de infra-estrutura relevante e, principalmente, o tempo requerido por cada empresa para aprender como estabelecer-se na nova tecnologia vigente e desenvolver suas novas habilidades.

Como demonstrado por Schumpeter (1912 e 1942) e Freeman (1989) as inovações não são distribuídas uniformemente no tempo e espaço, na verdade, elas são eventos desarmoniosos por natureza. No entanto, as inovações possuem uma tendência a se agruparem, aglomerando-se sob uma certa ordem. Ao surgirem, proporcionam ganhos para as empresas, elas alteram o ambiente em que se inserem e passam a impor novos padrões que determinam a sobrevivência, ou não, das empresas estabelecidas no mercado.

Os lucros obtidos pelos inovadores são um impulso decisivo para o surgimento de imitadores. Mas, como as empresas possuem diferenças entre si, a difusão tecnológica pode levar a uma maior padronização nos produtos e compelir as empresas a fazerem inovações em processos para que possam manter-se competitivas (Porter, 1989).

As pressões competitivas acabam por estimular a imitação e a conseqüente difusão das inovações através do sistema econômico. Não adotar uma inovação crucial pode significar estar fora do mercado, pois as tecnologias já estabelecidas ficam obsoletas. Sendo assim, a difusão não é uma escolha estratégica, mas o resultado de diferentes escolhas, realizadas pelo inovador e pelos imitadores que somadas, dão a real forma do desenvolvimento tecnológico.

A lógica das empresas buscarem lucros através de diferenciação ou melhoramento dos produtos continua só que em uma escala menor. Neste momento, com um maior número de empresas imitando esta escala menor são exploradas as chamadas inovações incrementais, caracterizadas por agregarem melhorias em inovações já apresentadas ao mercado, já que nestes casos, as empresas não estarão fazendo apenas uma simples imitação.

Buscando diferenciar-se, no caso de produtos que já estão bastante difundidos e um tanto padronizados, inovar no processo produtivo pode levar a empresa a obter vantagens frente a seus competidores. A empresa não estará realizando uma simples cópia, ela pode agregar criatividade a este processo que pode levá-lo a inovar. Outros tipos de inovação são as autônomas, que podem ser obtidas independentemente de outras, e as sistêmicas, que só são alcançadas com outras inovações relacionadas.

As atividades relacionadas com inovação envolvem um grau elevado de incerteza a ser enfrentada pela empresa, e a imitação está relacionada com o um grau de incerteza inferior que certas empresas estão dispostas a aceitar. Inovar significa direcionar muitos esforços e investimentos a estas atividades, enfrentando riscos como o de não ter a inovação aceita no mercado, gerando prejuízos que muitas vezes podem eliminar a empresa do mercado. Imitar significa a oportunidade de “queimar etapas” rumo à competitividade. Sendo assim, as empresas são obrigadas a escolher a melhor maneira de manter-se competitiva no mercado. Para isso, cada empresa irá considerar suas capacidades internas, decidindo-se, em linhas gerais, por inovar ou imitar.

As empresas possuem certas rotinas organizacionais que determinam o que fazer e como fazer, que devem ser flexíveis o suficiente para enfrentar as mudanças do ambiente externo. Essas mudanças, na verdade inovações introduzidas pelos demais agentes, podem forçar as empresas a fazer alterações necessárias (mais inovações) para garantir a sua sobrevivência no mercado. Uma empresa inovadora não irá simplesmente parar de inovar após ter apresentado alguma inovação. Ela certamente buscará desenvolver forças no mercado e prevenir-se contra pressões competitivas geradas pela imitação e difusão de sua inovação. Para tal é necessário continuar inovando (Clark, 1985).

As empresas enfrentarão eventuais problemas e mudanças técnicas que irão surgir, forçando-as a alterar suas rotinas e afetando seus lucros, para os quais são levadas a escolher algum tipo solução. Cada empresa fará escolhas diferentes para manter-se competitiva em relação às demais, pois cada uma possui diferentes expectativas e capacidades tecnológicas que, em função desses fatores, irão obter diferentes desempenhos no mercado.

Em suma, cada empresa irá encontrar sua forma de resolver problemas e este contínuo processo de resolução de problemas leva as conseqüentes escolhas que delineiam o comportamento das empresas no mercado. Por isso, as empresas necessitam desenvolver atividades relacionadas com pesquisa que, com complexidades crescentes, acabam sendo apresentadas sob forma de organizações formais.

Assim, surgem no centro do processo de inovação das economias contemporâneas, os centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) como importantes recursos das empresas para o avanço econômico. Estes são encarregados de realizar as mudanças e desenvolvê-las, por meio de inovação ou imitação (Dosi, 1988).

As atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) se tornam atividades necessárias para que a empresa possa se adaptar a realidade econômica vigente, garantindo seus lucros e capacidades competitivas em mercados onde muitas empresas podem inovar. Todavia, não seriam todas as empresas capazes de arcar com os altos gastos de P&D, podendo esta atividade ficar restrita apenas às grandes empresas. De maneira complementar as atividades de P&D, muitas atividades de inovação iniciam em processos de aprendizado, quando a inovação original, gera inovações incrementais.

Um processo de inovação só se completa quando novos conhecimentos estiverem definitivamente incorporados em produtos, serviços, processos produtivos, técnicas de gestão, estratégias, etc., atendam aos objetivos que deles se esperam. No caso das inovações tecnológicas, esse processo vai desde a percepção de um problema ou oportunidade, técnica ou mercadológica, até a aceitação comercial do produto, serviço ou processo que incorpore as soluções tecnológicas encontradas. E nas inovações organizacionais, a inovação deve ser aceita pelos stakeholders afetados pela novidade.

 
IV - CONCLUSÃO


Para um novo produto, serviço ou processo ser uma inovação, é necessário que seja disponibilizado no mercado e principalmente usado por ele. A criatividade de uma invenção não garante seu êxito como inovação. Hoje as empresas são levadas a implantar um sistema de inovação que lhes dê agilidade e flexibilidade necessárias para prosperar sob outra lógica competitiva através de um processo de aprendizagem contínuo e cumulativo, que gera não só produtos novos como também processos, arquiteturas organizacionais e modelo de negócios diferentes.
 

V - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


GRAMIGNA, M.R., Além das Competências - Criatividade e Inovação nas Organizações. Portal do Marketing, 2007. Disponível em: http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Alem_das_competencias_criatividade_e_inovacao_nas_organizacoes.htm. Acesso em: 21 fev. 2008.

LEAL, W.L.M., Gestão da Inovação – MBA Gestão de Negócios. Janeiro de 2008.

CRIBB, A. Y. Inovação e difusão: considerações teóricas sobre a mudança tecnológica. Essência Científica, Vol. 1, No. 1, pp. 1 - 12, mar. 2002. Disponível em: http://www.gifad.org.br/publicacoes/escient/ec_01010102.htm. Acesso em: 21 fev. 2008.

SILVA, S.T., INOVAÇÃO NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES: Uma coletânea dos trabalhos realizados pelos principais especialistas sobre o tema. Portal da Administração. Disponível em: http://www.administradores.com.br/producao_academica/inovacao_no_ambito_das_organizacoes_uma_coletanea_dos_trabalhos_realizados_pelos_principais_especialistas_sobre_o_tema/486/. Acesso em: 21 fev. 2008.

BARBIERI, José Carlos, ALVARES, Antonio Carlos Teixeira. Inovações das organizações empresariais.

 

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