Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Gestão de Negócios

Inovações nas organizações empresariais

Nilton Aparecido de Paula Moreno

Graduado em ciências contábeis e administração de empresas, pós-graduado em Gestão de Custos e MBA em Gestão de Negócios pelo Ietec.

RESUMO

Este artigo tem a finalidade de apresentar a importância das inovações  nas organizações empresariais, ressaltando temas como  tecnologia e inovação tecnológica, sendo esta  um conjunto de conhecimentos, especialmente em princípios científicos que se aplicam a um determinado ramo de atividade; a invenção e inovação onde nem toda invenção se transforma em inovação e a inovação que só se efetivará se for implementada e o mercado aceitá-la; a imitação e difusão, onde a primeira empresa que produz uma mudança tecnológica será considerada a  inovadora enquanto as que realizam a mesma mudança posteriormente são provavelmente consideradas imitadoras;  inovações autônomas e sistêmicas, onde as autônomas podem ser obtidas independentemente de outras e as sistêmicas, cujos benefícios que podem proporcionar, somente são alcançados com outras inovações relacionadas; inovações organizacionais, que estão estruturadas por mudanças e implementações significativas de técnicas avançadas de gestão; o processo de inovação, que só se completa com a incorporação definitiva nos produtos e serviços  e por fim a gestão tecnológica e inovação, que propõe soluções e melhorias no que tange a gestão de tecnologia e inovação.


INTRODUÇÃO


O mercado vem passando por transformações econômicas que, no todo, exige mudanças no processo de produção de bens, serviços e gestão comercial. Economicamente, a globalização reflete a busca por novos produtos e serviços. Esta luta será vencida por empresas que oferecem produtos novos, de melhor qualidade e a preços mais competitivos.

As variáveis – inovação, preço e qualidade – tendem a caminhar para lados diferentes, exceto quando a tecnologia é utilizada como instrumento para esta finalidade. A tecnologia, nas últimas décadas, é um recurso das organizações que possibilita o aumento da produção e nem sempre isso se traduz em elevação de custos na mesma proporção.

Como a tecnologia, a inovação conquista cada vez mais sua importância e, ao mesmo tempo, é generalizada quando se trata de administração. Inovação origina do verbo innovo, innovare e significa renovar ou introduzir novidades de qualquer espécie; inovação origina da palavra innovatione, a qual significa renovado ou tornado novo.

Em qualquer atividade humana que se renova e se atualiza, a inovação está presente, desempenhando papel fundamental para as empresas. As empresas para sobreviverem necessitam introduzir novidades tecnológicas e organizacionais ao longo da sua vida (BARBIERI e ÁLVARES, 2003).

A tecnologia é um conjunto de conhecimentos de princípios científicos aplicados a um determinado ramo de atividade (Dicionário Aurelio), a combinação desses conhecimentos orientada por objetivos previamente definidos, pode ser, por exemplo, aplicada na concepção, na produção e distribuição de bens e serviços. A tecnologia requer envolvimento de mais de um campo de conhecimento específico, sendo que alguns podem ser genéricos, e, portanto, está disponível a quem tiver interesse de procurá-los, ao passo que outros podem ser exclusivos da empresa que o utiliza, o que conferem uma vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes.

O que no momento é exclusivo, com o tempo tornar-se-á de conhecimento público, uma vez que o conhecimento não poderá ser resguardado completamente para sempre, necessitando de inovações para renová-los na medida em que passam a integrar o conjunto de conhecimentos disponíveis. (BARBIERI e ÁLVARES, 2003; KRUGLIANSKAS, 1996).

A transformação tecnológica só é importante quando afeta a vantagem competitiva e a estrutura organizacional. A inovação pode ter fortes implicações estratégicas tanto para empresas de baixa como de altas tecnologias. A tecnologia afeta na determinação do custo ou da diferenciação, uma vez que a tecnologia está contida em toda atividade de valor e está envolvida na obtenção de elos entre atividades, podendo aumentar ou reduzir economias de escala, tornar possíveis inter-relações onde antes não era possível, criar a chance para a vantagem na oportunidade e influenciar quase todos os outros condutores do custo ou da singularidade, de maneira que a favoreça para ser a primeira e talvez a única empresa a explorar um condutor particular (PORTER, 1992). Ainda segundo Porter (1992), a transformação tecnológica resultará em vantagem competitiva sustentável, sob as seguintes circunstâncias:

De acordo com Porter (1992), a transformação tecnológica é um dos principais condutores da concorrência, desempenhando um papel importante na mudança estrutural da indústria, acabando com a vantagem competitiva até mesmo de empresas bem fortificadas, onde um grande número de empresas surgiu de transformações tecnológicas e foram capazes de explorá-las, modificando as regras da concorrência.

Com o crescimento do processo de internacionalização das economias, é provável que esteja ocorrendo um crescimento das influências internacionais nos processo de inovação de cada país, porem, há fortes evidências de que o processo de globalização não estaria contribuindo significativamente para a homogeneização dos sistemas nacionais de inovação, e sim, para uma crescente especialização e diferenciação desses sistemas (VIOTTI, 2003).

Tipos de inovações tecnológicas - Uma classificação muito conhecida é a que enfatiza o grau de novidade envolvido nas inovações, a qual localiza numa das extremidades de uma linha contínua, as inovações do tipo radical, consideradas aquelas que criam novas indústrias, e no outro extremo, as inovações incrementais ou melhorias, que são as “pequenas” novidades acrescentadas em produtos ou processos já conhecidos. As inovações incrementais decorrem de atividades rotineiras de produção e comercialização, para as quais não são alocados recursos específicos (BARBIERI e ÁLVARES, 2003; LONGO, 2004).

Gundling (2000, apud BARBIERI, 2003), subdivide as inovações em:

Inovações do tipo A são as radicais ao extremo que extrapolam as necessidades do consumidor, dando origem à criação de uma nova empresa;

Inovações do tipo B são as radicais que mudam a base da competição na indústria existente; originam-se em pesquisas de laboratório, antes de analisar a necessidade do consumidor; 

Inovações do tipo C são as inovações estritamente alinhadas com as necessidades do consumidor, em geral são extensões de linhas de produtos existentes, ampliando a linha de produtos para os atuais consumidores, por meio de alterações na tecnologia e no processo.

Ainda segundo Gundling, (2000, apud BARBIERI, 2003), um processo de inovação radical que traz importantes novidades tecnológicas, normalmente requer outras inovações que são desenvolvidas durante o seu processo de implementação.


Processo de inovação


Segundo Barbieri e Álvares , “um processo de inovação específico só se completa quando novos conhecimentos estiverem definitivamente incorporados em produtos, serviços, processos produtivos, técnicas de gestão, orientações estratégicas etc., atendendo aos objetivos que deles se esperam”.

Para Viotti , a tecnologia é vista como uma forma de mercadoria mais ou menos similar às demais mercadorias e as inovações seriam produzidas em um tipo de processo de produção mais ou menos linear, onde o primeiro insumo é o investimento em P&D, cujo resultado - o produto- aparece em forma de tecnologia e inovação.

De acordo com Barbieri e Álvares , a invenção é o resultado de uma ação deliberada para criar algo que atenda a uma finalidade específica, uma idéia elaborada ou uma concepção mental de algo, ou seja, a invenção deve referir-se a algo inexistente ou que apresente novidades comparativamente ao que já é conhecido, porém, a invenção se transforma em inovação, somente se for implementada e o mercado aceitá-lo.

Para Schumpeter (1972 apud BARBIERI, 2003), a inovação é uma nova combinação de meios de produção que constitui num elemento central da economia, já a invenção, se não for levada à prática será irrelevante do ponto de vista econômico. A invenção é um fato técnico e a inovação é um fato simultaneamente técnico, econômico e organizacional, ou seja, as pessoas inventam e as organizações inovam.

Conclui-se que no ambiente empresarial, as inovações tecnológicas estão relacionadas ao binômio tecnologia-mercado, onde o mercado julgará todo processo de inovação, portanto, a invenção pode ser a condição necessária para o sucesso de uma inovação, porém, nunca uma condição suficiente.


Viotti  diz que “a inovação é resultado de um processo de interação entre a oportunidade de mercado e a base de conhecimentos e capacidades da firma”. Esta interação envolve inúmeros sub-processos que não apresentam uma seqüência definida, cujos resultados são altamente incertos, necessitando de realimentações entre eles para aperfeiçoamento ou para a solução de problemas que surgem no decorrer do processo de inovação. A integração dos diversos sub-processos entre as etapas de comercialização e de invenção e projeto são fatores determinantes do sucesso no processo de inovação. 


Modelos de inovação


Existem diversos modelos concebidos para orientar uma organização inovadora nos seus processos de inovação, como por exemplo:

O modelo pioneiro ou linear de inovação é o processo no qual a inovação ocorre primeiro como resultado da pesquisa básica, gerando conhecimento científico sobre o qual poderia ser desenvolvida a pesquisa aplicada e, posteriormente, o desenvolvimento experimental, incorporado à produção que atingiria a comercialização, ou seja, a inovação é induzida pela oferta de conhecimento (BARBIERI E ÁLVARES, 2003; VIOTTI, 2003).

Já no modelo linear reverso, a inovação é induzida pelas necessidades de mercado ou pelos problemas operacionais observados nas unidades produtivas, levando em consideração de que a necessidade é a geradora de todas as invenções (BARBIERI e ÁLVARES, 2003).

O modelo de terceira geração ou de Rothwell, diz que com o desenvolvimento tecnológico e científico, as necessidades da sociedade e do mercado são articuladas por meio do processo chamado inovação, combinando a oferta de conhecimento com a demanda da sociedade (BARBIERI E ÁLVARES, 2003);

No modelo combinado às inovações obtidas pelas empresas também contribuem, contrariando os modelos lineares, onde o fluxo de conhecimento flui apenas no sentido da empresa (BARBIERI E ÁLVARES, 2003);

Modelo de Kline ou modelo elo de cadeia é baseado nas interações que ocorrem entre as diferentes fases do processo denominado cadeia de inovação, que é formada pelas necessidades do mercado, invenções, produção, distribuição e mercado (BARBIERI E ÁLVARES, 2003; VIOTTI, 2003);

Modelo de aprendizado tecnológico, considerado característico das economias em desenvolvimento, as quais estão limitadas a absorverem as inovações provenientes de outras economias e à adaptação e ao aperfeiçoamento, ou seja, a inovação incremental (VIOTTI, 2003);

Modelo sistêmico de inovação considera que as empresas não inovam isoladamente, e sim, através das redes com outras empresas, instituições de ensino e pesquisa ou um conjunto de outras instituições (VIOTTI, 2003);

Modelos prescritivos foram criados visando orientar os agentes inovadores nas suas atividades, dentre elas temos o modelo do funil, a qual se baseia na busca do maior número de idéias e a partir daí, é feita a seleção em função das estratégias da empresa, desenvolvidas e implementadas (BARBIERI E ÁLVARES, 2003).


Considerações Finais


O objetivo deste artigo e relatar sobre a importância das inovações nas organizações empresariais e a necessidade das empresas serem competitivas. A competitividade faz com que as empresas  busquem formas que  possibilitem obter produtos e/ou serviços diferenciados. Para se manter competitiva não basta a tecnologia, é preciso também ser lucrativa e ter capacidade de inovação.

De acordo com Andreassi e Siqueira,  para garantir a sobrevivência ao longo do tempo, a empresa, além de ser competitiva em termos de custos, necessita aplicar e comercializar conhecimento, inovar e ser reconhecida como provedora de melhores produtos e processos.  A inovação é um fator de fundamental importância para organizações se manterem competitivas. Neste sentido, verificou-se que a inovação contribui para a melhoria do produto e do processo, bem como para a rentabilidade e a sustentabilidade da empresa ao longo do tempo.


Referência bibliográfica


BARBIERI, J. C.; ÁLVARES, A. C. T. Inovações nas Organizações Empresariais. In Rio de Janeiro: FGV Editora, 2003

SBRAGIA, ROBERTO;STAL, EVA; CAMPANÁRIO, MILTON DE ABREU; ANDREASSI, TALES; PGT/USP (Autores do texto)

INOVAÇÃO – Como vencer esse desafio empresarial.

LEAL, Wilson L.M. ; - IETEC – BH – MBA Gestão de Negócios – Gestão da inovação –Comentários.

GUNDLING, E. The 3M way to innovation. In BARBIERI, J.C. Organizações Inovadoras: estudos de casos brasileiros. : Editora FGV.

MAÑAS, A. V. Gestão de Tecnologia e Inovação. Editora Érica.

 

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo