Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Meio Ambiente

Tratamento de esgoto e efluentes industriais gera créditos de carbono

Revista Envolverde

 

Municípios, empresas e condomínios podem lucrar com projetos ambientais além de contribuir para a preservação do meio ambiente, tratar esgoto e efluentes industriais pode gerar economia e renda para municípios, empresas e condomínios.

Projetos apropriados podem transformar o que hoje é motivo de preocupação e despesas em ganhos financeiros, através de créditos de carbono, energia alternativa, água de reuso e biofertilizantes.

“O tratamento de esgoto e efluentes industriais pode gerar certificados de emissões reduzidas, mais conhecidos como créditos de carbono, já que evita a emissão do metano, um dos mais agressivos gases causadores do aumento do efeito estufa e, conseqüentemente, do aquecimento global”, afirma Rodrigo Franco, diretor da Carbon Market Consulting, consultoria especializada em créditos de carbono, energias alternativas e negócios sustentáveis.

De acordo com Franco, a carga orgânica existente no chamado lodo de esgoto possui uma alta concentração de metano, maior do que a verificada em lixões ou aterros sanitários. “Por meio de uma estação de tratamento anaeróbico, o metano é transformado em biogás, ou seja, ele deixa de ir para a atmosfera como poluidor, o que gera o crédito de carbono, e ainda é transformado em riqueza”, explica.

Segundo Livio Salles, diretor executivo da Biosistemas, empresa paulista especializada em saneamento ambiental, o biogás gerado pode ser aproveitado para geração de energia elétrica, inclusive para a manutenção da própria estação de tratamento.

No caso da produção excedente, a energia pode ser negociada junto às distribuidoras públicas ou no mercado livre, vendido para uma indústria, por exemplo, proporcionando uma renda extra de longo prazo.

“Outra grande vantagem é que, depois de tratado, o esgoto ou efluente torna-se água limpa de novo. Esta pode ser utilizada para diversos fins industriais, como refrigeração, alimentação de caldeiras e água de processo, e também domésticos, como limpeza, abastecimento de descargas sanitárias e irrigação de jardins”, esclarece Salles.

A utilização da chamada água de reuso pode gerar economia de até 70% no consumo de água em indústrias e superior a 25% em condomínios. Franco lembra ainda que além da energia e da água de reuso, o lodo residual pode ser utilizado e comercializado como adubo orgânico.

Este tipo de projeto pode ser implantado em condomínios residenciais e comerciais, hotéis, indústrias e municípios mediante um projeto que atenda todos os requisitos para aprovação no âmbito do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) - um instrumento do Protocolo de Kyoto criado para auxiliar a redução de gases poluentes na atmosfera.

“Ao contrário do que se imagina, projetos como estes são cada vez mais viáveis devido às novas tecnologias que permitem a construção de estações de tratamento menores e mais econômicas. Fora isso, os mesmos podem ser totalmente financiados por meio de leasings ambientais”, alerta o diretor da Biosistemas.

A Carbon Market Consulting atualmente está desenvolvendo projetos para indústrias alimentícias, do setor de celulose e também para municípios, inclusive com uma estruturação financeira que permite o pré-pagamento dos créditos de carbono que serão gerados para amortizar os custos dos equipamentos, obras civis, bem como para o desenvolvimento do projeto em si.

O que são créditos de carbono - Os créditos de carbono são certificados de redução de emissões de gases efeito estufa negociados no âmbito do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) - um instrumento do Protocolo de Kyoto criado para viabilizar a redução dos gases, proporcionar inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.

O titular de um projeto aprovado pela ONU poderá negociar seus créditos diretamente com compradores localizados nos países desenvolvidos, que precisam atingir metas de redução de emissões estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. Os países desenvolvidos que não cumprirem suas metas podem adquirir certificados de países em desenvolvimento (que não são obrigados a atingir metas) ou ainda investir diretamente em projetos de redução, recebendo uma parte dos certificados que serão gerados, sob pena de arcar com multas que, até 2007, serão da ordem de 40 euros por tonelada de carbono excedida.

O mercado de crédito de carbono movimentou US$ 30 bilhões em 2006, o triplo do ano anterior, segundo um relatório do Banco Mundial. Cerca de 83% desse valor (quase US$ 25 bilhões) foi originada de programas implantados na União Européia, e US$ 5 bilhões vieram de países em desenvolvimento.

A Prefeitura de São Paulo, no último dia 26 de setembro, através da BMF leiloou aproximadamente 800.000 certificados, obtendo por certificado 16,20 euros, decorrentes da transformação do metano do aterro Bandeirantes em energia, ou seja, uma receita adicional de quase 34 milhões de reais advindas do lixo urbano.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo