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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Custo-Meta: Uma estratégica de mercado na Indústria de auto-peças

Gilmara Alvarenga Ribeiro / Ricardo Alves Soares

Pós-graduados em Gestão de Custos pelo Ietec

 

Resumo
 
 
A preocupação com os custos por parte dos fabricantes de auto-peças é uma questão crucial para a sobrevivência no mercado. A cada ano essa diretriz tem sido mais explorada, o que faz com que novos métodos sejam desenvolvidos e também se intensifique a busca por alternativas em relação à utilização dos recursos disponíveis com qualidade igual ou superior e menor custo. As montadoras incentivam seus fornecedores a promoverem mudanças em materiais ou em processos de forma que as reduções atendam as especificações de qualidade, porém, tragam maior vantagem competitiva.
 
Com esta necessidade de se ter uma melhor gestão dos custos em toda cadeia de valor no segmento automotivo, trazemos através deste artigo a exposição da utilização de uma das principais ferramentas de suporte para esta gestão estratégica, o custo-meta. Com origem no Japão o custo-meta tornou-se um forte aliado dos fabricantes de auto-peças para alcançar lucro e melhorar seus processos produtivos.
 
Faz-se necessário, portanto apresentar conceitos, características e focar o comportamento do custo-meta no mundo automotivo.  
 
Palavras-chave: gestão de custos, custo-meta, competitividade, redução de custos e cadeia de valor.
 
 
1. Introdução
 
A Indústria de auto-peças pressionada pelas mudanças no setor automotivo e seu crescimento, passa por uma série de transformações. O modelo atual da indústria automobilística tem como principal característica, a transferência de atividades produtivas e de engenharia das montadoras para seus fornecedores. Para isso, os fornecedores devem ter atuação mundial, capacitação tecnológica e equipe qualificada para garantir a qualidade final do produto. Este modelo aplicado internacionalmente, tem gerado conflito entre montadoras e fornecedores em função da busca por redução de custos,  alterando suas margens de lucro exigindo menor custo e maior qualidade.
 
Diante deste quadro, resta aos fornecedores que desejam trabalhar com as montadoras, ter capacidade reconhecida de produzir com eficiência, preocupação ambiental e social, além das atuações através da propriedade da tecnologia, do desenvolvimento de sistemas e da capacidade de fabricar e montar componentes a custo baixo e com qualidade, apontando estratégias de sobrevivência e de lucratividade. Hoje a montadora exige que os fabricantes de auto-peças estejam junto às suas instalações, o que corresponde a exclusão de valores como frete, armazenamento, custo de estoque, entre outros da cadeia produtiva. Além disso, o processo se torna mais ágil e dinâmico.
 
Desta forma existe uma grande preocupação com a determinação dos custos e a sua definição como fator estratégico, levando as empresas de auto-peças a repensarem seus sistemas de custeio na utilização dos dados fornecidos para tomada de decisões. Uma das principais ferramentas de gestão de custos para apoiar esta competitividade é o custo-meta (Target Cost) aplicado em toda cadeia de valor.
 
Nessa perspectiva, o artigo tem por objetivo discutir e apresentar a aplicação da gestão de custos no setor de auto-peças, com enfoque na metodologia do custeio-meta. Contemplam-se também considerações com abordagem conceitual além de citações de profissionais envolvidos na realidade do contexto citado neste artigo. Fundamentalmente, o que se busca é o debate sobre a importância do processo de custeio dentro das empresas de auto-peças para se manter no mercado globalizado, consolidando um mecanismo de poder estratégico no mundo automotivo.
 
2.0 Gestão Estratégica de Custos – Segmento Automotivo
 
No cenário atual, a busca por competitividade, faz com que uma das tarefas principais dos gestores seja o gerenciamento dos custos. Hongren, Foster & Datar (1997), afirma que o gerenciamento de custo é usado para descrever as ações que os gerentes tomam com o intuito de satisfazer os clientes enquanto continuamente reduzem e controlam os custos.
 
Os autores acima citam que em um demonstrativo anual que a Toyota Motor Company apresentou, ficou confirmado através de levantamento feito, que o gerenciamento de custo é para a indústria o que o controle da qualidade sempre foi, um fator de altíssima relevância dentro de toda cadeia produtiva. Um importante componente do gerenciamento de custo é o reconhecimento de que decisões tomadas hoje muitas das vezes comprometerão a organização na incorrência de custos subseqüentes. Considere os custos de disponibilização de materiais numa fábrica. Decisões acerca do Layout da fábrica e a extensão dos movimentos físicos dos materiais requisitados pela produção são tomadas logicamente antes do início da produção. Estas decisões influenciam enormemente o custo de disponibilização de materiais para a produção.
 
Martins (1998) afirma que a Gestão estratégica de custos requer análises que vão além dos limites da empresa para se conhecer toda a cadeia de valor: desde a origem dos recursos materiais, humanos, financeiros e tecnológicos que utiliza, até o consumidor final. Passa a não ser apenas importante conhecer os custos da sua empresa, mas os fornecedores e os clientes que sejam ainda intermediários, a fim de procurar, ao longo de toda a cadeia de valor onde estão as chances de redução de custos e de aumento de competitividade.
 
Para reafirmar estes  conceitos o profissional  da Área de Custos   de  uma  empresa de  auto-peças Marcel Araújo, destaca que a apuração rigorosa dos custos não representa garantia de sucesso de um fabricante de auto-peças, é preciso que haja uma gestão eficaz dos recursos para que a empresa consiga estabelecer bons resultados. Saber direcionar investimentos e calcular riscos são aspectos fundamentais para a manutenção dos negócios vigentes e conquista de novos clientes.
 
Araújo destaca a importância do conhecimento dos investimentos necessários, custos de mão-de-obra, gastos gerais de fabricação, custo de material, custo de remuneração de capital, enfim quanto mais apuradas forem as informações, menores serão os riscos. Cada centavo no processo automotivo passa a ter dimensão maior á medida em que o volume de produção aumenta. Portanto quanto maior a busca por redução de custos e aumento de valor agregado, maior o retorno.
 
4.0 Conceito de Custo-Meta
 
O custo-meta é uma ferramenta para se estabelecer critérios para uma divisão de esforços, buscar resultados na cadeia como um todo, e inovação por parte de engenheiros de valores, representados por vários membros da empresa, os quais devem criar alternativas técnicas e econômicas para que o projeto seja rentável. Segundo Sakurai (1997), o custo meta começou a ser aplicado no Japão na década de 1970, visando reduzir o custo e planejar estrategicamente os lucros.
 
Para Sakurai custo meta é um processo estratégico do gerenciamento de custos para trabalhar o produto ainda nos estágios de planejamento e da criação do mesmo. Sakurai (1997) caracteriza o custeio- meta como um instrumento de gerenciamento estratégico empresarial a médio prazo. Explica que o custo meta é uma parte do planejamento estratégico do lucro, isto é, considera que o plano estratégico das operações se encontra formulado levando em conta a concorrência e as necessidades dos clientes. Assim, integra as informações de marketing com fatores de engenharia e produção. Além de aspectos técnicos, também é considerado pela montadora a capacidade de consumo do mercado. Portanto, o carro será produzido direcionado a atender um determinado nível de preço em relação a seus competidores diretos.
 
5.0 Aplicabilidade do Custo-Meta – Segmento Automotivo
 
Hoje o mercado automotivo não tem mais espaço para amadores e aventureiros. Um produto que nasce fruto de um processo ineficiente, provavelmente já se encontra fora do mercado sem ao menos ter uma chance de se reestruturar e voltar com um novo processo, devido principalmente aos altos investimentos e ao reduzido ciclo de vida. O dinamismo deste segmento é notório quando se verifica o comportamento das montadoras a alguns anos atrás, que além de serem poucas no Brasil, colocavam novos produtos no mercado num prazo médio de 30 meses.
 
Hoje além da chegada de novas montadoras, este prazo de desenvolvimento reduziu para 23 meses. Para preencher esta lacuna e para não perder fatias do mercado, que são disputadas de forma acirrada, as montadoras são obrigadas a restilizar seus produtos atuais. Outro fator é a nova mentalidade da sociedade consumidora, que em poder da tecnologia (internet) conhece os produtos que são lançados nos grandes centros e clamam pelos mesmos custos-benefícios destes produtos produzidos aqui no Brasil.
 
Na fase de concepção de um produto é empregada a definição do custo-meta, onde é aplicado o Target Cost, responsável pelo posicionamento do modelo no mercado. Após a finalização desta etapa, este Target é passado para o parque de fornecedores que deve assimilá-lo e trabalhar para atingir este objetivo. Nos últimos desenvolvimentos, tem-se notado uma maior preocupação das montadoras em atingirem esses objetivos, tanto no custo peça, quanto nos meios de produção, e para isso são chamados os principais fornecedores detentores de tecnologia, para juntos conceberem o produto, dando sugestões de melhorias tanto tecnológicas, quanto de processos e de qualidade.
 
Para auxiliar esta fase, várias metodologias são utilizadas sendo as mais representativas o Tear Down, e Análise de Valor. O fornecedor que definir participar desse processo, não basta apenas apresentar um custo fechado como proposta, mas  sim  a  sua  decomposição, demonstrando as  principais vozes  de seu processo, como consumo de matéria-prima, tempos de processo, taxa horária e especificando inclusive o lucro desejado, além de ser verificada por órgãos competentes da montadora sua saúde financeira e histórico de qualidade.
 
A montadora de posse destas informações valida o processo, tanto no âmbito de custo como no qualitativo e autoriza o inicio do desenvolvimento, fazendo um acompanhamento de cada etapa, para garantir que todo este planejamento seja concluído dentro dos parâmetros de custo, qualidade, e prazos, visando garantir a sobrevivência do produto no disputado cenário automobilístico. Isso demonstra o grau de conhecimento que o fornecedor deve ter da sua cadeia produtiva.
 
6.0 Conclusão
 
As mudanças no setor automotivo fruto da busca por competitividade, fez com que as indústrias de auto-peças se remodelassem para atender ás necessidades focadas para a Gestão estratégica de custos. O artigo apresentado teve  como objetivo mostrar a aplicação do custo-meta no segmento automotivo como forte aliado ao planejamento de lucro e gerenciamento de custos. Além de demonstrar a importância de se conhecer toda a cadeia de valor, buscando oportunidades e identificando ameaças.
 
O Custo-meta veio nos últimos anos com mais força para mudar uma mentalidade, onde somente a contabilidade de custos era vista como a responsável em atribuir preço de venda ao produto, bem como gerenciar custos. Hoje a empresa deve atuar como um todo, ouvindo e envolvendo todos os setores. Através do custo-meta a empresa tem uma visão global de toda sua cadeia produtiva. Percebe-se também que o preço não é somente uma imposição do mercado, esta ferramenta nos permite verificar pelo nível de preço encontrado se o produto deve ou não ser produzido e comercializado. Portanto espera-se que o artigo apresentado tenha foco de discussão, permitindo que mais profissionais utilizem o assunto exposto para pesquisas e debates. 
 
7.0 Referência Bibliográfica
 
MARTINS, Eliseu . Contabilidade de Custos. 6 ed. São Paulo : Atlas, 1998.
 
SAKURAI, Michihau. Gerenciamento integrado de custos. São Paulo : Atlas, 1997.
 
HORGREN, Charles; FOSTER, George; DATAR, Skikant. Contabilidade de Custos.
Rio de Janeiro. Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. , 1997.
 
GOVINDARAJAN, Shank. A Revolução dos Custos. Rio de Janeiro. Editora Campus, 1997.

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