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Educação :: Geral

O coração da universidade

Padre Geraldo Magela Teixeira

Membro do Conselho de Educação de Minas Gerais e ex-reitor da PUC-MG

Sabemos todos que uma boa universidade se assenta no tripé ensino, pesquisa e extensão, que se articulam e interdependem. É certo que não há universidade digna deste nome sem pesquisa institucionalizada, sobretudo, em programas de mestrado e doutorado.

Como também claudica a instituição que não busca conferir a qualidade do seu ensino nos serviços à comunidade. Mas se me perguntarem onde está o coração da universidade, sem o qual lhe faltam vida e seiva, responderia que está no bom ensino de graduação.

É claro que o ensino de graduação só é bom se não faltam aos alunos iniciação científica e articulação com a comunidade. São complementos indispensáveis, mas permanece a graduação como a base de tudo.

E uma graduação para valer começa nos projetos político-pedagógicos dos cursos, passa por um currículo equilibrado, sempre atualizado e flexível, por professores selecionados pela qualidade de sua formação acadêmica, atualizada didática e, sobretudo, uma carga de emoção e devotamento, sem os quais boa parte do alunado pode se desinteressar.

Com a revolução da informação e sua democratização, podem os alunos chegar à universidade mais bem informados, mas com conhecimentos desintegrados, e aí, competirá ao professor integrá-los.

Vale chamar a atenção para mudanças substanciais pelas quais está passando ou deverá passar o ensino de graduação nos dias de hoje. As novas diretrizes curriculares desengessam os currículos, abrindo oportunidades riquíssimas para que o aluno transforme o seu curso em um percurso , em que ele irá escolhendo caminhos, agregando disciplinas, suprimindo outras, de modo a construir a sua formação de tal maneira integrada que terminará a graduação com uma carga de informação adequada aos seus desejos e à carreira pretendida.

Para tanto, será necessário que a coordenação dos cursos e o conjunto dos professores estejam preparados para orientação individual dos alunos no exercício de sua autonomia acadêmica.

Como todos sabemos, é cada vez menor o ciclo de validade dos conhecimentos que levam a uma carreira vitoriosa em nossos dias. Os conhecimentos para a formação de um bom engenheiro, no passado, tinham um ciclo de validade de 20 anos a 30 anos.

Sabemos que tais conhecimentos hoje ficam vencidos em cinco anos. Isto traz duas conseqüências importantes: primeiro, a graduação tende a ser cada vez mais generalista, firmando-se, sobretudo, nos fundamentos de uma carreira. Para ficar no exemplo das engenharias, estas devem privilegiar ainda mais a matemática, a física, a química, os fundamentos da computação e os dados indispensáveis do meio ambiente, da economia e da sociologia. O resto será matéria de validade curta.

Em segundo lugar, cresce a importância da educação continuada, a necessidade que têm os egressos de freqüentar cursos de especialização para que possam atualizar-se constantemente e mais ainda, navegar com desenvoltura no mercado de trabalho cada vez mais movediço. Daí a grande falácia de se anunciar que uma faculdade está voltada para o mercado de trabalho .

Que mercado? O de ontem, não é mais o de hoje, e o de hoje não será o de amanhã. Daí por que as graduações muito afuniladas profissionalmente (a não ser nos casos das tecnológicas, que elegem carreiras menos movediças) estão fadadas ao fracasso e formam mão-de-obra para um mercado precário. Um exemplo ilustrativo: promoção de eventos pode ser um bom curso tecnológico, dispensando a graduação mais plena em administração, comunicação ou turismo.

Daí a importância de o candidato escolher bem a instituição em que vai estudar, sua proposta, seu currículo, o perfil do profissional que pretende formar. Se o candidato não escolher uma graduação séria, poderá cair na lojinha de ensino da primeira esquina e verá que também na educação há contos-do-vigário. 

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