Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Gestão e Tecnologia Industrial

Avaliação do desempenho em cadeias de suprimentos

Gislene Regina Durski

Mestranda em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Consultora Técnica em Qualidade e Produtividade.

 

Resumo
Cada vez mais as empresas percebem a necessidade de interagir com o ambiente externo. Esta tendência está exigindo das empresas novos posicionamentos, com implementação de modernas metodologias ou práticas de gestão. O “efeito dominó”, gerado pela implementação de melhorias, ou pela falta destas, faz com que os reflexos apareçam em toda a cadeia produtiva onde as empresas encontram-se inseridas.
 
Para que as melhorias ou ações implementadas na cadeia produtiva não falhem, é necessário que seus resultados sejam constantemente mensurados, avaliados e as medidas corretivas adequadamente implementadas. Assim, este artigo tem como objetivo apresentar um modelo de indicadores quantitativos que apóie o controle do desempenho e a tomada de decisão na cadeia produtiva.
 
Palavras-chave: Desempenho na cadeia produtiva; indicadores de desempenho; competitividade.
 
Introdução
A partir de meados do século XX diversas nações passaram a conviver em um ambiente onde o processo simultâneo da globalização econômica e as inovações tecnológicas representam um imperativo que não pode ser deixado de lado. Essa nova realidade está exigindo das empresas que querem permanecer atuantes no mercado investimentos constantes em competitividade.
 
As empresas se vêem “obrigadas” portanto a apresentar produtos ou serviços com qualidade a preços competitivos. No Brasil essa realidade não é diferente e, cada
vez mais, nossas empresas dependerão da capacidade gerencial para aumentar sua
competitividade – ou seja, reduzir os custos de produção e aumentar a qualidade do seu produto/ serviço em relação aos concorrentes internacionais.
 
Nesse sentido, as empresas têm aderido a novas técnicas ou modelos de gestão, os quais, de maneira geral, buscam atender, e até mesmo superar, as expectativas do cliente através da maior qualidade, da maior produtividade (gerenciamento efetivo dos insumos necessários à produção) e de um modelo efetivo de acompanhamento do
desempenho.
 
Com base em indicadores sistêmicos e confiáveis, esse desempenho deve permitir a
retroalimentação do processo, possibilitando a melhoria contínua para a empresa. A performance de uma empresa depende a mensuração de seus resultados mas também da compreensão e/ou identificação dos facilitadores bem como dos entraves em todos os elos anteriores e posteriores a sua atuação. Assim, faz-se necessário mensurar, além do desempenho individual de cada empresa, o desempenho competitivo da cadeia produtiva na qual ela está inserida.
 
Em um trabalho intitulado Indicadores de competividade em cadeias produtivas – notas
metodológicas”, Regis Bonelli e Renato Fonseca (2001) apresentam a competividade em três dimensões:
 
empresarial – essa dimensão engloba os fatores ou condicionantes de domínio das
empresas, como produtividade (segundo diversas definições e medidas), qualidade (idem), capacidade gerencial, logística interna à empresa, fatores relacionados às vendas (marketing) e capacidade de inovação;
 
estrutural – fatores ou condicionantes estruturais são aqueles relacionados ao mercado, às teconologias de produção disponíveis, à configuração da indústria e a sua relação com as escalas de produção e à dinâmica específica da concorrência no mercado em que atua;
 
sistêmica – neste último grupo estão os fatores ou condicionantes macroecômicos, domésticos e internacionais, tais como a infra-estrutura e fatores logísticos externos à empresa, características do sistema financeiro, os arcabouços fiscal e político institucional e o sistema educacional.
 
Tomando como base a definição apresentada por Bonelli e Fonseca (2001), este artigo tem como foco a dimensão empresarial e seu objetivo é apresentar uma estrutura de indicadores capazes de mensurar resultados e apoiar nas decisões relacionadas ao acompanhamento e desenvolvimento da cadeia produtiva ou de elos específicos a ela vinculados.
 
1 A cadeia produtiva
1.1 Definições de cadeia produtiva
Para melhor entender o conceito de cadeia produtiva, apresentam-se as seguintes definições:
 
[...] Uma simples empresa geralmente não está habilitada a controlar seu fluxo de produto inteiro no canal, desde as fontes de matéria-prima até o ponto final de consumo, embora esta seja uma oportunidade emergente. Para propósitos práticos, a logística empresarial para empresas individuais tem um escopo estreito. Normalmente o máximo controle gerencial que pode ser esperado está sobre o suprimento físico imediato e sobre os canais de distribuição.
 
O canal de suprimento físico refere-se ao hiato de tempo e espaço entre as fontes de material imediato de uma empresa e seus pontos de processamento. Da mesma maneira, o canal de distribuição física refere-se ao hiato de tempo e espaço entre os pontos de processamento da empresa e seus clientes.
 
Devido às similaridades nas atividades entre os dois canais, o suprimento físico (normalmente chamado administração de materiais) e a distribuição física compreendem atividades que estão integradas na logística empresarial. O gerenciamento da logística empresarial é também popularmente chamado de gerenciamento da cadeia de suprimentos (BALLOU, 2001).
 
Cadeia produtiva é o conjunto de atividades econômicas que se articulam progressivamente desde o início da elaboração de um produto (inclui matérias-primas, máquinas e equipamentos, produtos intermediários...) até o produto final, a distribuição e comercialização (BRASIL, 2000a). Cadeia produtiva é o conjunto de atividades econômicas que se articulam progressivamente desde o início da elaboração de um produto. Isso inclui desde as matériasprimas, insumos básicos, máquinas e equipamentos, componentes, produtos intermediários até o produto acabado, a distribuição, a comercialização e a colocação do produto final junto ao consumidor, constituindo elos de uma corrente (INSTITUTO BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE, 1999).
 
Cadeia produtiva é o conjunto de organizações (principalmente empresas), cujos processos, atividades, produtos e serviços são articulados entre si, como elos de uma mesma corrente, segundo uma seqüência lógica progressiva ao longo de todo o ciclo produtivo de deteminado produto ou serviço. Envolve todas as fases do ciclo produtivo, desde o fornecimento de insumos básicos até a chegada do produto ou serviço ao consumidor, cliente ou usuário final, bem como as respectivas organizações que pertencem e constituem os chamados segmentos produtivos da cadeia” (BRASIL, 2000b).
 
Ballou, por seu lado, utiliza-se do termo cadeia de suprimento. Todas as demais definições aqui apresentadas são complementares e, neste sentido, serão tomadas como referência. Portanto, o termo utilizado neste artigo será “cadeia produtiva”, o qual refere-se ao conjunto de organizações, cujos processos, atividades, produtos e serviços são articulados entre si como elos de uma mesma corrente, numa seqüência lógica progressiva ao longo de todo o processo produtivo de deteminado produto ou serviço.
 
1.2 Os elos ou fontes que compõem a cadeia produtiva
Conforme apresentado na figura 1, a cadeia produtiva do setor têxtil, assim como qualquer outra cadeia, é formada por diversos elos ou fontes, os quais podem ser classificados, de uma maneira geral, em:
fontes de matéria-prima;
processadores;
distribuidores ou prestadores de serviços;
varejistas e
consumidores.
 
Fontes - A cadeia começa com fontes que podem fornecer os ingredientes básicos para dar início a uma cadeia produtiva – matérias-primas. Essas fontes essenciais possibilitam, por exemplo: a agropecuária e a petroquímica para o tecido, o metal para o corte, o vidro e os rótulos para as garrafas, as peças para fabricação e montagem dos componentes automobilísticos, a farinha, o açúcar e outros ingredientes para assar o pão e assim por diante. Esse primeiro elo é suficiente para dar início ao processo sem transformar a cadeia em uma conexão infinita.
 
Fontes => Processadores: a primeira conexão é com o processador, que transforma a
matéria-prima em produtos, componentes ou serviços, claramente identificável como consumível na cadeia. O linho, o algodão, o nylon ou o elastano são fabricados a partir da agropecuária, da mineração ou da petroquímica, o componente automobilístico é fabricado a partir do metal cortado, as embalagens plásticas para cosméticos fabricadas a partir das resinas.
 
Essa conexão simples e primária já contém uma ampla oportunidade para agregar valor. As conexões vão evoluindo para os processadores que constroem, montam e equipam o produto final. Pode-se identificar vários níveis de processadores (nível 1, nível 2...1ª linha, 2ª linha... etc.)
 
Fontes => Processadores => Distribuidores: a cadeia precisa de alternativas para conduzir o produto ao consumidor. Embora existam vários meios disponíveis, o sistema de distribuição se adequa às exigências da maior parte das cadeias de suprimento. Esse sistema transporta o produto final da fábrica para um depósito ou centro de distribuição, se necessário, e entrega as quantidades adequadas ao estabelecimento de varejo no momento em que for solicitado. Em algumas cadeias um atacadista fará parte da corrente. Esse componente se responsabilizará pela divisão de grandes carregamentos e distribuição do produto para os varejistas.
 
Fontes => Processadores => Distribuidores => Varejistas => Consumidores: em suas prateleiras, os estabelecimentos varejistas oferecem o produto para o possível comprador. Entre os varejistas existem, por exemplo, as lojas de departamentos, as mercearias, grandes lojas ou pequenos negociantes, dos quais a compra é feita.
 
Embora a cadeia física de distribuição esteja concluída nesse ponto, o modelo ficaria incompleto se não fossem incluídos os consumidores que tomam a decisão final, selecionando seus produtos preferidos e efetuando as compras que concluem e trazem resultados para a cadeia.
 
1.3 A competitivade nos elos e na cadeia produtiva
Vários fatores podem influenciar, de forma positiva ou negativa, nos resultados da cadeia
ou de seus elos. Podemos citar: as mudanças de preços, provocadas por variações cambiais; os custos de produção; a diferenciação de produto, que exerce um importante papel na formação de estratégias competitivas; a estrutura de mercado; os ganhos de produtividade; a confiabilidade e prazos nas entregas; a qualidade; a disponibilidade dos serviços pósvendas; a inovação tecnológica; o investimento em capital físico e humano; a influência dos meios institucionais; a infra-estrutura etc.
 
Para que haja competitividade na cadeia, fazer necessária uma integração efetiva entre seus elos, os quais devem estar direcionados para as necessidades e expectativas dos consumidores finais. Também, todas as informações e recursos devem ser repassados aos elos, de acordo com essas necessidades e expectativas previamente levantadas.
 
A figura 2 ilustra o modelo de integração entre os elos de uma cadeia produtiva. Para que haja uma eficiente sincronia entre esses elos, refletindo em melhorias globais na cadeia, é necessário que o monitoramento ou avaliação seja constante e efetivo, pois, através deste acompanhamento de indicadores de desempenho serão identificados os problemas ou oportunidades de melhoria na cadeia e/ou em elos mais fracos. Assim, ações de melhoria poderão ser implementadas ou priorizadas, possibilitando a competitividade na cadeia.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo