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:: Gestão de Projetos

A Não Aplicação das Ferramentas e Técnicas do Gerenciamento de Projetos

Auley Júnior Teixeira

Engenheiro Mecânico, Analista de Planejamento da Isomonte S.A. e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec.

Resumo

Nesse artigo procura-se documentar e discutir o comportamento de instituições que apesar de possuírem metodologia de gerenciamento de projetos, não utilizarem suas técnicas e ferramentas de forma adequada e eficiente, “maquiando” assim seus resultados e não atingindo muitos objetivos e metas predeterminadas.

É possível citar inúmeras justificativas para essa situação, porém esse artigo manterá o foco em duas: o baixo nível de conhecimento das técnicas e ferramentas do gerenciamento de projetos e o paternalismo entre colaboradores das instituições.


Palavras-Chave: Baixo conhecimento, paternalismo, gerenciamento de projetos.

O artigo em questão foi elaborado baseando-se na experiência do seu autor no mercado de indústrias de bens de capital por encomenda há aproximadamente 08 (oito) anos buscando justificar suas opiniões em pesquisas bibliográficas, artigos, revistas e pesquisas de internet que o permitiram observar o comportamento desse ramo industrial no que diz respeito ao gerenciamento de projetos atualmente e suas tendências.

Nos tempos atuais o mercado consumidor exige continuamente produtos e serviços de melhor qualidade e menor custo, o que ocasiona uma verdadeira maratona entre as empresas para conquistarem o cliente. Em um mercado globalizado com dezenas de ofertas para cada tipo de produto, é o cliente que dita o sucesso das empresas. Isto tem levado as organizações a viverem em permanente estado de mudança, seja lançando um novo produto ou melhorando o atual, seja efetuando uma ampliação ou modificação na linha de produção, seja efetuando mudanças administrativas, reestruturações, construção de novas fábricas, etc. (PRADO, 2004).

Diante dessa situação do mercado a obtenção de uma equipe treinada na utilização das técnicas e ferramentas do gerenciamento de projetos credencia qualquer empresa no alcance de resultados e metas estipuladas. Dominar a arte de executar projetos se tornou uma das necessidades de sobrevivência e progresso da empresa moderna. Qualquer organização que se inicia com seriedade nesta prática percebe isto rapidamente e, mesmo que os resultados, em um dado momento estejam aquém do desejado, sua atitude é continuar apostando para obter os benefícios completos desta prática. Após a primeira aproximação, é fácil perceber o potencial, para obtenção de resultados, desta forma de trabalhar. O motivo? O gerenciamento de projetos está diretamente relacionado com a garantia de obtenção das metas das organizações. (PRADO, 2004).

E mesmo estando comprovado pelas boas práticas que a aplicação de uma eficiente metodologia de gerenciamento de projetos permite o alcance de objetivos relativos a custo, prazo, qualidade e escopo ainda se encontram empresas cuja metodologia de gerenciamento de projetos não está disseminada a todos os seus funcionários de forma eficiente. Isso faz com que o conhecimento de suas técnicas e ferramentas se apresente em baixo nível em grande parte dos colaboradores comprometendo assim seu desenvolvimento no processo gerencial.

Essa situação vai totalmente contra as necessidades do mercado, na qual se pode destacar “a capacidade de gerenciamento de projeto como item que mais cresceu, chegando muito perto do conhecimento técnico e de itens conhecidos como ‘soft skills’: conversar, escrever, organizar, interagir com outros membros da equipe...” (BOLETIM GESTÃO DE PROJETOS, 2008).

Quando um cliente nos manda um profissional de volta, na grande maioria das vezes ele não o faz por causa das habilidades técnicas, mas por alguma falha em um desses itens, que pode ser pouca capacidade de comunicação, impossibilidade de trabalhar em equipe ou de seguir instruções explica John Estes, vice-presidente da Robert Half. (BOLETIM GESTÃO DE PROJETOS, 2008).

Outra situação constantemente encontrada nas empresas com metodologia de gerenciamento de projetos e característica da cultura empresarial brasileira é o paternalismo que acompanhado com a super proteção, de forma sucinta, exerce impacto nas organizações, podendo-se ressaltar os seguintes aspectos: a busca da informalidade nas relações pessoais e a valorização da manifestação emocional.

Essa característica humana se justifica devido à busca do profissional de uma condição estável dentro da organização. “...sentimo-nos mais seguros e colocamos em ação diversos mecanismo de defesa do ego, tais como identificação, projeção e outros”. (MOTTA, 1997).

É aí que entra o mito do homem cordial. Como explica o historiador Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil (Companhia das Letras), essa cordialidade não é sinônimo de bondade, e sim de relações dirigidas pela emoção. Os brasileiros são pessoas de alto contexto, diz o consultor José Carlos Teixeira Moreira, da JCTM Marketing Industrial, de São Paulo. "Eles sempre têm uma história. Se você conseguir uma boa história, vai ter o máximo dessas pessoas."

Segundo a antropóloga Lívia Barbosa, da Universidade Federal Fluminense, o Brasil tem um modelo de relações interpessoais. "É difícil encontrar quem veja o trabalho só como ambiente profissional. Ele é também um lugar para fazer amigos." (COEHN D., 2000).

Constata-se desse processo a conseqüência da “maquiagem” dos resultados esperados, beneficiado principalmente pela dificuldade de lidar com os conflitos inerentes ao processo de qualquer empresa.“Outra característica do estilo relacional é a dificuldade de lidar com conflitos diretos. O confronto de idéias fica sempre contaminado pelas relações pessoais. Se alguém ataca um projeto do colega, é comum ouvir a pergunta: O que você tem contra mim?“, diz Lívia. A tática de resolução de conflitos cara a cara não funciona.

No Brasil, vira briga. Para que dê certo, tem de ser feita com outra linguagem, com mais afeto. Em pesquisa realizada com 3000 executivos, dois consultores da Fundação Dom Cabral perguntaram se as organizações se portariam melhor se os conflitos pudessem ser definitivamente eliminados. A porcentagem de concordância dos brasileiros foi de 52%. Estudos semelhantes em outros países deram resultados por volta de 20% de concordância. (COEHN D., 2000).

Conclusão

Na atual fase de aceleração tecnológica, a ampliação do conteúdo inovativo do trabalho é o eixo comum da mudança dos processos de trabalho e constitui importante colaboração à capacidade das firmas de acumularem conhecimento e inovarem. No entanto, no Brasil, uma industrialização marcada pelo baixo grau de capacitação tecnológica contínua associada à predominância de processos de trabalho ainda inspirados em princípios tayloristas, baseados primordialmente no uso de força de trabalho pouco qualificada, mal remunerada e com vínculo de emprego instável é o cenário encontrado na maioria das empresas de médio e pequeno porte carentes da revolução tecnológica do gerenciamento de projetos para entrarem na rota da obtenção do sucesso planejado e já realidade na maioria das grandes empresas brasileiras.

E nesse contexto também está inserida a característica do mundo empresarial brasileiro conhecida como paternalismo que traz consigo uma relação de super proteção entre funcionários das empresas o que resulta em uma aplicação inconsistente do gerenciamento de projetos, uma vez que os dados a serem levantados pelas ferramentas e técnicas implantadas na organização são em sua maioria “maquiados”  fazendo com que as metas estipuladas pelo sponsor não sejam atendidas de forma satisfatória. Essa condição ainda é agravada pela dificuldade de se apontar pontos falhos dos sistemas produtivos já que o paternalismo cria também uma condição desfavorável aos conflitos de idéias inerentes a qualquer processo empresarial, visto que na cultura brasileira esses são, em sua grande maioria, levados para questões pessoais.

Referências bibliográficas

COHEN, David. Gestão à brasileira. Exame. Disponível em <http://ensino.univates.br/~cyrne/artrev/Gest%E3o%20%E0%20brasileira-2001.doc.> Acesso em 30 jul. 2008.

GERENCIAMENTO de projetos: o diferencial que o mercado exige. Boletim - Gestão de Projetos, Belo Horizonte, n.55 Julho 2008. Disponível em <http://www.ietec.com.br/ietec/cursos/area_gestao_de_projetos/2008/07/09/2008_07_09_0001.2xt/materia_gestao/2007_07_04_0355.2xt/dtml_boletim_interna > Acesso em 29 jul. 2008.

MOTTA, F. C. Cultura e organizações no Brasil. In: _. CALDAS, M. Cultura organizacional e cultura brasileira. São Paulo: Atlas, 1997, p.57-64.

PRADO, Darci. A Busca da Excelência. In: _. Gerenciamento de programas e projetos nas organizações 3. ed. Nova Lima: INDG, 2004. (Gerência de projetos, V.1) cap.1, p. 19-25.
 

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