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:: Meio Ambiente

A sustentabilidade em período de crise

Orlando Lima

Consultor em Estratégia e Gestão de Sustentabilidade, articulista fixo da Plurale e ex-Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Vale

Revista Plurale

A Conferência Internacional da BSR ("Business for Social Responsibility") em Nova York, realizada no início de Novembro deste ano, ocorreu na mesma semana das eleições presidenciais norte-americanas e em meio à maior crise financeira internacional que se tem notícia. Esse momento singular representou um contexto interessante de reflexão, inclusive para se saber em que medida a agenda da sustentabilidade deverá sofrer com a turbulência e ao ambiente de contenção financeira generalizada em curso na economia internacional. O tema da Conferência - "Sustainability: Leadership Required" já antecipava o que estava por vir.

De todas as apresentações, painéis e sessões de debates, alguns temas levantados merecem um exame da rica avaliação dos participantes da Conferência. Uma dessas avaliações aponta surpreendentemente para a idéia que a crise, na realidade, é também uma grande oportunidade para as empresas focarem em seus projetos mais estratégicos de sustentabilidade e melhorarem sua performance.

Nesse sentido, a necessidade de se encontrar soluções para o aquecimento global e os efeitos das mudanças climáticas é considerada, não apenas como mandatória para o futuro da humanidade, mas possivelmente como a maior oportunidade de superação da crise atual da economia mundial. Algumas opiniões destacam que a solução do problema climático terá que vir de uma revolução tecnológica associada à transformação para uma matriz energética mais limpa.

Lideranças norte-americanas, por seu lado destacam que os EUA dispõe de recursos estratégicos na corrida pela nova "Economia Verde", em função de sua base de pesquisa tecnológica e do nível de sofisticação de seu sistema financeiro para financiar inovações e levá-las ao mercado. Durante a Conferência, o Presidente da Generation, empresa de investimentos, mencionou estimativas de que a economia associada às mudanças climáticas deverá movimentar a nível global, a cifra da ordem de US$ 800 bilhões por ano por um período de 30 anos, ou seja, US$ 24 trilhões, implicando no desenvolvimento de novas indústrias focadas nesse tema.

Juntamente com essa possibilidade, falar-se cada vez mais nos "empregos verdes", que serão gerados por empresas, organizações e governos em segmentos relacionados á mencionada economia verde, com o potencial para absorver parte dos empregos perdidos na economia convencional devido à crise econômica. A essa tendência associa-se o enorme desafio de se capacitar uma vasta força de trabalho com os conhecimentos necessários para atuar nas novas indústrias emergentes, na velocidade requerida para evitar um "apagão de mão de obra" nesse novo front. Esse desafio deverá ser enfrentado não apenas pelas empresas, mas também por todo o sistema educacional e requererá políticas públicas que promovam esse desenvolvimento.

CEOs de grandes empresas com foco na sustentabilidade de suas operações, destacaram também a nova natureza da relação de seus empregados com suas empresas. A agenda de sustentabilidade, que se iniciou a partir da liderança das empresas, internalizou-se na cultura interna das empresas a ponto de seus empregados exercerem pressão interna permanente pela manutenção e aprofundamento da agenda da sustentabilidade. Estes depoimentos destacam também a maior capacidade da empresa em atrair talentos quando as pessoas percebem seu genuíno compromisso com a sustentabilidade, especialmente em períodos de crise.

Percebe-se por fim, que os esforços mais bem sucedidos estão sempre baseados na convergência dos resultados financeiros e dos objetivos de sustentabilidade e na crença da interdependência de ambos. Empresas prósperas e saudáveis financeiramente são consideradas vitais para a sustentabilidade e da mesma forma tais empresas podem ver seu futuro seriamente comprometido sem sustentabilidade.

Transportando essa discussão para a realidade brasileira, as percepções acima descritas somente reforçam as oportunidades que os novos tempos podem trazer para o nosso país. A experiência brasileira na indústria de biocombustíveis, por exemplo, poderá determinar um novo papel a ser desempenhado pelo país na economia mundial, além de atender à demanda interna por fontes de energia limpa.

Naturalmente, uma grande expectativa permanece sobre os caminhos que serão tomados pelo novo governo do Presidente eleito norte-americano no que tange aos principais temas e políticas relacionadas à sustentabilidade socioambiental, que influenciarão muitos dos caminhos a serem seguidos em todo o planeta no futuro.

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