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:: Inovação e Criatividade

Inovação & Desenvolvimento

Ana Paula de Miranda Rios Resende

Administradora formada pela UFSJ, atualmente é servidora pública estadual, lotada na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais – FAPEMIG como Gestora em Ciência e Tecnologia.  Pós-Graduada MBA Gestão de Negócios pelo Ietec.

RESUMO

Este artigo tem como objetivo contextualizar a inovação e seu desdobramento: da sua criação à sua avaliação, passando pelos processos de invenção, fomento, sucesso do novo produto (inovação em si) e da importância da avaliação.
Palavras-Chave: inovação, sistema nacional de inovação, avaliação.

INTRODUÇÃO

Atualmente o processo de mudança tecnológica atingiu uma velocidade e importância nunca antes vistas na história humana. As aceleradas, profundas e abrangentes transformações marcam o esgotamento da sociedade industrial, e o ingresso na sociedade do conhecimento coloca-se como fator chave para o desenvolvimento econômico de regiões e países. (MOTA, 1998). Desse modo, a valorização das atividades de ciência e tecnologia e de pesquisa e desenvolvimento, para estados nacionais e empresas, são evidências claras desse processo.

Nesse contexto, a inovação tecnológica surge como a variável decisiva para alcançar e sustentar vantagens competitivas de empresas, setores e espaços econômicos. Porter (1990) aponta que à medida que se alcança maior grau de interdependência econômica, política e tecnológica, entre os distintos agentes econômicos e países do mundo, a inovação tecnológica passa a ser um elemento chave da competitividade nacional e internacional, a ponto de se afirmar que a competitividade de uma nação depende da capacidade de inovar de suas indústrias.

ESTRUTURA CONCEITUAL

Mas o que vem a ser inovação? Inovar vem do verbo latino innovo, innovare, que significa renovar ou introduzir novidades de qualquer espécie. Tidd (1997) define inovação como o processo de transformar oportunidades em novas idéias e colocá-las em prática. Ou seja, inovação, envolve a identificação de oportunidades, a materialização de idéias que correspondam a estas necessidades e finalmente a comercialização destas idéias em forma de produtos ou serviços.

Lemos (1999) define inovação como sendo um processo complexo, interativo e não linear que combina os avanços da pesquisa científica com as oportunidades de mercado. A inovação contempla as diferentes etapas no processo de obtenção de um produto até seu lançamento no mercado, que pode ser acrescentado principalmente pela utilização dos mesmos.

Cabe-se aqui, fazer uma distinção tão bem colocada por Schumpeter (FREEMAN & SOETE, 1997) entre invenção e inovação: uma invenção é uma idéia ou modelo para um novo ou melhorado dispositivo, produto, processo ou sistema. Tais invenções podem ou não vir a serem patenteadas, mas não necessariamente levam a inovações tecnológicas. A inovação do ponto de vista econômico acontece somente após a primeira transação comercial envolvendo o novo produto, processo, sistema ou dispositivo. Resumidamente, sucesso com a invenção.

O Sistema Nacional de Inovação - SINI

Freeman foi quem primeiro apontou para a importância deste sistema para o entendimento do processo de inovação tecnológica. Segundo este autor, trata-se de reconhecer a importância de uma rede de instituições públicas e privadas, dentro de uma economia. Esta rede dinâmica permitiria financiar e executar as atividades inovadoras (projetos). Estas traduzem os resultados de Pesquisa & Desenvolvimento - P&D - em inovações e interferem na difusão de novas tecnologias.

De uma forma mais específica, o sistema de inovação compreende as agências públicas de fomento, suporte, apoio e execução de P&D; as universidades e os institutos de pesquisa que exercem P&D e formam capital humano para ser empregado no setor produtivo; as empresas que investem em P&D e na aplicação de novas tecnologias; os programas públicos direcionados a subsidiar a adoção de tecnologia; as leis e regulamentações que definem os direitos de propriedade intelectual, entre outras instituições.

Portanto, o sucesso das empresas na competição não depende exclusivamente do seu esforço em pesquisa e desenvolvimento e de outras atividades técnicas. Dependem do modo em que os recursos disponíveis são gerenciados e organizados na sociedade. Seja no âmbito público ou privado.

Um Modelo de Gestão da Inovação para os Institutos de Pesquisa

Os institutos públicos de pesquisa têm contribuído de forma sistemática para a inovação tecnológica. O grande desafio constitui-se em buscar a efetiva parceria junto ao setor produtivo. Isso envolve não só uma nova postura, mas também a reforma de práticas operacionais extremamente complexas, particularmente aquelas mais diretamente dependentes da área pública governamental.

O conhecimento tecnológico tem um caráter cumulativo e multidisciplinar. Empresas, instituições e até países que tiveram a oportunidade de desenvolver uma base de conhecimento sólida tem melhores condições de enfrentar e usufruir das mudanças revolucionárias da tecnologia. Mas sempre é necessário que o conhecimento tecnológico seja desenvolvido junto ao setor produtivo, com o risco de, caso contrário, não servir para a sociedade. Essa característica do desenvolvimento tecnológico envolve uma ampla gama de agentes de fomento, de geração de inovação e de difusão do conhecimento, além do usuário final e dos benefícios sociais difusos.

Uma forma possível de classificá-los é a seguinte:

• financiador (fomento) do processo de geração de tecnologia;
• produtor ou executor de conhecimentos tecnológicos;
• incorporador da tecnologia em seus produtos e serviços;
• consumidor ou usuário final desses produtos e serviços;
• sistema de gestão de transferência de tecnologia.

Entre os agentes deve haver a possibilidade de ajustes no percurso dos contratos, garantindo agilidade e flexibilidade na definição de objetivos, metodologias, processo de trabalho e formas de comercialização. Dado o alto grau de risco dos projetos, a parceria exige que estes contratos sejam permanentemente arquitetados, visando à satisfação dos agentes envolvidos, conseqüentemente da sociedade.

O que precisa ser levado em consideração é a extrema complexidade do processo de inovação, que não se restringe ao envolvimento de um único agente para cada função acima descrita. Assim, para o fomento podem existir vários agentes, simultaneamente ou para cada fase do projeto. O mesmo para cada outra função: equipes de desenvolvimento de diferentes instituições e competências, várias empresas inovadoras, formando consórcios (particularmente quando o projeto tem grande envergadura financeira e alto risco) e diferentes usuários finais.

Apesar dessa complexidade, torna-se possível apresentar uma arquitetura de parceria entre o agente executor da tecnologia, aqui representado por um instituto de pesquisas, e o agente incorporador, uma empresa qualquer. Essa arquitetura é esquematicamente desenhada na Fig.1: Gestão da Inovação Tecnológica. Para o Triângulo de Geração, existe a lógica de fundar-se no conhecimento dos pesquisadores e técnicos, apoiados nas estruturas laboratoriais e de pesquisa. O fundamento é a quantificação e classificação dos fenômenos investigados e o objetivo é a geração de conhecimento. Sobre essas bases, a prospecção e a viabilidade (que podem constituir-se em instâncias formais ou informais dentro das organizações) tornam possível o desenvolvimento de P&D e a inovação. (CAMPANÁRIO, 2002).

Vista sob uma ótica isolada, a lógica de P&D, no seio da instituição executora, depende fundamentalmente da sua competência em recursos humanos, sem que necessariamente a inovação ocorra, pois essa depende da transferência efetiva da tecnologia e do conhecimento para a sua reprodução na empresa incorporadora.

Sites como o do Portal da Inovação (http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/) são exemplos de órgãos que tem como objetivo aproximar e promover a interação entre Empresas, Comunidade Técnico-científica, Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTI’s) e Organizações de Apoio visando à cooperação e à inovação nos diversos setores sócio-econômicos em todas as áreas do conhecimento.

Avaliação do Grau de Inovação Organizacional – Q.D.I. ®

O Instituto Nacional do Empreendedorismo e Inovação (http://inei.org.br) desenvolveu um modelo de avaliação do grau de inovação organizacional e um Questionário Diagnóstico de Inovação - Q.D.I. ®, de forma a avaliar de que maneira empresas dos mais diversos setores promovem o desenvolvimento de sua capacidade inovadora por meio das rotinas e modelos organizacionais adotados na gestão de seus recursos intelectuais, financeiros, tecnológicos e humanos.

O modelo avalia 19 indicadores, considerados fatores críticos para os processos de inovação organizacional, a saber: Estratégia e Visão Organizacional; Cultura e Valores Organizacionais; Papel e Estilos das Lideranças; Estrutura e infra-estrutura organizacional; Mapeamento de conhecimentos estratégicos: competências organizacionais e individuais; Compartilhamento e Criação de Conhecimento, e Aprendizagem Organizacional; Gestão de acordos colaborativos: aquisição de conhecimentos externos; Sistemas de comunicação e informação; Geração de idéias e Criatividade; Sistemas de Gestão de Idéias; Modelos de gestão de pessoas: avaliação de desempenho, sistemas de reconhecimento, promoção – cargos e carreira, recrutamento e seleção, retenção de talentos, desenvolvimento de competências para a inovação – Programas de Capacitação; Empowerment e autonomia para inovar; Modelos de trabalho colaborativo; Intra-empreendedorismo; Monitoramento do Capital Humano na rede de valor; e as principais barreiras à inovação.

A avaliação tem como objetivo a verificação de fatores críticos para os processos de inovação tais como: a capacidade da empresa de identificar suas competências essenciais e conhecimentos críticos ao negócio; estabelecer e gerir relações de cooperação e colaboração com outros agentes de sua rede de valor; monitorar o ambiente externo para identificar fontes de inovação; identificar oportunidades para capturar conhecimento e desenvolver habilidades proprietárias aos seus negócios; reter pessoas que tenham conhecimento estratégico; integrar os fluxos de informações para organizar o conhecimento corporativo por meio de recursos tecnológicos; criar uma cultura inovadora e empreendedora; dentre outros fatores que possam afetar a capacidade de inovação; aprendizagem e competitividade da organização. Também é avaliada a forma como a empresa gere a dimensão humana na criação do conhecimento, aprendizagem e cultura organizacional para sustentar os processos de inovação.

No âmbito público medidas estão sendo tomadas para que a avaliação dos investimentos seja efetuada. No caso da FAPEMIG a criação de um departamento de avaliação marcou esta questão. Uma proposta de metodologia foi elaborada, e alguns pesquisadores com experiência na área foram convidados a compartilharem sua experiência. Um deles foi o economista André Tosi Furtado, grande especialista do assunto, criador da “Avaliação do Impacto das Atividades da Fapesp no Estado de São Paulo".

CONCLUSÃO

A gestão do processo de inovação requer, dessa forma, uma forte parceria tecnológica, envolvendo diferentes agentes num processo interativo de construção de meios e fins comuns. Os principais resultados dessa ação são obter sinergia técnica, financeira e comercial e reduzir riscos ou “custos de transação” associados à transferência de tecnologia (e à inovação) entre entidades que desempenham diferentes papéis na estrutura de conhecimento da sociedade. A distância que separa o pesquisador e seus laboratórios do consumidor final, que em última instância é o beneficiário do processo de inovação, deve ser reduzida não só com técnicas de gestão mais apuradas tecnicamente, mas, sobretudo através da mudança do modelo de fomento, com destaque para o papel de todos os agentes na construção de parcerias, com ênfase para a demanda.

Atenção igual deve ser dada às formas de avaliação da inovação, uma vez que é de vital importância mensurar os impactos dos investimentos e do desenvolvimento das empresas e das instituições públicas. No caso destas últimas é necessário que se legitime e justifique o gasto público, proporcionando maior transparência no processo. A sociedade precisa perceber o retorno dos investimentos realizados pelos financiadores, como é o caso da FAPEMIG. Revista Minas faz Ciência, nº 33.

BIBLIOGRAFIA

CAMPANÁRIO, M.A. Criado em: set. 2002 Tecnologia, Inovação e Sociedade. Disponível em: <http://www.oei.es/salactsi/milton.htm>. Acessado em: 13 ago. 2008.
FREEMAN, C.; SOETE, L. The Economics of Industrial Innovation. 3 ed. Cambridge: The MIT Press, 1997.
LEMOS, C. Inovação na Era do Conhecimento. In: LASTRES, H. e ALBAGLI, S. Informação e Globalização na Era do Conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
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Modelo de Avaliação do Grau de Inovação Organizacional® e o Questionário Diagnóstico de Inovação – Q.D.I. ®. Disponível em: <http://inei.org.br/produtos-e-servicos/qdi>. Acessado em: 13 de ago. 2008.
MOTA, T. G. Sistemas de inovação tecnológica de economias periféricas. Fortaleza, 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ci/v28n1/28n1a10.pdf>. Acessado em: 13 ago. 2008.
PORTER, Michael. The Competitive Advantage of Nations. Harvard Business Review, março-abril 1990.
Revista Minas faz Ciência – Publicação trimestral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG, nº 33 – mar. a mai./2008.
TIDD, J., BESSANT, J., PAVITT, K. Managing Inovation: integrating technological, market, and organizational change. New York: Willey and Sons, 1997.
 

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