Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Inovação e Criatividade

Transformando o ambiente organizacional com a Inovação e o Intra-empreendedorismo

Haroldo de Oliveira Costa

Analista de Sistemas com Especialização em Gestão e Tecnologia da Informação e MBA em Gestão de Negócios pelo Ietec. Gerente de Tecnologia da Informação da Mineração Lapa Vermelha Ltda., Fazenda Lapa Vermelha.

RESUMO

Este artigo procura demonstrar a importância da Inovação e do Intra-empreendedorismo para as organizações modernas que operam no ambiente da economia globalizada e de concorrência assídua. Por meio de pesquisa bibliográfica e estudos de outros artigos levantaram-se aspectos importantes da inovação e do intra-empreendedorismo como fatores de transformação nas organizações, destacando os processos de implantação e desenvolvimento destes dois pilares de desenvolvimento. A inovação é o resultado da criatividade e o processo de inovação se constitui da idéia, a sua implementação e o resultado esperado. O Intra-empreendedorismo é o desenvolvimento de atividades empreendedoras no âmbito interno das organizações.


Palavras-Chave: Ambiente Organizacional, Inovação e Intra-Empreendedorismo.

Inovação e Intra-empreendedorismo

As organizações modernas estão atuando fortemente na área da Inovação e do Intra-empreendedorismo como fatores de diferencial competitivo para suas atividades, já que em uma economia globalizada a concorrência e a dificuldade de alcançar novos mercados são pontos críticos para o crescimento do negócio. Mercados que há alguns anos atrás eram restritos para poucas empresas hoje sofrem a pressão de novos concorrentes.

A expressão inovação está cada vez mais presente nos estudos da área de administração e aliado a ela a atividade empreendedora, que antes estava focada na criação de novos negócios e agora se volta para o interior das empresas, como um novo perfil das atividades e funções intrínsecas dos colaboradores.

A inovação pode ser percebida de várias formas nas organizações: novos produtos, remodelagem de produtos já existentes, novos processos internos, novas formas de atendimento a clientes, etc.

“A constante invenção de soluções pode ser percebida não somente como obra do homem, mas também como fórmula da natureza. O estudo da história mostra que de maneira geral, estar em transformação é uma das poucas coisas constantes nos sistemas. Percebe-se que sistemas que nunca se reinventam, transformam e adaptam tendem ao desaparecimento no curso do tempo”, Carlos Amorim Lavieri, 2005, USP.

O intra-empreendedorismo é o trabalho do empreendedor dentro das corporações, o que torna as pessoas intra-empreendedoras agentes da inovação, motivando a inovação e a evolução constante das organizações. “O empreendedorismo é um processo pelo qual se fazem algo novo (criativo) e algo diferente (inovador) com a finalidade de gerar riqueza para indivíduos e agregar valor para a sociedade”, Gina Paladino, 2006, FIEP.

A aplicação destes dois pontos de evolução nas organizações passa por etapas de mudanças da cultura organizacional e do perfil dos colaboradores. Mudança na cultura organizacional com a adoção de meios para a valorização da inovação no ambiente da empresa, e mudança do perfil dos colaboradores com o incentivo e adoção do perfil empreendedor dos mesmos, criando assim um ambiente inovador e empreendedor.  Para Schumpeter, produzir a Inovação e principalmente liderar (garantir) a implementação destas inovações nos processos produtivos era o papel exercido por aqueles que ele chamou então de empreendedores (SHUMPETER, 1982).

Estas mudanças serão os novos pilares para as organizações inovadoras e atualizadas.

"A empresa que se recusa a ser criativa, não aprimorando os seus produtos e sua estrutura, ou não estando atenta a novas descobertas desenvolvidas em outras partes do mundo, está fadada a ser superada rapidamente." Roberto Duailibi, 1990.

Criação do ambiente Inovador com o Intra-Empreendedorismo

Como transformar o ambiente das organizações para uma cultura empreendedora e inovadora? Esta é a grande questão a ser avaliada pelos gestores das organizações modernas.

A primeira consideração que devemos fazer é com relação às características dos colaboradores da organização, que devem estar voltadas para o empreendedorismo e assim seja praticado o intra-empreendedorismo e por conseqüência as idéias surjam na organização. Para a elevação desta característica devemos desenvolvê-la através de cursos e a organização deve abrir espaço para a criatividade dos indivíduos e das equipes, incentivando o surgimento de intra-empreendedores e empreendedores corporativos. Pinchot percebeu que o empreendedor descrito por Schumpeter não era apenas aquele indivíduo que constrói uma empresa, mas também aquele que dentro das estruturas corporativas existentes age de modo inovador e se responsabiliza por implementar as invenções necessárias aos mais variados processos. (PINCHOT, 1978).

A gestão da empresa também deve ser considerada como ponto importante, já que as mudanças na cultura da empresa para uma valorização do intra-empreendedorismos devem vir da alta direção das organizações, que deve apoiar as mudanças e implementar ações de gestão e compensação das inovações. A alta direção deve delegar poderes para as mudanças e também definir limites, pois será instalado um ambiente de liberdade para inovação na organização. Os gerentes devem assumir uma posição de “patrocinadores” dos intra-empreendedores, dando-lhes apoio e uma direção na organização. Muitas vezes as organizações perdem oportunidades de melhorar sua competitividade porque a cultura empresarial, essencialmente avessa a mudanças, estimulava aquelas pessoas dentro da organização que seriam potenciais empreendedores a desistir dos projetos ou abandonar as empresas para implementá-las.

Métodos de incentivo aos intra-empreendedores e as inovações também são fatores que facilitam a cultura inovadora nas empresas, motivando os colaboradores nas inovações e no desenvolvimento do potencial intra-empreendedor. Alguns métodos de incentivos como prêmios, bônus, aumento de salário, promoção e também o reconhecimento público, são aplicados nos sistemas de gestão da inovação como incentivo e mantenedores do processo de inovação nas organizações.

Outros fatores também são importantes e devem ser considerados para a criação do ambiente inovador e do desenvolvimento do intra-empreendedorismo nas organizações:
• A disciplina para tratar da inovação e dos seus processos, para que não se desvie dos objetivos de implantação de um sistema de Gestão de Inovação e intra-empreendedorismo nas organizações;
• Criar uma cultura do aprendizado e da pesquisa na organização para a evolução constante e busca de novos conhecimentos e técnicas para as organizações;
• Flexibilidade para mudanças, provocadas pelas inovações e para a implantação do sistema de gestão da inovação;
• Tolerância aos riscos e erros que podem vir de inovações e idéias empreendedoras, o risco calculado deve ser estimulado e acompanhado para evitar problemas que desestimulem novas tentativas de inovação;
• Criação de ambiente diferenciado para equipes que trabalhem com a inovação e com pesquisa; 

O processo de inovação e aplicação do intra-empreendedorismo nas organizações deve ser organizado para que tenha apoio dos colaboradores e sua participação contínua, assim a cultura inovadora se propaga pela organização e os colaboradores vão criando um perfil empreendedor. O processo como um todo deve ser tratado, do surgimento da idéia (tradução), da sua avaliação de viabilidade, implementar idéias e avaliar resultados, não esquecendo sempre do reconhecimento dos trabalhos.  
    
Liderança Intra-empreendedora.

As organizações modernas participam de mercados voláteis e competitivos onde o aumento das vendas torna-se cada vez mais difícil e existe uma dificuldade em se obter vantagens sobre os concorrentes, devido a estes fatores a inovação que advém de uma capacidade intra-empreendedora dos colaboradores será o diferencial para obter lucros e vantagens competitivas.

A liderança das organizações terá um papel decisivo para a mudança da cultura interna, fomentando a inovação e o perfil empreendedor internamente.

Um líder que propicie a inovação deve valorizar seus subordinados por suas idéias, permitir uma liberdade para exposição e desenvolvimento de idéias, serem parceiro no desenvolvimento de inovações, assumirem riscos, compartilhar conhecimentos e estimular a criação. “Aqui as pessoa são desconfortavelmente estimuladas a ir além da função específica de seu cargo”, afirma Luiz Ernesto Gemignani, presidente da Promon.

A liderança empreendedora será o diferencial para a criação de equipes inovadoras e intra-empreendedoras.
 
Empresas Inovadoras

As empresas “Inovadoras” já trabalham com o intra-empreendedorismo e desenvolvem a cultura da inovação nos seus ambientes internos, para isto viram que não era necessário apenas investir em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e sim mudar suas culturas. Atualmente nestas empresas existe todo um ambiente voltado para a inovação, a gerência da empresa, os grupos de pesquisas, grupos multidisciplinares para estudos, sistema de motivação e premiação de inovações, sistema de gerência da inovação e do conhecimento.

Exemplos clássicos como a 3M umas das recordistas em registro de patentes em todo o mundo, onde existem sistemas sofisticados para a inovação, a Gillete que tem dentro da uma linha de testes dos produtos pelos colaboradores e que está sempre inovando da frente dos concorrentes, a inovação também vem por meio de serviços como a GOL que inovou na forma de serviços prestados aos clientes e também no público alvo de seus serviços.

Temos que salientar aqui que a inovação e o intra-empreendedorismo não estão presentes somente nas grandes corporações, está também em organizações de pequeno e médio porte, onde o ambiente e a própria origem são propícios a estas atividades. 


Conclusão

Atualmente o perfil empreendedor das pessoas é visto como uma característica de suma importância, não só para a vida pessoal como também para o ambiente organizacional nos quais elas estão inseridas. Este perfil é o gerador de inovações nas organizações modernas, que já enxergaram este diferencial empreendedor e o potencial das inovações para alavancarem os seus negócios.

Organizações tradicionais com uma administração fechada e não inovadora estão caminhando para um futuro incerto onde os mercados estarão em mudanças contínuas e em evolução constante, abertos a novas idéias e altamente competitivos.

Os gestores serão os responsáveis para a mudança do perfil das organizações e pela conquista de novos caminhos para um futuro no mercado globalizado e competitivo, estando sempre abertos a inovação e ao novo perfil de colaboradores empreendedores.

No futuro as empresas inovadoras com profissionais intra-empreendedores estarão presentes no mercado e com uma força a mais em relação a seus concorrentes, tornando-as competitivas e preparadas para atuarem nos mercados em evolução. E além do mais a economia mundial vive um período de valorização do conhecimento, com a inovação e o intra-empreendedorismo tende-se a valorizar este bem das organizações.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


DRUCKER, P. Inovação e Espírito Empreendedor. São Paulo, Pioneira, 1987 5º Ed.

LAVIERI, Carlos Amorim; MELLO, Álvaro. Estímulos ao Processo de inovação, associados ao intra-empreendedorismo. Em: SEMEAD, 2005, São Paulo. anais do VI SEMEAD, 2005.
 Disponível em <http://www.ead.fea.usp.br/semead/8semead/resultado/trabalhosPDF/399.pdf>  Acesso em Outubro de 2008.

LEAL, Wilson L.M. Apostila Gestão da Inovação. IETEC: Setembro / 2008.

POLIGNANO, Luiz Castanheira. Apostila Gestão da Inovação. IETEC: Setembro / 2008.

MARQUES, Davi; RICCI, Fábio; MOLINA, Vera Lúcia Ignácio.  Intra-Empreendedorismno e Sua Relação com o Desenvolvimento Regional. Disponível em 
< http://www.inicepg.univap.br/INIC_2006/epg/06/EPG00000428_ok.pdf>  Acesso em Outubro de 2008.

SBRAGLIA, Roberto (Coordenador). Inovação: Como vencer esse desafio empresarial. São Paulo, Clio Editora, 2006.

PALADINO, Gina. Artigo EMPREENDORISMO DENTRO DA EMPRESA, 22/09/2006. Disponível em <http://www.indicadoresjoinville.com.br/conteudo_1.asp?idmenu=127&idconteudo=594> Acesso em Outubro de 2008.

SCHUMPETER, Joseph Alois. A Teoria do Desenvolvimento Econômico : uma
investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Abril
Cultural, 1982.

PINCHOT, G.; PINCHOT, E. S. Intra-Corporate Entrepreneurship Fall, 1978

ROBERTO, Duailibi, JR., Harry Simonsen. Criatividade e Marketing. McGraw-Hill: 1990.
 

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo