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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Custo, energia e qualidade são as principais preocupações

Gazeta Mercantil - 04/02/09

Custo, energia e qualidade são as principais preocupação dos gestores de indústrias. É o que indica a 6ª Pesquisa Anual de Produtividade realizada pela consultoria de gestão de processos TBM Consulting. O estudo foi realizado com cerca de 1,4 mil executivos de alta e média gerência de empresas de médio e grande porte em seis países: Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, México e Reino Unido. "Mais da metade (53%) dos entrevistados classificaram as pressões de custos como o maior obstáculo ao sucesso empresarial para o ano que vem", afirma Carlos Louzada, diretor-superintendente da TBM Consulting para a América Latina.

Realizado no terceiro trimestre de 2008, o levantamento concluiu que o nível de ansiedade dos fabricantes em relação ao aumento dos custos da energia mais do que dobrou em relação a 2007, chegando a 33%, o que gerou um compromisso ainda maior de eliminar o desperdício. "Essa é uma preocupação generalizada. Com a crise, as empresa precisam ficar vigilantes aos custos, pois isso será a diferença entre permanecer ou não no mercado", opina Louzada. Além da apreensão com os cursos e os gastos com energia, 11% dos executivos também estão preocupados em relação à qualidade da produção em suas empresas.

Produtividade e lucro

Além de álcool e açúcar, a Usina Coruripe produz também energia elétrica, com a queima do bagaço da cana-de-açúcar. Mais da metade (cerca de 60%) da eletricidade gerada pela empresa é vendida e o restante é usado internamente, na produção. Devido à crescente demanda energética dos últimos dois anos, a usina resolveu apostar no aumento da sua produtividade e instalou alguns conversores de frequência para que seus equipamentos gastassem menos energia. "Para processar cada tonelada de cana, gastávamos 16 quilowatts/hora. Conseguimos reduzir esse valor para 13 quilowatts/hora. Isso representou um ganho de 6% na nossa comercialização total de energia", comenta o gerente de energia da usina, Valdemar de Oliveira.

Para aliviar as pressões de custos e contornar o aumento dos preços da energia, 59% dos entrevistados afirmam que estão intensificando seus esforços para eliminar o desperdício. Com a iminência de uma recessão global, os fabricantes tem procurado maneiras criativas de colocar suas empresas em uma posição financeira que lhes permita suportar com sucesso essa tempestade econômica.

A adoção de metodologias e práticas para a melhoria de processos, no entanto, não tão é simples. A resistência às mudanças, com cerca de 35%, é apontada como a maior barreira ao aumento da produtividade, seguida pela falta de liderança (15%) e pela falta de treinamento dos funcionários (11%).

De acordo com Louzada, as empresas devem ficar atentas a esse dado. "A mudança cultural precisa dar sustentação às iniciativas de redução de custos ou de melhoria de qualidade. De acordo com uma pesquisa recente, as empresas usam programas de melhoria, mas estão insatisfeitas com os resultados obtidos. Elas estão preocupadas com as ferramentas, mas se esquecem das mudanças culturais" observa.

Para o consultor, a responsabilidade pela mudança cultural está na mão das lideranças empresariais. "O processo começa pelo primeiro homem da empresa. Não pode ser delegado para o escalão operacional. O executivo precisa dar o exemplo e ser o condutor da transformação", diz Louzada. Ele sustenta que a resistência à inovação é proporcional à inadequação da comunicação sobre a mudança. "Qualquer mudança causa ansiedade. Por isso, é preciso deixar claro que ela está atrelada à sobrevivência da empresa", orienta.

Empresa próxima ao cliente

O estudo também revela que os executivos estão preocupados em manter a participação no mercado e a vantagem competitiva de suas empresas durante o atual cenário de crise. Para isso, têm adotado algumas medidas, como a melhoria da qualidade (46%), a redução do tempo de produção (45%) e o aumento do número de canais para manter um contato melhor com os clientes (38%). Sobre este último item, Louzada é enfático e diz que as companhias devem ousar na hora de conhecer seus consumidores. "É preciso usar ferramentas específicas e inovadoras para conhecer a necessidade dos clientes. Isso dá à empresa a chance de desenvolver novos produtos que até criar necessidades nos consumidores".

Mais de um quarto (27%) dos fabricantes consultados afirmaram que as maiores oportunidades de desenvolver a produtividade estão na melhoria da cadeia de valor. Outras áreas vistas como promissoras são os programas de melhoria de negócios (25%), o desenvolvimento e a inovação de produtos (18%) e a expansão do mercado (16%).

Crise e oportunidade

Apesar da atual instabilidade econômica, 72% dos fabricantes afirmaram que conseguiram ganhos de produtividade em 2008 e identificaram a melhoria contínua como principal fonte de aumento de produtividade. No Brasil, 69% dos participantes chegaram a tal resultado.

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