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:: Editorial

Um pacto pela empregabilidade

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina.

Vivemos hoje a era da economia do conhecimento, onde produzir mais com menos significa também empregar mais conhecimento nos atuais métodos de produção


No atual cenário econômico, empresas precisam de pessoas que façam mais com menos. Organizações precisam ser mais competitivas, precisam produzir mais produtos e serviços com menos recursos humanos, matéria prima, energia, tempo, etc. No entanto, devemos preservar os recursos humanos, os empregos. Mas, para que isso aconteça, é necessário que outros recursos sejam potencializados, e para que isto aconteça, investimento em capacitação profissional precisa ser viabilizado. Este seria o objetivo do Pacto pela Empregabilidade.

Vivemos hoje a era da economia do conhecimento, onde produzir mais com menos significa também empregar mais conhecimento nos atuais métodos de produção. Para que isto de fato ocorra,  é preciso que empresas disponham de profissionais atualizados, por meio de treinamentos permanentemente.

Flexibilização das empresas, dos profissionais e das leis trabalhistas. O importante neste momento é a manutenção dos empregos conquistados até agora e, se possível, a geração de novos postos de trabalho.

O pacto pela empregabilidade serve não só para a preservação dos empregos, mas também das empresas. A redução da jornada de trabalho poderia ser negociada. Mas não apenas isto. A redução da jornada de trabalho precisa vir acompanhada por programas de treinamentos para que os profissionais sejam mais eficientes. Se forem mais eficientes, estes possuirão maior empregabilidade.

Os sindicatos poderiam negociar aumento salarial por horas de estudo. Cada atividade econômica, cada empresa tem suas particularidade e cada uma poderia ter na legislação a flexibilidade necessária para equacionar seus problemas. Flexibilidade também por parte dos profissionais que, ao abrir mão de benefícios importantes alcançados ao longo de anos, terão preservados o mais importante benefício: a manutenção dos empregos.

Estes profissionais precisam ser mais produtivos. Educação e treinamento são meios para este fim. Se estes não forem pró-ativos, se não saírem da zona de conforto, se não tiverem atitude para aplicarem os novos conhecimentos no dia a dia das empresas, de nada adiantarão estes investimentos.

Segundo pesquisa “O Retrato do Treinamento no Brasil 2007 e 2008”, realizada pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), o número médio de horas anuais de treinamento por funcionário no Brasil foi de 37,5 horas. Em termos internacionais, este valor é de 30 horas anuais.

È importante frisar que a taxa de escolaridade do trabalhador brasileiro é de 6,7 anos, metade do trabalhador dos países desenvolvidos. No Brasil , 75% dos colaboradores participaram de programas de T&D, e o investimento médio anual de T&D per capta foi de R$1.527,00.

O investimento anual médio de T&D por treinando foi o equivalente a 3,3% da folha de pagamento, que está acima da média mundial, que foi de 2,6% para EUA, 2,5% para Europa, 3,7% para a Ásia e 2,5% para a América Latina.

Os profissionais precisam agregar valor para si e para sua empresa. É necessário um processo contínuo de mudança comportamental. Que estes empregados não sejam desestimulados por outros retrógrados, apegados aos métodos antigos de produção e gestão.

Este pacto é válido não só para empresas que estão em dificuldade financeira, mas para todas as empresas que queiram se manter competitivas. Empresas competitivas são feitas de pessoas competitivas.

Do ponto de vista do empregado, deveria ser uma constante, ou um imperativo, os programas de educação continuada que deverão ter caráter permanente, e não apenas quando o risco do desemprego existir.
Um pacto dessa magnitude deve ter condições muito bem definidas, principalmente com relação ao tempo dessa transitoriedade.

Governos federal, estadual e municipal também seriam convocados a discutirem junto com as empresas e empregados os investimentos em educação continuada profissional, acompanhados de uma política de redução (ou eliminação) de inúmeros encargos sociais, tributos e taxas que incidem diretamente na folha de pagamento das empresas.

Inovação e criatividade pela empregabilidade. Estas deveriam ser as palavras de ordem de um país que sabe que a educação é o mais importante pré-requisito para o desenvolvimento sustentável da nação.

 

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