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:: Meio Ambiente

Empregos verdes estão prontos pra ajudar

Orlando Lima

Consultor em Gestão e Sustentabilidade e Ex-Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Vale

Revista Plurale - Jan. 2009

A cada dia temos mais evidências de que crise está diante de nós, não há como negar. Mas no Brasil temos recursos que podem ser mobilizados com o potencial de realmente “transformar esse limão numa verdadeira limonada”. Uma delas é aproveitar a capacidade da mão de obra produtiva liberada pelas empresas, devido à redução momentânea da produção e dos investimentos, e realizar projetos que promovam o desenvolvimento sustentável.
 
Alguns setores têm sofrido mais fortemente com a crise como é o caso das commodities minerais, pois estão diretamente ligados à grandes cadeias produtivas globais que tem sido afetadas. Outros recebem o impacto direto da redução significativa de preços no mercado internacional, como o petróleo, cujo preço do barril veio de US$ 140 para menos de US$ 40 em poucos meses, numa redução de mais de 70%. Os setores extrativos minerais normalmente lideram grandes volumes de investimentos produtivos no país que, entre outros fatores, ativam fortemente as economias de municípios e estados produtores, incluindo o pagamento de royalties e participações.

Conforme tem sido amplamente divulgado pela mídia, nesse período, todos os atores que interagem com essas cadeias produtivas tem sofrido os impactos da crise. As empresas enfrentam quedas de receitas, fornecedores tem seus contratos reduzidos, empregados vivem a incerteza sobre a manutenção de seus empregos e municípios e estados sentem a queda da arrecadação de tributos com impactos diretos sobre seus orçamentos, potencializando um cenário de grave crise social nessas regiões.
 
Nesse contexto, saídas precisam ser encontradas que gerem ganhos equilibrados para as partes envolvidas na atividade produtiva. Uma dessas saídas pode ser o desenvolvimento de um “Mutirão Ambiental” que gere empregos nas regiões com as maiores quedas na atividade econômica ao mesmo tempo em que restauram ativos ambientais críticos dessas regiões e reativam a economia local. Trata-se da oportunidade para um programa de aceleração da sustentabilidade dos territórios e geração de “empregos verdes” durante essa “brecha” de tempo gerado pela crise, quando a atividade produtiva é menos intensa.
 
Inúmeras são as possibilidades através de projetos de revegetação de áreas desmatadas, recuperação de unidades de conservação, instalação de viveiros de mudas nativas para os projetos, recuperação de matas ciliares em torno de cursos d´água e até mesmo revitalização de hortos florestais fortalecendo o potencial turístico dessas regiões. Iniciativas desse tipo envolveriam a prévia capacitação das pessoas para sua execução, o que representaria um conhecimento crítico para a sua empregabilidade no futuro. Além disso, o planeta também “agradece” pois um programa dessa natureza certamente geraria uma contribuição positiva na questão do aquecimento global.
 
Esse programa poderia ser posto em prática através de uma autêntica cooperação público-privada. As empresas forneceriam a sua mão de obra temporariamente liberada da produção, além de tecnologia e gestão, e por seu lado, os poderes públicos agilizariam procedimentos e viabilizariam recursos de compensações ambientais estaduais e federais geradas pelos próprios empreendimentos minerais para financiar os custos do programa.
 
Com isso, durante o período mais crítico da crise, os empregados manteriam seus empregos e seriam capacitados para a nova economia verde. As empresas manteriam sua força de trabalho capacitada para quando a produção for retomada, antecipariam a restauração ambiental em áreas no entorno de seus empreendimentos e promoveriam a educação ambiental e a resiliência nas comunidades vizinhas. Os municípios teriam suas economias reativadas com a manutenção da massa salarial e arrecadação de tributos, recuperariam o ambiente e introduziriam instrumentos para diversificação econômica em seu território. Adicionalmente, o sucesso de um programa dessa ordem geraria ganhos de imagem para todos os envolvidos e para o País, que daria o exemplo de posicionamento indicando caminhos para a sustentabilidade.
 
Essa iniciativa é plenamente factível se as partes envolvidas estiverem dispostas a cooperar, priorizar a implementação de soluções para superação da crise e repartir os custos de sua execução. Mas diante da escalada do problema, a implantação de soluções inovadoras não pode esperar, e os “empregos verdes” estão prontos para ajudar.

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