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:: Editorial

Yes, Mr. Obama, nós podemos

Ronaldo Gusmão

Diretor Executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

“Yes we can it”, este foi o lema da campanha do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. Será que o povo americano quer realmente mudar ou ele quer voltar ao consumismo de sempre? Conseguirá o novo líder guiar seu povo para uma verdadeira mudança? Os EUA têm 4,6% da população do mundo. São responsáveis por 36% das emissões de gases do efeito estufa e os maiores poluidores per capta do mundo. Cada americano despeja na atmosfera 36 toneladas de CO2 por ano.

Na proposta do Tratado de Kyoto, rejeitado pelos presidentes Clinton (democrata) e Bush (republicano), os EUA deveriam cortar 7% de suas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990 até 2012. Mas o governo Bush ignorou o que os cientistas do mundo inteiro afirmam: a mudança climática é causada pela ação do homem no meio ambiente, principalmente do homem norte-americano.

Em sua campanha, Mr. Obama prometeu: Reduzir as emissões ao nível de 1990 até 2020, e 80% abaixo do nível de 1990 até 2050, através de um sistema de quotas e mercado de carbono. Investir US$150 bilhões de dólares nos próximos 10 anos para desenvolver fontes de energia limpas, protegendo a base de manufatura existente e criando 5 milhões de novos empregos. Melhorar a eficiência energética para reduzir em 50% a intensidade energética da economia até 2030. Reduzir a dependência ao petróleo do exterior e o consumo global de petróleo em pelo menos 35% ou 10 milhões de barris até 2030. Tornar os EUA líder no combate às alterações do clima tomando a liderança de uma aliança internacional contra o aquecimento global.

Quem vai pagar a conta? O mundo novamente. Os EUA têm hoje um déficit imenso e a conta está sendo paga pela China, Japão, países exportadores de petróleo, Reino Unido e, pasmem, Brasil que tem mais de US$ 133 bilhões de dólares investidos em letras do tesouro americano. A crise faz bem ao planeta, afirmou o conselheiro da ONU, Ignacy Sachs. Do ponto de vista ambiental, faz. Mas do ponto de vista econômico e social não precisamos nem falar. Estamos insustentáveis.

Já o holandês Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do clima da ONU, disse: “com Obama eleito, minha esperança é que os EUA possam assumir um papel de liderança”. É justamente ai que mora o perigo. Estamos pedindo mais uma vez que os EUA assumam a liderança neste novo cenário internacional. A humanidade deve aprender que não teremos nenhum salvador, nem mesmo o presidente dos EUA. Somos nós mesmos que temos que nos salvar.

É neste momento de crise financeira que devemos propor um novo modelo de mundo socialmente mais justo, economicamente viável e ambientalmente correto. Isto é sustentável. Sabemos que o modelo dos EUA é insustentável. Se todo o mundo tivesse o estilo de vida norte-americano, precisaríamos de mais três planetas iguais ao nosso. Já consumimos 30% acima da capacidade de regeneração da Terra.

O Brasil e a América Latina têm uma oportunidade ímpar neste momento. Temos a matriz energética mais renovável do mundo, 49%. Precisamos desenvolver novas tecnologias, qualificar os profissionais e resolver a questão amazônica. 75% das emissões de gazes de efeito estufa do Brasil são provenientes das queimadas.

Empresas brasileiras devem se preparar para uma produção sem emissão de carbono. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, MDL, que é a compra do direito de poluir de uma empresa por outra, não está funcionando a contento. Não podemos, a exemplo da crise financeira, deixar que o mercado resolva sozinho essa questão tão complexa e importante para a humanidade. Com certeza o carbono será taxado.

Yes, Mr. Obama, nós podemos e devemos cobrar de seu governo e do povo americano que parem com este consumismo insustentável. Temos de repensar nosso estilo de vida, de produção e consumo. Encarar que já estamos enfrentando dois desafios: as mudanças climáticas e a redução do mercado de trabalho. Precisamos propor e fazer novas escolhas.

O maior país do mundo já fez sua escolha. Seu presidente eleito já propôs um plano mínimo para as questões de energia e mudança climática. E o Brasil, vamos também esperar pela liderança dos EUA ou vamos planejar e agir?

Yes, Mr. Obama e Sr. Lula, nós podemos ser donos de nosso destino e criar neste momento novas oportunidades para a humanidade. O desenvolvimento sustentável, que ainda não temos, não é um fim em si, mas um meio para a construção de uma sociedade solidária.

“Barack Obama´s plan to make America a global leader energy”, é a proposta do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o Meio Ambiente. Download do documento disponível em:  www.techoje.com.br/obama

 

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