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Gestão de pessoas em tempos de crise

Cícero Domingos Penha

Vice-Presidente de Talentos Humanos do Grupo Algar e autor do livro "Atitude é Querer".

Toda crise, não importa a natureza, quase sempre é mais humana que material,  mais psicológica que real porque nasce, de alguma forma, do confronto dos valores humanos. Se há algum tipo de crise, em algum lugar, o ser humano falhou.

Então, não há como separar dela o homem e suas contradições. Quando uma crise chega numa organização, antes de fazer estragos nos balanços, afeta, primeiramente, os seus talentos podendo ter desfecho trágico.

Poucos têm a real dimensão de como ela  abala a estrutura psicológica e como o  medo que traz paralisa a inteligência das pessoas. Estudiosos da mente sempre alertam para os efeitos perversos do pânico, da depressão, da apatia e da corrente da má notícia.

Os consultórios psiquiátricos e psicológicos vivem abarrotados de gente, incluindo trabalhadores e  empresários  que buscam  na terapia e nos psicotrópicos a segurança que o ambiente de negócios e o do trabalho não estão lhes proporcionando.

O empregador não dorme mais pensando na ameaça aos lucros, e o  empregado tem pesadelos com o fantasma do desemprego. O empresário teme a falência; e o trabalhador, a ameaça do facão. Os dois sabem da dependência um do outro para dar resultados, mas num momento  em que só se fala em crise, o medo e o suspense falam mais altos. É um clima digno de um filme de Alfred Hitchcock.

No desespero empresarial, a ordem é cortar custos,e a primeira conta é a folha de pagamento. Entretanto, sem gente motivada não há criatividade, não há encantamento de clientes, não há argumento de vendas, e o negócio pode morrer de inanição. Abrir mão de bons talentos é burrice porque, além dos custos financeiros e emocionais, pode comprometer o futuro quando a crise passar.

Uma boa capacidade de gerir pessoas é o ponto chave neste momento. Começa pelas lideranças. O presidente da empresa em vez de fazer ameaças deve demonstrar que é destemido, mesmo que as escondidas esteja acendendo velas para o santo. Chefe "bumbum-mole" deve ser despachado para a concorrência; e os pessimistas de plantão, inscritos numa imersão espiritual.

Às  lideranças gerenciais compete, prioritariamente, monitorar o clima organizacional agindo para criar positividade, que começa com os dirigentes sendo transparentes e  não economizando na comunicação.

É importante conversar com as pessoas mostrando a realidade, dando direcionamento, desafiando a criatividade, pedindo adesão e destacando os pontos fortes que a organização tem para enfrentar a tempestade. Nada de ficar aos berros ou bancando os "nervosinhos". Pessoas amedrontadas, sabidamente, não produzem.

Demissões devem ser o último recurso e não o primeiro. Antes, é preciso verificar que processos e excessos podem ser eliminados. Ao cortar despesas não se deve confundir austeridade com mesquinharia. Na agenda deve estar o desafio de como motivar as pessoas para transformar a empresa  numa organização mais ágil, com maior qualidade e imbatível na oferta dos seus produtos.

É momento de ter cuidado no trato com as emoções para não ter uma empresa cheia de gente doente. É importante usar as emoções de forma inteligente aproveitando os efeitos positivos da  intuição, da empatia, da compaixão e outros sentimentos.

Mais do que nunca, é tempo de empregados e empregadores darem as mãos e usar a força dos vários tipos de inteligência de que são dotados. Se, depois de todo esse esforço, nada disso valer, podem assentar e chorar. Mas, só por alguns instantes.

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