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Riscos

Análise Qualitativa de Riscos e as Bases de Conhecimento

Fabrício Scalioni

Graduado em Ciência da Computação. Pós-Graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec

Considerando que a Gestão de Riscos é um pilar da Gerência de Projetos em que deve ser dedicado tempo de planejamento e focada atenção, visto que a volatilidade característica do mundo moderno imprime uma retórica sensível e imprevisível dos acontecimentos, este artigo técnico objetiva-se por ambientar o cenário atual de Gestão de Projetos focando a Análise Qualitativa dos Riscos. Em seu tocante será proposta a utilização de Bases de Conhecimentos para melhor mitigação destes riscos quando da realização deste tipo de análise baseada em documentação de experiências passadas.


Palavras-chave: Riscos, Análise Qualitativa e Bases de Conhecimento.

I – Introdução


O cenário mercadológico atual está se caracterizando por apresentar alta competitividade, alta concorrência e alta vulnerabilidade a fatores internos e externos. Há uma corrida incessante para que tais fatores acima citados impactem ao mínimo os projetos nas organizações. Estas passam, então, a ter que procurarem visões diferenciais acerca dos projetos para que consigam vislumbrar e traçar estratégias para alcançarem os objetivos pretendidos. Assim sendo, há uma necessidade crescente em conseguir “antecipar o futuro” do que tange ao gerenciamento dos riscos.

Uma “refinada” definição de risco está descrita no PMBOK (2004, p8): “Um risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, terá um efeito positivo ou negativo em pelo menos um objetivo do projeto.” Riscos negativos são riscos que podem representar ameaças ao projeto. Em contrapartida, riscos positivos podem representar oportunidades no projeto.

A Identificação da  importância em mitigar os riscos em projetos acarretou na necessidade de processá-los administrativamente. Sendo assim, Gerenciamento de Riscos em Projetos emerge com uma competência notória dentre as competências inerentes ao Gerenciamento de Projetos e, a sua integração com as demais, se tornou algo inteligível, aplicável e de suma importância quando gerenciamos projetos.

O processo de gerenciamento de riscos é composto, basicamente, de 6 pilares: planejamento da gestão, identificação, análise qualitativa, análise quantitativa, planejamento das respostas, monitoramento e controle dos riscos.

Há como não se preocupar com os riscos? Como qualificá-los? Como priorizá-los? Como propiciar com que as organizações adornem sua cultura de sedimentos que as possibilitem preverem melhor o futuro baseado em aprendizados passados? Como possibilitar que o aprendizado não se dilua com o tempo?

Este artigo objetiva-se por elucidar a importância de gerenciar riscos e se propõe a instigar as organizações a qualificar os riscos e classificá-los / priorizá-los através da Análise Qualitativa dos Riscos utilizando uma valiosa ferramenta que se fomentada objetivamente, propiciará realizar previsão cada vez mais verossímeis sobre o futuro: as bases de conhecimento.

Para realização deste feito a metodologia a ser utilizada será a pesquisa teórica / bibliográfica adornada de conhecimentos adquiridos no que tange ao tratamento e armazenamento de dados pelo autor.


II – Análise Qualitativa dos Riscos e as Bases de Conhecimento


Como já foi anunciado anteriormente, este artigo terá como base a definição do conceito de Análise Qualitativa de Riscos, sua aplicabilidade no contexto maior que o insere (Gestão de Riscos) e a proposição de método de armazenar conhecimento adquirido em estruturas que permita conhecer melhor o futuro através de padrões identificados no passado.

Segue definição de Análise Qualitativa: (DINIZ, 2004) “... é o processo que consiste em se analisar a PROBABILIDADE e o IMPACTO de cada um dos riscos identificados, nos objetivos do Projeto”. Vale destacar que os principais objetivos de um projeto é atender à tríplice restrição: Escopo, Prazo e Custo imprimindo Qualidade. Caso a organização opte em analisar qualitativamente os riscos, esta análise deverá ser realizada tão logo sejam identificados os riscos do projeto.

O principal objetivo da Análise Qualitativa é possibilitar classificar todos os riscos do projeto mediante levantamento de probabilidade de ocorrência e impacto destes riscos, de forma a viabilizar a priorização individualizada ou de grupos afins destes em função dos objetivos do projeto. Este priorização permite que a organização que está desenvolvendo um projeto dê foco nos riscos prioritários objetivando aumentar as chances de atendimento aos objetivos deste projeto (tríplice restrição)

Para que esta classificação dos riscos seja possível sob a ótica da Análise Qualitativa, é necessária a elaboração de uma matriz de Probabilidade versus Impacto. Esta matriz deverá ser elaborada de acordo sob a característica de cada projeto ou da cultura da organização. Abaixo seguem ilustrações de algumas possíveis matrizes:
Uma Matriz Probabilidade versus Impacto pode ser expressa em números ou de forma descritiva.

Matrix de Probabilidade versus Impacto, levando em consideração tanto ameaças (riscos negativos) quanto oportunidades (riscos positivos), exposta em números.

 

Uma abordagem sobre a matriz acima indica que os riscos que, se ocorrerem,  impactarão negativamente os objetivos (ameaças) e que se encontram na zona vermelha (alto risco) da matriz, provavelmente exigirão ações prioritárias e estratégias agressivas de resposta. As ameaças na zona verde (baixo risco) podem não exigir nenhuma ação pró-ativa de gerenciamento, além da sua colocação em uma lista de observação ou da sua adição a uma reserva para contingências.

Outro exemplo deste tipo de matriz (vide figura 2) aponta para um tipo de classificação mais simples, mas não menos eficiente, onde, uma vez mensurados o impacto e a probabilidade avalia-se o grau risco “mergulhando” a medida apurada quando da submissão do risco à matriz em gráfico (vide figura 3) para nivelamento dos riscos de modo a elencar a ordem de priorização.

O preenchimento da Matrix de Probabilidade VS. Impacto para realização de análise qualitativa exige que os dados utilizados para classificá-los sejam os mais confiáveis possíveis, portanto, estes dados devem ser avaliados antes de utilizá-los na classificação dos riscos. Daí a importância destes dados serem íntegros e os mais realistas (exatos) possíveis.

Estes dados são, em suma, “retirados” de experiências adquiridas em projetos passados e ou presentes na “cachola” dos gerentes de projetos presentes nas organizações, sendo estas obrigadas a registrá-los de alguma forma possibilitando, assim, utilização futura.
Até este ponto do artigo já foram respondidas questões que remetem à importância dos riscos, como qualificá-los e como priorizá-los. Ainda restam dois questionamentos não respondidos: Como propiciar com que as organizações adornem sua cultura de sedimentos que as possibilitem preverem melhor o futuro baseado em aprendizados passados e como possibilitar que o aprendizado não se dilua com o tempo.

Entra então em voga a tecnologia intitulada “Bases de Conhecimento”.Uma Base de Conhecimento é uma estrutura de armazenagem de dados com um propósito definido no qual, o modo como os dados são armazenados, propiciam com que quem as consulte consiga receber como retorno informações precisas sobre o item pesquisado.

É sabido atualmente que um dado por si só não agrega valores. Há a necessidade de trabalhar o dado de modo a transformá-lo em informação utilizável. Em seguida, passou-se a perceber, também, que a informação desnorteada pode vir a ser somente uma mera informação, o que continuava não acarretando na agregação de valores.

A interconexão semântica dos dados converge para a utilização de uma tecnologia que propicie a modelagem e exposição da informação de modo a direcioná-la para a tomada de decisões gerencias. Uma Base de Conhecimento consegue agregar valor a uma informação e indexá-la de modo que qualquer um consiga consultá-la a qualquer momento. Para que isso seja possível existe a necessidade de estudo prévio sobre o negócio / propósito da organização de modo a estruturar a Base de Conhecimento levando em consideração o âmbito organizacional. Isto é um pré-requisito fundamental para que um projeto de montagem de uma base de dados desta natureza seja bem sucedido.

Após estruturação e implantação de uma Base de Conhecimento cabe agora aos interessados, armazenar as informações legadas relacionadas a todos os projetos passados. Assim sendo, quando consultada para projetos futuros as informações retornadas por esta, dada uma situação (item) de pesquisa, servirão de forte balizador para “INPUT” na hora de qualificar os riscos e consequentemente priorizá-los.

Após todo encerramento de projetos, a Base de Conhecimento deverá ser alimentada com as lições neste aprendidas. Mantendo-a atualizada constantemente as informações não se perderão com as idas e vindas de pessoas nas organizações e poderão ser confiavelmente utilizadas para projetos futuros. Os dados e informações não mais se perderão e a cultura das organizações estará provida de um pilar (base de conhecimento) que certamente as amparará no futuro.


III – Conclusão

O gerenciamento dos riscos em projetos é de vital importância para o sucesso destes uma vez que a natureza de constante mutação do mercado impacta diretamente as organizações. Como conseqüência disto, há a recorrente variação de probabilidade e impacto destes riscos.

Objetivando acompanhar as tendências e mudanças mercadológicas, as empresas de forma geral estão em processo contínuo de identificação, priorização e execução de uma série de iniciativas para melhorias nos negócios.

Intrisecamente, projetos são “seres” recheados de incertezas e, em todas as suas dimensões, os gerentes de projeto devem estar aptos a lidarem com elas. Para que as organizações consigam se munir de informações realísticas e lapidadas que propiciarão uma abordagem mais efetiva para análise dos riscos e elaboração de estratégia para respondê-los, e que possibilite também tomada de decisões mais certeiras e efetivas, é eminentemente necessário que as informações destas estejam direcionadas para tal finalidade. Com a implantação de uma Base de Conhecimentos bem estruturada nestas organizações, estas certamente estarão adornadas de informações de alta qualidade e dinamismo que culminarão em cumprir o objetivo que se propõe a oferecer.


IV – Referências Bibliográficas

DINIZ, Lúcio J. Análise de Riscos em Projetos: Uma Abordagem Qualitativa ou Quantitativa? Disponível em: < http://www.pmimg.org.br/downloads/GestaoRiscosProjetos_LucioDiniz_31082004.pdf >. Acesso em: 14 jan. 2009.

FIGUEIREDO, Francisco C. Análise Qualitativa de Riscos. Disponível em: < http://www.scribd.com/doc/7016691/3-Analise-Qualitativa-de-Riscos-15-JUn-07 >. Acesso em: 14 jan. 2009.

SOTILE, Mauro A. Dicas de Certificação PMP: Análise Qualitativa de Riscos. Disponível em: < http://www.pmtech.com.br/PMP/Qualitativa.pdf >. Acesso em: 14 jan. 2009.

LOSS, Leandro. Dicas de Certificação PMP: Análise Qualitativa de Riscos. Disponível em: < http://www.pmtech.com.br/PMP/Qualitativa.pdf >. Acesso em: 14 jan. 2009.

PMBOK. Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos. 3. ed. Four Campus Boulevard, Newtown Square PA: Project Management Institute, 2004.

TECH NET, Microsoft. Dicas de Certificação PMP: Análise Qualitativa de Riscos. Disponível em: < http://technet.microsoft.com/pt-br/library/cc718962.aspx >. Acesso em: 14 jan. 2009.

 

 

 


 

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