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:: Editorial

350!

Ronaldo Gusmão

Diretor-executivo do Ietec e coordenador da Ecolatina – Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social

Mais do que um simples número, 350 é um alerta ao mundo. Especialistas afirmam ser este o limite de segurança para o planeta Terra. 350 é o limite de concentração de carbono na atmosfera (350 ppm - partes por milhão). Isto significa que a  atmosfera suporta até 350 moléculas de carbono por milhão de moléculas de outros gases. O problema está justamente na adequação a este número. Hoje chegamos a preocupantes 387 ppm. No período pré-industrial, eram 278 ppm.

O Dia Internacional da Ação Climática, que será lembrado no dia 24 de outubro deste ano, será uma grande mobilização mundial para alertar o mundo sobre a gravidade da nossa situação. Será também uma oportunidade para preparar a opinião pública sobre a reunião da ONU, que acontecerá em dezembro de 2009, na cidade de Copenhague, na Dinamarca. Na ocasião, serão debatidas e deliberadas as novas regras pós-Kioto, que trata da redução das emissões dos gases de efeito estufa no mundo.

“Nossa missão é inspirar o mundo a vencer o desafio da crise climática e criar um novo senso de urgência e de possibilidades para o nosso planeta” diz o site oficial do movimento 350.org. No Brasil, 75% das emissões são de CO2, causado principalmente pelos desmatamentos e queimadas.

De acordo com o estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon, 50% das emissões de gases efeito estufa no Brasil são provocados pelo gado. O desmatamento na Amazônia entre agosto de 2007 e julho de 2008, de acordo com o Ibama, foi de 11.986 km2.

As causas. As mudanças climáticas são resultado do aumento das emissões dos gases de efeito estufa na atmosfera. Estes gases são o Dióxido de Carbono(CO2), responsável por 60% do total das emissões e ocasionado pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), desmatamento e queimadas. Permanece na atmosfera por cem anos.

O Metano(CH4) surge da decomposição de dejetos nos lixões e aterros, da digestão de animais ruminantes, do gás natural e produção de carvão. O metano é 21 vezes mais potente que o CO2 e permanece na atmosfera por 13 anos.

O Oxido Nitroso (N2O) é provocado pelo uso de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis e biomassa. Tem baixa concentração na atmosfera, porém, é 270 vezes mais potente que o CO2 e permanece na atmosfera por 150 anos.

Resultado. As conseqüências das mudanças climáticas são: maior ocorrência de furacões, ondas de calor, enchentes, secas, desertificação, incêndios florestais, escassez de água potável e de alimentos, aumento de vetores de diversas doenças infecto-contagiosas, como a malária e dengue.

Prevenção. As medidas para combater as mudanças climáticas são: adaptação (ações que possam reduzir ou eliminar o potencial de destruição, princípio da precaução), mitigação (intervenção humana para redução de emissões dos gases de efeito estufa, produção de informação científica para apoio na criação de leis, regulamentos e incentivo, educação para a conscientização da população e mobilização da sociedade) e consumo responsável (o cidadão faz a sua parte mudando  hábitos de consumo, os maiores obstáculos são institucionais e comportamentais).

Paradoxo. Sabemos que estamos fazendo mal ao planeta, mas como isso “não” afeta em quase nada nossa vida agora, então, não fazemos nada para mudar (Inação). Quando as mudanças climáticas afetarem nossas vidas não haverá nada a fazer.
 
Isto nos faz lembrar do que acontece com o sapo quando o anfíbio é colocado em um recipiente com a mesma água de sua lagoa. O sapo ficará estático mesmo quando a água é aquecida, chegando a ponto de ferver. O sapo não reage.

Para evitarmos ter o comportamento semelhante ao do sapo, necessitamos de informação. Temos que exigir que a produção reduza seus níveis de CO2. Por isto, a informação é necessária para sensibilizar e mobilizar a população para ações concretas e possíveis. Entre elas, as mudanças de hábitos e de comportamentos, em relação a alimentação, moradia, mobilidade, educação, lazer e esportes, etc.

Neste momento, precisamos produzir e disseminar a informação. Precisamos nos engajar em algo maior: defender a Nossa Casa, a casa de nossos antepassados, mas também a casa de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos.

Não seja um sapo. Reaja. Faça algo. Comece mudando diariamente um hábito diariamente e gradativamente, o seu  comportamento. Contribua com a redução do nível CO2 na atmosfera para 350ppm. Ação.
 

 

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