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:: Meio Ambiente

Desafios da sustentabilidade em um cenário de crise

Rodrigo Laro

Coordenador de pesquisa e avaliação de impacto social da John Snow Brasil

À medida que o conceito de sustentabilidade evolui entre as organizações e aumentam os investimentos sociais privados, a resposta à clássica pergunta “quanto a minha empresa ganha com isso?” parece se tornar mais complexa. Com os projetos sócio-ambientais sendo incorporados às estratégias de negócio, não é mais suficiente avaliar seus resultados apenas pelas boas intenções dos colaboradores e da própria empresa.

Da mesma forma com que se preocupa em avaliar o ciclo de vida de cada produto, as companhias precisam fazer o mesmo em relação aos seus projetos e programas sócio-ambientais, de modo a garantir o impacto social e o retorno institucional para suas marcas.

Por conta disso, a avaliação de impacto se tornou uma ferramenta fundamental por possibilitar a mensuração do retorno de cada real investido, não só para a imagem da empresa, mas para a sociedade. É possível, por exemplo, mostrar claramente ao investidor a valorização profissional de um jovem antes ou depois de passar por um programa de capacitação; mensurar em reais a variação de produtividade de um agricultor antes e depois da incorporação de novas práticas de manejo sócio-ambiental, ou o retorno econômico proporcionado por um funcionário com melhores hábitos nutricionais ou de atividade física.

Porém, para que a avaliação de impacto alcance este nível de exatidão, são necessárias duas mudanças por parte de empresários e gestores.

Em primeiro lugar, é necessária uma nova concepção sobre a avaliação de impacto sócio-ambiental. Mais do que apenas um mecanismo de controle das etapas dos projetos ou uma forma de verificação de metas de atendimento previstas, uma avaliação de impacto sócio-ambiental permite três níveis de análise:
1) custo-eficácia
 2) custo-benefício
3) eqüidade.

No primeiro nível, avalia-se a variação dos recursos financeiros, humanos e de infra-estrutura, cobertura e desempenho dos participantes. No segundo nível analisa-se o valor (em dinheiro) que o mercado quantifica para a mudança de comportamentos ou acesso a serviços sociais proporcionado pelo programa social. Já a eqüidade é medida pela capacidade do projeto mapear e atender os públicos realmente necessitados, reduzindo diferenças sociais.

Em segundo lugar, é necessário dispor de uma metodologia de avaliação capaz de oferecer índices e indicadores confiáveis em relação aos três níveis de análise citados, principalmente para programas de âmbito regional ou nacional. Esta metodologia também precisa ser flexível para abarcar diversos programas sócio-ambientais e garantir um bom potencial de assimilação para que os gestores das empresas as reproduzam com mínimo apoio externo.

Estes são os principais desafios dos gestores de projetos e programas sócio-ambientais para que as expectativas dos investidores. Diante de um cenário recessivo precisto para 2009, em que projetos e orçamentos estão sendo revistos, suspensos ou cortados, a adoção e implementação de um modelo de avaliação de impacto que atenda a critérios científicos vai se constituir no “fiel da balança” entre continuar ou não patrocinando projetos sociais privados no Brasil.
 

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