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Gestão de Projetos :: Geral

Antecipação de receita em empreendimentos da Transmissão

Bruno Barbosa de Almeida

Graduado em engenharia elétrica com ênfase em sistemas de energia pela Universidade Federal de Minas Gerais em dezembro de 2005. Engenheiro eletricista do setor de engenharia da expansão da transmissão da Cemig. Pós-Graduação em Gestão de Projetos com MBA Gestão Avançada em Projetos pelo Ietec.

Com o fim do monopólio das empresas estatais de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica o setor está bastante competitivo. Nos leilões da transmissão e da geração tem havido participação de várias empresas nacionais e internacionais sejam sozinhas ou em forma de consórcio. Com esta concorrência as empresas têm buscado formas de tornar o investimento mais barato, uma dessas maneiras é a conclusão e entrada em operação antes do início previsto pela ANEEL, ocorrendo antecipação de receita.

O presente artigo visa simular como seriam as alterações no VPL, Pay BACK e TIR para o caso de ocorrer antecipação de receita em empreendimentos de transmissão de energia elétrica.
 
 Palavras-Chave: Linha de Transmissão, Usina Hidrelétrica, Viabilidade Econômica.

Introdução

Com a nova regulamentação do setor elétrico o sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica deixaram de ser monopólios de empresas públicas. No que tange a distribuição a mudança foi mais tímida, uma vez que os pequenos consumidores continuam como consumidores cativos, assim somente os grandes consumidores tem a possibilidade de escolher a empresa fornecedora de energia elétrica. Já no caso do sistema de geração e transmissão com a nova regulamentação a implantação e operação de novas linhas dependem de concorrência pública da ANEEL.

Os leilões da transmissão e da geração são realizados na Bolsa de Valores de São Paulo e tem sido bastante concorridos com a participação de várias empresas do Brasil e do mundo. Nesse modelo ganha quem oferecer a menor RAP (Remuneração Anual Permitida) e fizer o empreendimento conforme especificações técnicas da ANEEL. Nos últimos anos as empresas têm oferecido RAP até 50% menor para implantar e operar os empreendimentos leiloados.

Os empreendimentos leiloados além de obedecer às especificações técnicas determinadas no edital, possuem prazos firmemente acertados e no caso de atraso na data de entrada em operação a ANEEL pode aplicar multas à empresa vencedora. Porém, existe a possibilidade de concluir o empreendimento num tempo menor, nesse caso a ANEEL começa a remunerar a empresa antes da data acertada, ocorrendo antecipação de receita.

A antecipação de receita é uma grande oportunidade para as empresas interessadas em um determinado lote conseguir oferecer uma RAP menor e ser a responsável deste empreendimento. Além disso, antecipando o fluxo de caixas positivos a rentabilidade do projeto para os investidores tende a aumentar.

Métodos de Análise de Investimentos

Os principais métodos para avaliação de projetos é o PAY-BACK, VPL e TIR. O Pay-back determina o tempo necessário para recuperar o investimento realizado no projeto. O calculo do Valor Presente Líquido (VPL) é dado pela seguinte equação:

Onde,

FCj= Fluxo de caixa no período j
I =  taxa de desconto
N = Vida útil da alternativa

Pela expressão acima se o VPL for maior que zero, aceita-se o projeto; se o VPL for menor que zero, rejeita-se o projeto. Se o VPL for maior que zero a empresa obterá um retorno maior do que seu custo de capital. Com isto, estaria aumentando o valor de mercado da empresa, e, consequentemente a riqueza dos seus proprietários.

A TIR é taxa interna de retorno e é definida como a taxa de desconto que anula o VPL.

Dos métodos acima, o mais indicado para análise de projetos é o VPL, pois este método consegue determinar hoje a requesta que o projeto irá gerar no término de sua vida considerando a taxa de atratividade dos investidores. Porém, o PAY-BACK e a TIR são amplamente utilizados no mercado e farão parte deste estudo.

Simulação

Vamos simular o fluxo de caixa do empreendimento de construção de 10 km de uma LT em 230kV. Considere os seguintes dados:

• Valor do investimento de R$30.000.000,00
• Tempo de construção de 24 meses;
• Clico de vida do projeto: 30 anos
• RAP: R$6.000.000,00;
• Taxa interna de retorno: 14% a.a.

Na primeira simulação, será considerada a execução do empreendimento conforme os dados acima, assim temos o seguinte fluxo de caixa.
 

Foi considerado o retorno anual de 5 milhões, pois esta sendo considerado o valor de 1 milhão de reais para despesas com manutenção e operação da LT. Ainda, conforme figura acima, foi considerado que o investimento foi realizado igualmente nos 2 anos.

Neste caso temos os seguintes resultados:

PAY-BACK = 6 anos;
VPL = R$2.371.326,00;
TIR = 15,19%

Agora vamos simular que a empresa vencedora tem interesse em antecipar receita em 4 meses. Não será considerado aumento no custo de implantação do empreendimento. Desta maneira tempos o seguinte fluxo de caixa:

Neste caso temos os seguintes resultados:
PAY-BACK = 6 anos;
VPL = R$3.464.896,00;
TIR = 15,77%

Neste caso houve um aumento de um pouco mais 1 milhão de reais e 0,5% na TIR.

Porém, dificilmente um empreendimento é concluído em um tempo menor com os mesmos custos e qualidade. Desta maneira vamos considerar a simulação abaixo onde foi considerado o investimento 5% maior, ou de 31,5 milhões de reais divididos igualmente ao longo dos 20 meses. Foi considerado também que a RAP é divida igualmente ao longo dos meses dos anos. Conforme exemplo anterior foi considerado gastos de 1 milhão de reais para manutenção e operação da LT. Segue o novo fluxo de caixa.

Neste caso temos os seguintes dados:

PAY-BACK = 6,3 anos
VPL = R$2.038.580,00
TIR = 15,00%

Verifica-se de acordo com a simulação acima, que não é interessante aumentar o custo do empreendimento em 5% para obter antecipação de receita, pois o PAY-BACK aumenta e o VPL e a TIR diminuem.

Conclusão

Apesar de as simulações acima serem bastante simplificadas, não levando em consideração financiamentos que podem ser obtidos, a curva de desembolso do projeto (curva S) e outras condições de mercado; pode-se concluir que a antecipação de receitas é uma alternativa válida na tentativa de maximizar os ganhos dos investidores desde que não imputa à aumentos significativos no custo de implantação do projeto. Assim, no objetivo de manter a qualidade necessária é preciso que sejam adotadas novas alternativas de engenharia com o objetivo de reduzir o tempo de implantação e o custo do empreendimento. Além de novas alternativas de engenharia é fundamental um bom planejamento baseado nas melhores práticas de gestão.

Referência Bibliográfica

o CAMPOS, B. Viabilidade Econômico-Financeira de Projetos. Apostila de Sala de Aula do Curso de Gestão de Projetos – Instituto de Educação Tecnológica, Belo Horizonte, 2007.
www.aneel.gov.br
 

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