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Mudanças Climáticas

CHA contra o aquecimento global

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social

Chá para aquecer a alma e harmonizar as relações humanas em prol do planeta. Ou seja:  Conhecimento, Habilidade e Atitude urgente contra o aquecimento global. Conhecimento que os cientistas estão tentando passar pra a humanidade há mais de 20 anos e, mais sistematicamente, após a publicação dos relatórios do IPCC/ONU. O último relatório mostra que um aumento de temperatura acima de 2ºC, em relação ao início da era industrial (13,7º C, era a temperatura média da terra), traria conseqüências terríveis em termo de saúde, segurança alimentar, habitação e meio ambiente de forma irreversível para as pessoas e o planeta.

Habilidade dos políticos e empresários para assumirem a busca por uma economia de baixo carbono. È questão de tempo para a sociedade brasileira expressar no voto a escolha de políticos comprometidos com a sustentabilidade de nossa sociedade e restringir a atuação de empresas sem comprometimento.

Atitude de todos: empresas, governos e cidadãos comprometidos com uma produção e consumo conscientes, atitude reais de mudança de padrões éticos. Recentemente, um grupo significativo de empresas, entre eles Vale, Votoratim, Grupo Pão de Açúcar, CBMM, Samarco e Única, resolveram assumir os seguintes compromissos perante a nação brasileira: publicar anualmente o inventário das emissões de gases de efeito estufa (GEE); incluir como orientação estratégica no processo decisório de investimentos a escolha de opções que promovam a redução das emissões de GEE nos nossos processos, produtos e serviços; buscar a redução contínua de emissões específicas de GEE e do balanço líquido de emissões de CO2; e atuar junto à cadeia de suprimentos, visando a redução de emissões de fornecedores e clientes.

Com esses compromissos assumidos, as empresas querem que o governo brasileiro assuma posição de liderança nas negociações em Copenhague, onde acontecerá, em dezembro de 2009, a reunião da  15ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudança do Clima. Mas para isso, o Brasil precisa assumir primeiro o cumprimento de metas de redução de emissões dos gases de efeito estufa.

Pelo poder de compra das empresas signatárias deste documento, agora é questão de tempo para que a maioria das outras empresas brasileiras leve em consideração a questão do aquecimento global como algo que diz respeito à sua produção.

Segundo o INPE, no Brasil foram desmatados somente no mês de julho de 2009 cerca de 834 Km2 da floresta amazônica. Para se ter uma noção deste estrago, imagine que você saiu de férias com sua família no dia 1º de julho da cidade de São Paulo para a cidade do Rio de Janeiro. Foram de carro para apreciar a floresta intacta às margens da rodovia. Voltaram 30 dias depois e não avistaram mais nenhuma árvore num raio de 1 km, tanto na margem direita quanto na esquerda.

Segundo o Imazon, o desmatamento ficou concentrado no oeste do Pará, pressionado pelo avanço da pecuária. Esse é o modelo de produção e consumo que tem que mudar. Não podemos mais permitir esse tipo de produção de carne, às custas do desmatamento da Amazônia.

As empresas brasileiras não têm outra saída se não o de adquirir conhecimento sobre o aquecimento global. Empresários precisam ter habilidade e atitude para liderarem suas empresas para uma produção de baixo carbono.

Para a elaboração de relatórios de emissões de GEE e para a redução das emissões nos processos produtivos será necessário muito conhecimento. Para a redução das emissões na cadeia de fornecedores, podemos dizer que isto será relativamente fácil por meio do poder de compra exercido pelas grandes empresas. Mas quando falamos da redução dos GEE pelos clientes, estamos falando do ciclo de vida dos produtos destas empresas. Como será o relatório de emissões da indústria automobilística? Este levará em conta as emissões no processo produtivo do automóvel e estimará suas emissões nos próximos 20 anos? Como será o da indústria de cimento, que hoje é responsável por 5% das emissões globais de GEE? E o da indústria siderúrgica que, para cada tonelada de aço produzido, é emitido duas toneladas de dióxido de carbono?

Conhecimento, Habilidade e Atitude. É isto que nós esperamos de nosso governo nas negociações em Copenhague.

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