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:: Educação

O papel da universidade brasileira

Cínthia Nascimento Coelho

Revista Ietec :: Outubro a Dezembro de 2009

Sustentabilidade, crise econômica mundial, mudanças climáticas, escassez da mão de obra, inovação. Estas são as palavras-chaves que compõe o vocabulário das mudanças pelo qual passa o mundo e que, inevitavelmente, impõe a cada um de nós a busca por um novo modelo de vida no planeta. Neste cenário, a educação tem peso de ouro e as universidades passam a assumir um papel fundamental no processo reflexivo da sociedade.

“Estamos vivendo uma crise que eu poderia chamar de crise civilizatória”, afirma o reitor da Universidade Federal de Viçosa – UFV, Luiz Cláudio Costa. Em 2008, Costa assumiu a reitoria da universidade ciente dos desafios que teria pela frente: desenvolver a visão de futuro da instituição que a permita pensar e refletir soluções para os dilemas que a humanidade enfrenta hoje.

“Este é um momento que nos pergunta qual será o nosso modelo de sociedade, para onde queremos caminhar, como vamos resolver a equação crescimento com desenvolvimento. A universidade precisa, efetivamente, com métodos e debates, jogar luz nisto”. Considerada uma das melhores universidades brasileiras pelo Ministério da Educação e Cultura, a Universidade Federal de Viçosa é hoje reconhecida pela sua excelência nas áreas de ciências agrárias e exatas.

Mas para o reitor da UFV, a grande contribuição que a universidade pode oferecer é a parceria com a sociedade. Para Luiz Cláudio Costa, não existe modelo social no mundo que avance sem uma união estratégica entre academia e sociedade. “Quero que a UFV possa se planejar, olhar horizontes. A universidade precisa cumprir seu papel no Estado, ter interações com a sociedade, com empresários e com os movimentos sociais. A pergunta que temos que responder é: como crescer e de que forma?”.

Não há dúvidas de que o caminho do crescimento passa pela promoção do desenvolvimento profissional, pela sustentabilidade e pela inovação. “A escolarização média do brasileiro é de 6 anos e isto é perverso. Hoje temos 14% dos jovens nas universidades. Temos uma grande massa de jovens que deveriam estar se preparando para o mercado de trabalho e que está fora da universidade”, ressalta. Para Costa, corrigir este tipo de distorção é pré-requisito para o crescimento efetivo do país.

Além de reitor, Luiz Cláudio Costa é também especialista em Mudanças Climáticas e presidente da Sociedade Brasileira de Agrometeorologia. Ele acredita que assumir a reitoria em um momento em que a questão do clima se torna o grande assunto da humanidade é uma grande oportunidade para ele promover o diálogo com os diferentes, ou seja, para as pessoas comuns que buscam esclarecimento sobre o tema.

“A crise econômica mundial mostra que o nosso modelo de vida está errado. Você não pode poluir como poluía antes, mas todo mundo ainda sonha em ter o padrão de vida norte-americano. Precisamos ter uma visão holística e acho que eu tenho ajudado a contribuir com este debate tanto dentro quanto fora da universidade”, afirma.

Luiz Cláudio Costa ressalta que o tema sustentabilidade é tratado pela universidade é de forma integrada e com métodos. “Estamos promovendo o debate sobre o assunto oferecendo a sociedade a nossa técnica e mostrando como a tecnologia pode ser aplicado em prol do desenvolvimento sustentável”.

É por esta razão que o reitor ressalta a importância da inovação neste novo cenário de grandes demandas. “Sem inovar não vamos conseguir atender aos problemas que temos. Como vamos alimentar 9,5 bilhões de pessoas sem observamos o conceito de inovação? Atentos a isto, estamos estimulando a inovação dentro da universidade, através de bolsas de pesquisa, no apoio às patentes e às empresas incubadas”.

Vale ressaltar aqui que a nossa capacidade produtiva não é a mesma. Se mantivermos os elevados padrões de consumo dos Estados Unidos, por exemplo, será necessários mais dois planetas e meio iguais ao nosso para atender a demanda. Por esta razão, Luiz Cláudio Costa afirma que a universidade precisa efetivamente oferecer a sua contribuição para a construção de um modelo social e ambiental mais justo.

“A universidade não pode ser uma instituição burocrática. Ela necessita ser uma organização que tenha como objetivo pensar e refletir novos modelos para o país. Por isto, nossa universidade necessita sempre ter visão de futuro. Não podemos pensar raso, nem de forma fragmentada e superficial”, conclui.

 

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