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:: Gestão de Projetos

Riscos em Projetos de Automação Industrial

Ivan de Bastos

Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Engenheiro da Accenture Automation and Industrial Solution em projetos de automação industrial.

Devido a complexidade, variedade, atualizações tecnológicas constantes e principalmente falta de dados históricos em projetos de automação industrial no Brasil , os riscos envolvidos devem ser tratados com muita atenção e cuidado. Este artigo tem como objetivo mostrar como as melhores práticas sugeridas pelo PMBOK® [PMI, 2008] podem ajudar o gerenciamento de riscos em projetos de automação industrial de modo a maximizar as oportunidades e minimizar as ameaças.
 
Palavras Chave: Gerente de Projetos, Riscos, Automação Industrial.

ABSTRACT

Factor like complexity, range and technology updates and the little historical database make risks involved in Industrial automation projects in Brazil must be treated with attention and carefully. This article aimed to show how the best practice of the PMBOK® [PMI, 2008] can help risk management in industrial automation projects to improve opportunities and reduce the menaces. 

Keywords: Project Manager, Risk, Industrial Automation.

1 INTRODUÇÃO

Segundo o PMBOK® [PMI, 2008] “risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, tem efeito em pelo menos um objetivo do projeto. Os objetivos podem incluir escopo, cronograma, custo e qualidade”. Estes efeitos podem influenciar positiva ou negativamente os objetivos do projeto. Se for o efeito for positivo será uma oportunidade e se for negativo será uma ameaça.

O Gerenciamento de riscos é um processo de identificação, análise quantitativa e qualitativa, desenvolvimento e controle de resposta aos riscos.

A cultura de se cadastrar as “Lições Aprendidas” em projetos de automação industrial está começando a se consolidar nas empresas, com isso, as bases de dados históricas destes projetos ainda não está sólida o suficiente para se fazer uma análise mais detalhada dos riscos envolvidos em projetos de automação industrial. Outro fator que deve ser levado em consideração é a rapidez com que novos produtos e tecnologias são lançados no mercado. Causando freqüentes modificações de escopo e retrabalho.

O objetivo deste trabalho é descrever as melhores práticas de gerenciamento de riscos do PMBOK® [PMI, 2008] e como aplica-las em projetos de automação industrial.

2 Planejamento da Gestão de Riscos

“Planejar a gestão de riscos é o processo de definição de como conduzir as atividades de gerenciamento de riscos de um projeto” PMBOK® [PMI, 2008].  Para o planejamento da gestão de riscos deve-se entrar com a declaração de escopo do projeto, o plano de gerenciamento de custos, o plano de gerenciamento de cronograma e o plano de gerenciamento de comunicações para avaliar os riscos envolvidos em escopo, custos, prazo e comunicação. Ainda deve-se levar em consideração os fatores ambientais da empresa e os ativos de processos organizacionais. Que definem, entre outras coisas o nível de autoridade do gerente de projetos e o registro das partes interessadas.

Neste plano são descritos como o gerenciamento de riscos será estruturado e executado no projeto e contem informações como metodologia, papéis e responsabilidades, orçamento, prazos, categorias de riscos, definições de probabilidade e impacto dos riscos, matriz de probabilidade e impacto, tolerâncias revisadas das partes interessadas, formatos dos relatórios e acompanhamento.
 
3 Identificação dos Riscos

A identificação de riscos é um processo dinâmico, pois novos riscos podem surgir no decorrer do projeto. Nesta etapa, todas as pessoas que possuem alguma responsabilidade na execução da atividade devem interagir e levantar quais são as principais ameaças a serem eliminadas ou minimizadas, e quais são as oportunidades a serem perseguidas. As principais ferramentas para a coleta de dados são o Brainstorming, a técnica de Delphi, análise das premissas, técnicas de diagramas, análise de força fraquezas, oportunidades e ameaças (SWOT) e opinião especializada.

Para se fazer uma boa identificação de riscos em projetos de automação, o ideal era que se tivessem muitos dados históricos e lições aprendidas. Na falta destes, uma boa ferramenta a ser usada é a técnica de Delphi, onde cria-se um questionário com os principais riscos levantados para ser respondidos por gerentes de projeto mais experientes e engenheiros com maior vivência em projetos. Ao final do questionário, deixar uma parte em branco pedindo sugestões de riscos potenciais que não foram relacionados no questionário para que sejam relacionados no futuro.

Após a identificação dos riscos temos como saída a lista dos riscos identificados e a lista de respostas potenciais.

4 Análise Qualitativa dos Riscos

Na análise qualitativa dos riscos identificamos qual é o impacto e a probabilidade de cada um dos riscos identificados na etapa anterior. Este processo nos permite priorizar os riscos de acordo com o potencial de influenciar os objetivos do projeto. Cada risco identificado deve passar por uma análise de probabilidade X impacto e o valor esperado permite definir a prioridade dos riscos do projeto.  Podemos definir uma escala de probabilidade como sendo por exemplo: Grande probabilidade de acontecer = 0.9, Média chance de acontecer = 0.7, Igual chance de acontecer ou não = 0.5, baixa chance de acontecer = 0.3 e mínima chance de acontecer = 0.1. Impacto muito grande = 5, impacto grande = 4, impacto moderado = 3, impacto pequeno = 2 e impacto muito pequeno = 1.

Assim temos uma matriz representada conforme abaixo:
 

 

De posse da matriz de probabilidade X Impacto , podemos classificar como sendo Baixo Risco os valores menores do que 1 (um); Médio Risco os valores maiores ou iguais a 1 (um) e menores do que 2,5 e por último, como Alto Risco os valores maiores ou iguais a 2,5.

5 Análise Quantitativa dos Riscos

Após priorizar os riscos pela análise qualitativa deve-se fazer a análise quantitativa dos riscos e avaliar numericamente os efeitos destes nos objetivos do projeto. Como um dos principais problemas encontrados em projetos de automação industrial é a falta de dados históricos consistentes, o ideal é novamente usar entrevistas aos especialistas e engenheiros mais experientes de forma a ter pelo menos uma estimativa otimista, pessimista e mais provável. Assim conseguimos pelo menos uma estimativa de três pontos e daí usar outras técnicas como simulação de Monte Carlo ou árvore de decisão.

6 Planejar resposta aos Riscos

Com os riscos identificado, qualificados e quantificados devemos tomar ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto.

Como estratégias de resposta as ameaças podemos: Eliminar o risco, transferir o risco, mitigar o risco ou aceitar o risco.

Para eliminar o risco, deve-se eliminar as causas das ameaças e proteger os objetivos do projeto. O gerente do projeto pode também isolar os objetivos do projeto do impacto do risco ou alterar o objetivo que está em perigo conforme o PMBOK® [PMI, 2008].

A estratégia de Transferir o risco, não elimina a ameaça, apenas transfere a responsabilidade do risco para outra parte.
Para mitigar o risco, deve-se diminuir a probabilidade e/ou impacto deste nos objetivos do projeto. Ao aceitar o risco, indica que a equipe do projeto não alterará o planejamento do projeto, mas esta ação deve ser documentada indicando a decisão da equipe, além de definir rotas alternativas e plano de contingência controlando os efeitos deflagradores.

Em caso de oportunidades devemos: Explorar; compartilhar; melhorar ou aceitar.

Após criar o Plano de resposta aos riscos deve-se atualizar o plano de gerenciamento do projeto incluindo as novas ações planejadas. Com isso, poderemos ter alterações no plano de gerenciamento do cronograma, plano de gerenciamento de custos, plano de gerenciamento da qualidade, plano de gerenciamento das aquisições, plano de gerenciamento de recursos humanos, EAP do projeto, linha de base do cronograma, linha de base do desempenho de custos.

6 Monitorar e Controlar os Riscos

Monitorar e controlar os riscos é por prática o plano de gerenciamento de riscos criado. Ficando sempre de olhos abertos para os gatilhos e sinais de alerta da ocorrência de riscos, avaliando a eficácia do plano de gerenciamento de riscos aprovado e identificando se novos riscos aparecerão no decorrer do projeto.

Como ferramentas e técnicas usadas para controlar e monitorar os riscos temos : reavaliação dos riscos, auditorias de riscos, análise da variação e tendências, medição de desempenho técnico, análise de reservas e reuniões de andamento.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DINIZ, Lúcio J.; Análise de Riscos em Projetos: Uma Abordagem Qualitativa ou Quantitativa? Disponível em: http://www.pmimg.org.br/downloads/GestaoRiscosProjetos_LucioDiniz_31082004.pdf

PEDROSO, Luiz H. T. R. “Aperfeiçoamento em Gestão de Projetos – Gestão de Riscos”. Ietec. 2009.

PMBOK. “Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos”. 4ª Edição. Project Management Institute. 2008.
 

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