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:: Meio Ambiente

Copenhague não fracassou

Ronaldo Gusmão

Diretor-executivo do Ietec e Coordenador-geral da Ecolatina - Conferência Latino-Americana sobre Sustentabilidade

A Conferência do Clima realizada em dezembro passado, em Copenhague, reuniu 192 países em torno da missão de criar um substituto para o Tratado de Kyoto, tratado internacional com compromissos para a redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEE),  responsáveis pelo aquecimento global. Após dois anos de preparação e duas semanas de intensos debates e protestos, líderes mundiais não conseguiram encontrar um denominador comum para a resolução do maior problema ambiental que a humanidade vive.

Apesar da frustração mundial, a convenção de Copenhague não fracassou. As decisões foram adiadas, talvez por mais um ou dois anos, e caberá a nós, e possivelmente às gerações futuras, pagar a conta por este adiamento.

Por um outro lado, o encontro internacional mostrou que sociedade e organizações já enxergam o mundo de outra maneira. Mais de 30 mil pessoas de 192 países estiveram presentes na Dinamarca discutindo soluções. A cobertura da imprensa mundial mostrou o que está acontecendo com o mundo e o que ainda poderá acontecer.

Quando enxergamos a realidade com outro olhar, nosso pensamento é diferente. Se nosso pensamento for diferente, nossas escolhas serão outras e o mundo deixa de ser o mesmo porque nossas ações serão outras.

Temos um grande desafio pela frente. Necessitamos aliar o crescimento econômico com desenvolvimento ambiental e social. A previsão de crescimento econômico para o Brasil em 2010 é de quase 6%. Para cada 1% de crescimento na economia haverá a criação de 400 mil empregos. Logo, a previsão para 2010 é a criação de 2,4 milhões de novos postos de trabalho. O momento é agora. Precisamos produzir mais, porém, com menos água, menos resíduos, menos energia, menos carbono.

Traduzindo: as empresas brasileiras precisam desenvolver produtos e serviços com baixo impacto ambiental, desenvolver a utilização eficiente de energia, desenvolver novos mercados, se desenvolver.

Que sejam sustentáveis, isto é, que seus produtos e serviços não causem mais impacto ao nosso planeta, que sejam acessíveis à população, que promovam uma maior inclusão social, que valorizem a vida.

Os debates promovidos pela Conferência do Clima de Copenhague deixaram claro que a sustentabilidade necessita fazer parte das estratégias dos governos, das estratégias dos negócios empresariais. Este movimento deve ser iniciado agora, pois num curto espaço de tempo, a sustentabilidade precisa estar na operação, no dia a dia empresarial. As escolhas serão feitas por uma sociedade diferente. Os novos produtos que estarão nas prateleiras nos próximos anos deverão ser projetados agora, os velhos produtos precisarão ser reformados. Isto é, teremos que desenvolver novos métodos de produção para novos hábitos de consumos, que já estão em  desenvolvimento.

A sustentabilidade está intimamente ligada à inovação em tecnologias que preservam a natureza, novos usos das velhas tecnologias, inovação na cultura e no comportamento das pessoas, novas atitudes.

Inovação está intimamente ligada a pessoas criativas, com capacidade de trabalho colaborativo. Pessoas empreendedoras, aptas permanentemente a mudanças, principalmente, pessoas com enorme disposição para aprender e reaprender. Somente com mais conhecimento, proveniente da educação e treinamento, será possível formar profissionais que pensem diferente, que projetem com criatividade e inovação.

Mas o que tem a ver a Conferência do Clima de Copenhague com o Brasil de 2010? Tem tudo a ver pois não queremos somente crescer. Queremos nos desenvolver, sem perder nosso capital natural, e garantir à sociedade o usufruto deste desenvolvimento, através de uma melhora da qualidade de vida agora e não somente como uma promessa de futuro.

Se a economia brasileira crescer 6%, que isto seja coerente com o desenvolvimento sustentável: ser economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo. Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.
 

 

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