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Passada a crise, surge um novo mercado de trabalho

Cínthia Nascimento Coelho

Ao fazer um retrospecto do histórico econômico do Brasil, concluímos sem deixar margem para dúvidas que este é o melhor momento do país. A afirmação ganha ainda mais relevância se levarmos em conta o recente apagão global da economia, do qual o Brasil sai fortalecido e agora tem o privilégio de acenar para o mundo grandes oportunidades.

Para sustentar a informação acima, temos como base os números: Até 2013, a Petrobras irá investir US$ 174 bilhões na expansão de seus negócios. A Vale também anunciou seus investimentos. Para 2010, a empresa pretende injetar no país US$ 12,9 bilhões. “É o maior programa de investimentos realizado no país por uma empresa privada”, declarou Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale. De acordo com o executivo, Pará e Minas Gerais receberão a maior parte deste investimento: US$ 6,8 bilhões e cerca de US$ 3 bilhões, respectivamente.

Lakshmi Mittal, presidente da ArcelorMittal, declarou que, ao lado do Casaquistão e África do Sul, o Brasil será destino dos investimentos preferenciais da maior siderúrgica do mundo. Em recente visita ao Brasil, o principal executivo de finanças (CFO) da companhia, Adytia Mittal, confirmou o investimento de US$ 5 bilhões no país: “O Brasil se empenhou muito bem durante a crise e creio que entrou numa nova fase de desenvolvimento. Isso faz a ArcelorMittal muito otimista sobre o seu futuro aqui”, afirmou o executivo em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Além destes números, existem outros igualmente importantes. Para ser sede da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016, o investimento no país deverá oscilar entre R$ 80 bilhões e R$ 130 bilhões. Infra-estrutura e serviços serão os segmentos da economia mais privilegiados durante a bonança. Um cenário tão positivo não poderia surgir desassociado de desafios. O maior deles, sem dúvida, é garantir a operacionalização de tantos projetos.

Procura-se mão de obra especializada

O relatório Focus, do Banco Central, documento fruto de pesquisas com instituições financeiras, aponta para um crescimento de 5% da economia brasileira em 2010. Se este percentual se confirmar, milhões de novos postos de trabalho serão criados em praticamente todos os segmentos da economia. Atividades que envolvem TI, financeiro, administrativo, comercial e gestão ambiental serão os setores que mais demandarão novos profissionais.

A Pesquisa de Perspectiva de Emprego para o primeiro trimestre de 2010, realizada pela Manpower, já detecta os bons ventos em direção ao mercado de trabalho brasileiro: 38% dos empregadores preveem um aumento no total de contratação contra 7% que antecipam diminuição. Com isso, temos o índice de Expectativa Líquida de Emprego de +31%, 10% a mais se comparado com o último trimestre de 2009. Este índice representa o valor resultante da diferença entre a porcentagem dos participantes que preveem aumento nas contratações e a porcentagem dos que preveem diminuição de vagas. (ver gráficos)

Cresce a economia, cresce o número de postos de trabalhos. Estamos fadados ao sucesso? Não. A lógica do mercado de trabalho brasileiro não é tão coerente como se supõe. Sofremos de uma histórica (e preocupante) escassez profissional. Outra pesquisa, desta vez realizada pela H2R, em parceria com a revista Você S/A, entre os meses de julho e setembro de 2009, mostra que das 130 organizações ouvidas, todas disseram que têm dificuldade para preencher pelo menos um cargo. A pesquisa apontou que a falta de habilidade técnica é o principal obstáculo para o preenchimento das vagas, na avaliação de 57% dos entrevistados; em seguida, vem a ausência de formação acadêmica dos candidatos (23%).

“A carência de conhecimentos técnicos, atualizados e especializados torna-se um agravante”, afirma o gerente de atendimento da Catho Online, Lúcio Tezzoto.  Para ele, poucos profissionais dispõem de experiência e treinamentos suficientes para ocupar os cargos que surgirão nas grandes empresas brasileiras a partir de 2010. Disto, podemos concluir: o tão aguardado crescimento econômico que o país espera pode estar seriamente comprometido se não garantirmos mão de obra especializada.

Um novo perfil para o
novo mercado de trabalho

Diplomas, certificações, conhecimento em idiomas e vasta experiência profissional. Requisitos que ganham cada vez mais relevância nas organizações. “Ter uma excelente formação acadêmica e habilidade técnicas já são entendidos como obrigação para qualquer candidato”, alerta a mestre e especialista em Planejamento e Estratégia Organizacional, Soraya Gervásio.

De acordo com a especialista, que também é professora do Ietec, o que as empresas buscam hoje é um profissional altamente capacitado e com visão de negócio apurada, capazes de compreender a problemática do mercado. “É muito relevante a forma com que os profissionais compreendem a problemática do negócio e auxiliam seus pares na identificação e análise dos problemas a serem resolvidos”, afirma Gervásio.

Ainda de acordo com a especialista, o novo mercado é dinâmico e exige respostas cada vez mais rápidas das organizações, com um percentual de erro cada vez mais reduzido: “O profissional precisa propor soluções em um ambiente que será marcado pela alta competitividade”, ressalta.

“A experiência técnica é obviamente importante no setor industrial, mas também achamos
fundamental que a equipe tenha aptidões comportamentais, no tocante a relações, negociação, flexibilidade e capacidade de ter uma visão abrangente”, explica Hanna Meirelles, gerente de recrutamento da Vale.

Disto, podemos concluir que o novo mercado de trabalho que surgirá nos próximos anos contará com empresas cada vez mais focadas na formação técnica aliada ao desenvolvimento comportamental de seus colaboradores. Muitas oportunidades surgirão a partir de 2010 para quem busca um novo posicionamento profissional. Mas a regra só é válida para quem estiver realmente preparado para elas.

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