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Cadeia de suprimentos mais verdes

Redação :: Revista Idéia Socioambiental – Gazeta Mercantil

Revista Idéia Socioambiental – Gazeta Mercantil

As cadeias de suprimentos de energia e materiais respondem por 75% das emissões de carbono das empresas. Apesar disso, o tema sustentabilidade aparece como prioridade da agenda corporativa apenas para 12% dos 257 líderes das corporações da Ásia, Europa e América do Norte. Está é uma das conclusões a que chegou o recente estudo Green For Go (Verde para Continuar), feito pela Ernst & Young, em conjunto com a Economist Intelligence Unit, junto a uma amostragem seleta de corporações com faturamento acima de US$ 1 bilhão. “Observa-se um avanço considerável em relação a estudos anteriores. Metade das empresas tem ações implementadas e a outra metade está planejando. No entanto, o desempenho dessas ações ainda não tem sido medido.”, afirma Joel Bastos, diretor-executivo da Ernst & Young no Brasil.

Outra conclusão apontada pelo estudo, segundo Bastos, é que já há uma consciência mais clara a respeito das oportunidades oferecidas pela sustentabilidade dentro da cadeia de suprimentos. “Mais da metade dos entrevistados identifica a relação do tema com benefícios importantes como os de reputação, redução do custo, crescimento e atendimento à legislação. Apesar de só 12% reconhecerem diretamente a sustentabilidade como aspecto prioritário, a maioria consegue perceber os seus
impactos”, afirma.

Segundo o estudo Green for Go, uma das razões para a não inclusão do tema entre as prioridades para os próximos dois anos pode estar nas mensagens confusas envidas aos negócios por governos, reguladores e consumidores -- os três stakeholders principais indicados pelos entrevistados. Enquanto a retórica governamental atrasa a criação de legislação mais específica sobre as metas de redução das emissões, persiste também um abismo entre as reivindicações verdes dos consumidores e o seu atual comportamento de compra.

Com o crescente número de consumidores engajados e a implantação de leis cada vez mais severas frente aos danos ambientais, as cadeias de suprimentos que não se pautarem por padrões corporativos sustentáveis podem representar um risco para o desempenho global dos negócios. As perdas anuais decorrentes, por exemplo, do pagamento a seguros, aumentaram devido a eventos climáicos extremos, como enchentes e furacões, provocando também grandes prejuízos na produção e na agricultura.

De acordo com o estudo, o maior risco das cadeias de suprimentos sustentáveis é o aumento dos custos. Nesse sentido, o documento sugere que os necessários investimentos operacionais para a economia de energia poderiam ser compensados pelo aumento do custo de capital e do preço dos suprimentos. Para Bastos, o resultado da integração da sustentabilidade ao negócio tende a ser benéfico para as partes da cadeia produtiva.

“É necessário pensar na cadeia total de valores, pois todas as ações refletem no gestor central dos negócios. Tanto para empresa quanto para fornecedores a adoção de padrões sustentáveis resulta na redução de custos e contribui para manter a boa reputação”, afirma o executivo da Ernst & Young.

Ainda segundo o estudo, na União Européia, os empresários já estão se preparando para um maior rigor da legislação ambiental. Nos Estado Unidos, as leis cada vez mais rígidas sobre as mudanças climáticas emergem em meio ao consenso das economias industrializadas a respeito da necessidade de uma ampla consciência ambiental. Desse modo –ressalta-- aqueles que estiverem caminhando em sentido oposto ao da responsabilidade social poderão acabar perdendo as novas oportunidades do mercado.

O valor da reputação - Para os entrevistados do relatório, a reputação corporativa constitui uma das variáveis mais impactadas
pela sustentabilidade nas cadeias de suprimentos. Em um mundo no qual as mudanças climáticas e a preocupação com o meio ambiente ganham cada dia mais destaque no debate entre governos, mercados e sociedade, a responsabilidade social passou a ser fator intrínseco à imagem corporativa. Com a internet, os consumidores verdes dispõem de uma ferramenta poderosa para avaliar a reputação de empresas e as ações socioambientais que elas têm desenvolvido. “Os grandes negócios que envolvem fornecedores-chave precisam estar atentos a sua cadeia de suprimentos.

Como todo risco, essa é uma oportunidade relacionada inversa. Noticias boas de desempenho ajudam na competitividade, assim como notícias ruins denigrem a imagem. Há já um consenso de que meio ambiente e responsabilidade social
constituem pré-requisitos no mundo dos negócios”, afirma Bastos. Segundo ele, um consumidor mais consciente está usando o seu poder de escolha para valorizar produtos socioambientalmente responsáveis e punir os que não são, deixando de comprá-los. “A discussão sobre mudanças climáticas arejou a cabeça dos consumidores em geral. Hoje cerca de 30%
das gôndolas são ocupadas por produtos verdes. Ainda que às vezes custem um pouco mais, estão sendo preferidos. O crescimento desse mercado é uma tendência mundial”, aponta.

O estudo ressalta ainda que a administração de riscos socioambientais na cadeia de suprimentos está se tornando cada vez mais importante, principalmente os relacionados a acusações de exploração do trabalho infantil, incidentes poluidores ou venda de produtos prejudiciais à saúde. Com a tendência de aumento da terceirização de serviços, tem sido mais difícil para as empresas controlar e fiscalizar as cadeias de suprimentos complexas. De acordo com o estudo, 63% das corporações introduziram padrões trabalhistas em suas redes com o intuito de regulamentar as operações globais. “Uma empresa sabe quem são seus principais fornecedores. É necessário associar o tema da sustentabilidade a, por exemplo, questões como o transporte e a qualidade, além de deixar claro nos contratos quais os padrões socioambientais exigidos e de realizar auditorias baseadas no desempenho, não apenas em documentos”, avalia Bastos.

Além do risco para a reputação, práticas insustentáveis, como, por exemplo, a realização de operações em locais com proteção ambiental menos eficiente, podem resultar no aumento das despesas com recalls caros de produtos, bens contaminados e danos à saúde dos trabalhadores.

Reduzindo custos - De acordo com o Green For Go, 40% das corporações, particularmente aquelas com maiores índices de
desperdício, têm investido na geração de energia renovável para enfrentar a crescente alta do preço do petróleo e reduzir as emissões de poluentes. Com a implantação da norma para intensidade de energia na União Européia, denominada Emissions Trading Scheme (Plano de Comércio de Emissões), mais empresas precisarão operar dentro da sua capacidade de carbono sob o risco de terem de pagar pelo excesso produzido.

No Reino Unido, a Conta das Mudanças Climáticas (Climate Change Bill) estabelece uma meta legal para os cortes nas emissões até 2050. A meta atual de 60% poderá aumentar para 80%, instituindo um padrão elevado para as economias industrializadas e desenvolvendo a base para uma reforma das leis. Diante de um quadro mais restritivo, a eficiência energética será primordial na gestão das empresas para os próximos anos. O estudo aponta oportunidades que agregam novas técnicas à produtividade mais eficiente. “Pode-se concentrar esforços para melhoria da reputação, diminuição de emissões e menor geração de resíduos. Essa redução de custos passa necessariamente pela sustentabilidade”, afirma Bastos.

Para o Green for Go, o planejamento administrativo da demanda e o aprimoramento das previsões vão auxiliar na redução do consumo exagerado e do desperdício. Melhorando os processos de fabricação ineficientes, as cadeias de suprimento conseguem ainda diminuir o processamento extra e a intensidade energética de armazenamento. No campo da distribuição de produtos, métodos como a rota inteligente, o backhauling e a otimização do abastecimento aparecem entre as possibilidades apontadas pelo estudo para redução das milhas de transporte. As tecnologias em informação, como vídeo-conferências e serviços remotos, também foram destacados como meios eficientes para diminuição das viagens de negócios.

De acordo com o Green for Go, atualmente 55% das empresas investem em inovações para aumentar a eficiência de equipamentos e instalações, o que poderá gerar uma redução de gastos considerável nos próximos anos.

Oportunidades sustentáveis - Para Bastos, algumas empresas estão preocupadas com o desempenho enquanto outras se movimentam pouco. “Todas têm a visão do risco de não ser sustentável, mas nem todas enxergam a oportunidade”,
afirma o diretor da Ernst & Young. Segundo o estudo, um bom exemplo de avanço nesse tema é a indústria automobilística. O setor tem investido em equipamentos, na melhoria do peso e na aerodinâmica de veículos eficientes para alcançar um padrão sustentável de produção e atrair a simpatia de consumidores e investidores.

Com tecnologias inovadoras, veículos que utilizam combustíveis híbridos, elétricos e de hidrogênio começam a integrar aos poucos as frotas das empresas e as ruas dos grandes centros urbanos. De acordo com o relatório, a novidade não está em desenvolver novos produtos isolados de acordo com os parâmetros sustentáveis, mas em introduzir o conceito nos já existentes.

Oportunidades eficientes:

Planejamento: demanda administrativa e previsão aprimorada reduzem o desperdício.
Manufatura: melhoria em processos ineficientes reduz o processamento extra e a intensidade energética
Distribuição: network, re-design, rota inteligente, backhauling, otimização do abastecimento e método de troca são opções adotadas por 54% dos entrevistados
Tecnologia em informação: Vídeo-Conferência e serviço remoto reduzem as viagens de negócios.
Propriedades: 55% das empresas têm investido em instalações eficientes

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