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Meio Ambiente

Consciência Ambiental

Maurício Andrés Ribeiro

Arquiteto e ambientalista. Autor de Ecologizar, Tesouros da índia e Ecologizando a cidade e o planeta.
 

O que faz um arquiteto projetar prédios que exigem uso intensivo de ar-condicionado, que demandam alto consumo de energia, desadaptados do ambiente natural, num clima tropical, num design que provoca a emissão de muitos gases de efeito estufa? Resposta: inconsciência sobre os impactos do seu projeto; inconsciência ecológica; ganância – quanto mais caro o projeto, maior a remuneração do arquiteto; e atendimento a demandas de clientes inconscientes. O que faz uma companhia de obras municipal projetar um parque de forma a gerar muita movimentação de terra, aterros e desaterros, em vez de projetá-lo de forma natural, aproveitando ao máximo a topografia do terreno? Resposta: inconsciência ecológica; e ganância de empresas de engenharia, que fazem movimentação de terra, aterros e desaterros.

Como despertar a consciência ecológica em engenheiros, arquitetos e urbanistas e demais profissionais que constroem o ambiente? Uma medida é regulamentar, incluindo nos códigos de obras, de edificações urbanas, nos editais e termos de referência para contratação de projetos e de obras, dispositivos que obriguem ou induzam a adoção de projetos ecologicamente sustentáveis, a exemplo do que vem sendo feito em países que estão levando a sério as mudanças climáticas. A aprovação de alvarás de construção passa por crivos ecológicos, de eficiência energética, de não desperdício de água e energia.

Outra providência é criar incentivos econômicos para adotar tecnologias, materiais, processos e práticas de construção ecológicas, como ventilação e iluminação naturais, uso de energia solar, eólica; impor penalizações econômicas para práticas não ecológicas, que levam a alto consumo de energia, ao desperdício de água ou a alta emissão de carbono. É preciso influenciar o mercado, por meio de marketing, publicidade e propaganda que atuam sobre o inconsciente e excitam o desejo de consumo. Eles também podem promover o desejo por saúde ambiental, bem como a redução da demanda por bens cujo processo de produção é destrutivo, degradador, poluidor, emissor de gases de efeito estufa. A publicidade pode veicular valores ligados a ambientes sustentáveis.

Além disso, é preciso divulgar, premiar e valorizar as boas práticas que levam a um ambiente sustentável. Mudar a formação no nível básico, tanto nas escolas como fora delas; explicitar os impactos causados pela atividade humana em cada profissão, de forma que cada profissional esteja ciente de sua responsabilidade pessoal para o bem-estar global. Boa medida é formar pessoas com valores ecológicos, para consolidar uma ética ecológica, na qual a noção de bem-estar e de interesse pessoal seja expandida, tornando-se culturalmente aceita a ideia de que o bem-estar do ambiente e coletivo são pré-requisitos para o bem-estar individual. É importante ainda mudar a formação nas escolas de arquitetura e de engenharia – ensinar a arquitetura e a engenharia sustentáveis, o ecodesign e o urbanismo ecologicamente responsável, adequados para uma sociedade com baixa emissão de carbono. Por fim, desenvolver e aplicar indicadores para avaliar em que medida o ambiente construído atende a critérios de sustentabilidade e de responsabilidade ecológica.

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