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:: Inovação e Criatividade

Inovar para Competir

Tatiana Moraes

O conceito de inovação nunca esteve tão presente no dia a dia da sociedade. Utilizado em discursos de políticos e de representantes do alto escalão da indústria, o termo ganhou contornos de “salvação” para as empresas que desejam se destacar no mercado. Mas, afinal, o que realmente significa inovar e como o “fazer diferente” pode melhorar o resultado das corporações?

As respostas a estas perguntas parecem simples, embora não o sejam. Ainda é comum associar o termo inovação às invenções revolucionárias, como o ipod e o Kindle. Não que tais criações do homem não sejam inovadoras. Elas são. Porém, a inovação pode ser mais simples do que se imagina. E bastante eficaz na solução de problemas.

O conceito de inovação parte do princípio de que realizar mudanças pode gerar resultados surpreendentes. Tais alterações podem ser radicais, como no caso das rupturas, ou incrementais, quando pequenas melhorias são aplicadas ao produto, à atuação no mercado, à gestão ou ao processo. O importante é “criar algo antes de as pessoas saberem que desejam daquilo”, como bem define Guy Kawasaki, um dos mais importantes empreendedores tecnológicos do mundo.

O diretor da DM&P, empresa referência em gestão da inovação em Minas Gerais, Luiz Castanheira Polignano, concorda. De acordo com ele, que já gerenciou mais de 1 mil projetos na área, a organização que deseja se manter competitiva deve ser capaz de se reinventar à velocidade demandada pelos novos anseios e necessidades da população.

Apesar do consenso, o investimento brasileiro em inovação, na prática, ainda está longe do ideal. Conforme pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), de 4,4 milhões de companhias existentes no país apenas 30 mil se declaram inovadoras e seis mil possuem área de pesquisa e desenvolvimento (P&D).


Capacitação profissional – Além da dificuldade de associar a inovação às mudanças simples, que na maioria das vezes demandam baixos investimentos – fator que reduz os aportes –, a falta de profissional especializado para gerenciar a transformação de ideias em resultados concretos ainda é um entrave.

Na avaliação de Polignano, que é professor do curso de Gestão da Inovação nas Empresas do Ietec, o profissional exigido pelo mercado possui comportamento pesquisador, empreendedor ou gestor. O ideal mesmo, de acordo com ele, é ter um pouco de cada um.

A formação acadêmica e a atividade exercida também não foram classificadas como empecilho. “Acredito que não exista perfil profissional único, única característica de comportamento, única formação ou única experiência de vida profissional. O essencial é que esse profissional acredite no novo, tenha boa formação, como especialista ou generalista, trabalhe bem em equipe e seja orientado por um bom método de trabalho”, afirmou.

De acordo com o Superintendente de Tecnologia e Alternativas Energéticas da Cemig, Alexandre Francisco Maia Bueno, é importante somar o conhecimento sobre a legislação às características citadas por Polignano. Ainda segundo ele, o profissional deve ser capaz de identificar e buscar novas fontes de recursos financeiros para pesquisas por meio de fundos de financiamento e de ciência e tecnologia.

“Além do conhecimento das necessidades da sua área de atuação, busca-se um profissional criativo, com espírito empreendedor e capacidade de liderança, com facilidade de comunicação e de trabalho em equipe”, completou. Cabe ressaltar que em 2009 a Cemig investiu cerca de R$ 50 milhões em inovação. Para 2010, a previsão é alcançar a marca de R$ 100 milhões.

Para o gerente de plataforma de veículos leves da Iveco, Marcelo Motta, a flexibilidade para vivenciar experiências e a disposição para o conhecimento devem ser inerentes ao profissional interessado em trabalhar com a inovação.

Manter os pés no chão foi outra característica citada por Motta como importante. “O profissional deve pensar em ações que façam a diferença agora. As maravilhas tecnológicas são bem-vindas, porém, além do alto custo elas nem sempre são aplicadas no cotidiano do consumidor”, comentou.

Conforme observou, a combinação de novos recursos, materiais ou tecnologias já existentes a um produto ou processo pode trazer excelentes resultados aos negócios. Como exemplo, ele citou a suspensão traseira da linha Daily da Iveco. “Com uma pequena alteração na suspensão conseguimos reduzir o peso e o custo de produção do veículo”, afirmou.

O projeto foi desenvolvido no Centro de P&D da empresa, localizado em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais. No local, trabalham cerca de 250 pessoas. Para o futuro, porém, Motta adiantou que novos profissionais serão contratados. Entre 2007 e 2012 a empresa estima investir R$ 100 milhões na transformação de ideias em produtos.

Visão estratégica – Aliás, os centros de P&Ds têm constado cada vez mais na carteira de investimento das grandes empresas. Um bom exemplo é a Vale, que nos próximos anos irá criar três CPDs para a produção científica de longo prazo. Localizados em Minas Gerais, São Paulo e Pará, cada um terá um foco específico. A unidade de Ouro Preto (MG) será destinada às pesquisas na área de mineração. Em São José dos Campos (SP), o objetivo será a inovação em energia. Já em Belém (PA), o centro será voltado à sustentabilidade. Os CPDs serão coordenados pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), criado em 2008.

Assim como a Vale, a Ferrous Resources do Brasil associa pesquisa e desenvolvimento ao desempenho no mercado. Em fevereiro deste ano, a mineradora inaugurou, em Brumadinho (RMBH), a planta piloto do Centro de Pesquisas Tecnológicas (CPT). Por ser um facilitador das atividades de mineração e metalurgia na região, o CPT recebeu o apoio do Governo de Minas por meio do Polo de Excelência Mineral e Metalúrgico.

Na avaliação do gerente-executivo do polo, Renato Ciminelli, os empreendedores devem não apenas ficar atentos às novas oportunidades, mas, sobretudo, trabalhar a inovação como diferencial competitivo. “É necessário abraçar estratégias inteligentes que assegurem o desenvolvimento e a perenidade das organizações. Se os executivos não tiverem essa consciência, principalmente em momentos de crise, a sobrevivência das empresas pode ficar comprometida”, enfatizou.

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