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Meio Ambiente

Gestão ambiental deve ser profissional

Ernesto Cavasin Neto

Especialista em Sustentabilidade empresarial, gerente executivo da PricewaterhouseCoopers, membro do Conselho da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono.

Revista Ietec - no. 32

No dia mundial do meio ambiente, 5 de junho, pudemos presenciar uma série de comemorações realizadas por iniciativa governamental e/ou privada, artigos especiais em revistas, jornais e portais da internet. Não há equívoco em afirmar que o meio ambiente entrou definitivamente na agenda da sociedade. Nos últimos 40 anos vimos uma grande evolução no debate ambiental. Nasceram diversas organizações não-governamentais em prol da natureza, algumas cresceram e ganharam importância, inclusive política. No inicio da década de 90, facilmente uma pessoa com consciência ambiental era taxada de eco-chato, hoje não conheço um CEO de empresa com projeção mundial que, ao menos em um discurso ou comunicado, não tenha enfatizado a necessidade da proteção ambiental.

Porém, apesar das mudanças do entendimento da sociedade quanto à importância da proteção ao meio ambiente, ainda existe um caminho longo a percorrermos para atingirmos o equilíbrio necessário entre o homem e seu habitat.

Entender que as alterações de meios naturais geram grandes custos à sociedade não é mais nenhum segredo ou tabu. Basta lembrar do número de casos de câncer de pele causados pela agressão dos aerosóis à camada de ozônio. Qual foi o custo para a sociedade em tratamentos e vidas? Felizmente, nesse caso, conseguimos reagir de forma integrada e, apesar de ainda não termos resolvido o problema, conquistamos importantes vitorias na direção da correção do dano. Outras transformações em nossa atmosfera estão acontecendo há muito tempo por influência do homem. Mas, por falta de impactos visíveis nesse momento, muito pouco foi feito para buscar soluções mais assertivas. A perda crescente de biodiversidade, as mudanças climáticas e o uso da água são temas que precisam de atenção urgente e soluções focadas na resolução dos problemas.

Grandes empresas estão engajadas nesses temas e constantemente apresentam suas ações em prol do meio ambiente, mas muitas ações ainda são reativas e sem foco. Poucas companhias conseguem hoje criar indicadores de desempenho ambientais que façam sentido operacional. Mas o pior é que poucas conseguem investir em projetos que conciliem preservação com melhoria na produção. O resultado disso é uma enorme dificuldade de monitoramento do desempenho ambiental, o que ao longo dos anos pode desmotivar importantes investimentos em melhoria organizacional. A falta de parâmetros mensuráveis também põe em riscos essas ações uma vez que em momentos de turbulência, rubricas orçamentárias que não apresentam lógica são rapidamente cortadas.

É cada vez mais urgente que as empresas profissionalizem sua gestão ambiental, criem indicadores de desempenho confiáveis e saibam contabilizar os benefícios dessas ações. Os investidores tendem a buscar os resultados em prazo muito mais curto que a vida de uma organização, o que é perfeitamente legítimo. Contudo, cabe aos gestores olhar mais à frente e subsidiar suas decisões de hoje com indicadores do futuro.



 

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