Mestrado: Da academia para o mercado

Ana Carolina Pacheco

Jornalista do IETEC

 

Índice de competitividade do Brasil precisa melhorar e mestres são cada vez mais valorizados pelas empresas

Antes considerada uma titulação específica para quem queria seguir uma carreira acadêmica, nos últimos anos o mestrado tem-se destacado pela sua importância também entre as empresas. O nível de competitividade no mercado de trabalho de hoje exige profissionais cada vez mais preparados, que sejam capazes de contribuir ativamente para a melhoria de produtividade organizacional e que possuam conhecimento para gerar soluções inovadoras.

Os números apontam um crescimento considerável de profissionais com o título de mestre nos últimos anos. Segundo dados do estudo Mestres 2012, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que teve o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de 1996 a 2009 houve o crescimento do número de titulados de 11% ao ano, em média, no país.

Um estudo sobre a situação de mestres e doutores no Brasil, entre 1996 a 2009, foi divulgado, em abril de 2013, pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), órgão ligado ao MCTI. De acordo com esse estudo, profissionais com mestrado ganham, em média, 84% a mais que profissionais que possuem apenas a graduação.

Investir em Ciência e Tecnologia, ou seja, em pesquisa e desenvolvimento é uma atitude estratégica que garante inovação e desenvolvimentopara as organizações. Grandes empresas já investem em centros próprios de pesquisa para o desenvolvimento de projetos inovadores. Como forma de qualificar seus profissionaise criar projetos relacionados à área de mineração, desenvolvimento sustentável, logística, energia e siderurgia, a Vale criou, em 2009, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), instituição de pesquisa e ensino de pós-graduação.

O mestrado oferecido pelo instituto é o primeiro do gênero a ser oferecido por um instituto vinculado a uma empresa do setor mineral. A empresa conta com um portfólio de cerca de 2800 patentes focadas em aspectos como meio ambiente, sustentabilidade, saúde e segurança. Desde 2009, articula junto a universidades o apoio a cerca de 160 projetos de pesquisa que envolvem mais de 800 bolsistas.

 


De acordo com um estudo da revista Nature, o investimento feito pela iniciativa pública e privada no Brasil em pesquisa científica chegou a R$25,6 bilhões por ano. Como resultado, em relação à América do Sul, o Brasil ocupa o primeiro lugarem número de publicações científico-tecnológicas, com 40.306 publicações contra 9.337 da Argentina, país que ocupa a segunda posição, em 2013.

Sinal de Alerta:

Na pesquisa Pintec 2011, a falta de pessoal qualificado avançou posições no ranking de gargalos à inovação. Em relação à indústria, este problema foi o sexto mais relevante no período 2003-2005, subiu para a terceira posição no período 2006-2008 e nesta edição subiu para a segunda posição, considerada pelas empresas como os maiores gargalos da inovação, para as indústrias.

O Brasil vem perdendo posições pelo quarto ano consecutivo no Índice de Competitividade Mundial. Em 4 anos, o Brasil perdeu 16 posições no ranking: em 2010, o país ocupava a 38ª posição. Em 2011, ocupou a 46ª posição; em 2012, 46ª; 2013, 51ª, e neste ano, ocupou a 54ª posição na pesquisa realizada pelo International Management Development (IMD), ficando à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela. Os Estados Unidos ocupam a primeira posição do índice, seguidos de Suíça e Cingapura. A pesquisa é sustentada por quatro pilares: infraestrutura, desempenho da economia, eficiência do governo e eficiência empresarial.

No Brasil, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento foram de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2005 e 2011. No mesmo período, os gastos chineses passaram de 0,91% para 1,39%. Ainda há muito o que ser feito para que o país tenha uma quantidade

 

Mestrado IETEC

Atento a essa necessidade do mercado, o Ietec lançou o mestrado em Engenharia e Gestão de Processos e Sistemas, que ratifica a atuação do Instituto na área de educação no Brasil. Após 26 anos de dedicação a cursos de curta-duração, aperfeiçoamento, e MBA em diversas áreas, o Instituto evolui e amplia sua área de atuação, consolidando sua posição como uma instituição de ensino que oferece soluções inovadoras aos profissionais e às empresas.

Wanyr Romero, doutora em energia e coordenadora do mestrado no Ietec, explica que o mestrado em Engenharia e Gestão de Processos e Sistemas é um programa Interdisciplinar, recomendado pela CAPES/MEC, que oferece especialização em áreas que se encaixam entre as de Engenharia e as de Ciências Socais Aplicadas, Gestão de Projetos e Ciências Exatas e da Terra, além de outras opções. Ele se caracteriza por apresentar duas linhas de pesquisa complementares:

Linha de Pesquisa 1: Engenharia de Processos e Sistemas
Linha de Pesquisa 2: Gestão de Processos, Sistemas e Projetos

A primeira linha visa à utilização de diferentes técnicas de modelagem e otimização aplicadas a atividades desafiantes de engenharia, por meio de modelagem quantitativa de processos e sistemas. Assim, serão analisados processos de engenharias química e agrícola (operações unitárias, secagem, dinâmica do meio ambiente), usos de fontes alternativas ou clássicas de energia, simulação de processos energéticos, tratamento térmico e análise de sistemas de produção.

A segunda linha visa desenvolver as habilidades de analisar, simular e otimizar aspectos qualitativos e quantitativos de ações necessárias para compreender, antecipar e resolver problemas empresariais e analisar os impactos da implantação de inovações tecnológicas, de forma a maximizar o valor social e acionário das empresas. Em sua formulação de médio prazo, os projetos deverão avaliar a sustentabilidade do processo de inovação aliado a um diálogo com os parceiros envolvidos (stakeholders).

De acordo com Wanyr, “Um profissional graduado em Administração, por exemplo, pode se especializar na Linha de Pesquisa 2 (LP2), ao mesmo tempo em que pode adquirir conhecimentos de Engenharia de Produção, Engenharia de Energia e tópicos de Pesquisa Operacional, matriculando-se em disciplinas da LP1. Semelhantemente, um Engenheiro pode, além das opções da LP1, matricular-se em disciplinas das áreas de economia, gestão de projetos e gestão ambiental, da LP2.”

Para Rita Santos Senise, PhD, que trabalha no Royal Instituteof Technology na Suécia, “O conceito do mestrado proposto é atualizado. O Curso de Mestrado contribuirá para fundamentar a questão do gerenciamento de processos. Ao mesmo tempo o Programa inclui uma visão de sustentabilidade e de gestão dos processos de energia. É uma contribuição extremamente atual. O curso vai agregar valor a empresas e profissionais que queiram conhecer e se inserir no mercado de forma competitiva, com uma nova visão. Eu acho que a proposta do mestrado reafirma o Ietec como uma instituição capaz de formalizar e de contribuir para o desenvolvimento de Minas Gerais com um conceito fundamentado, com um conhecimento avançado.”

Segundo o diretor geral do Ietec, PhD e PPhD em Engenharia de Produção Agro Industrial, Mauri Fortes, o programa apresenta diferenciais importantes em relação a outros programas similares: “O programa de Mestrado em Engenharia e Gestão de Processos e Sistemas diferencia-se de outros programas de Mestrado em vários aspectos. Em primeiro lugar, o programa permite concentrações simultâneas em disciplinas (conhecimentos) de áreas de engenharia e gestão. Permite especialização em muitas áreas associadas classicamente às Engenharia de Produção, Química, de Computação, Agrícola, Ambiental, Agroindustrial, de Energia, de Processos Industriais e de Serviços, de Logística, entre outras possibilidades. No que concerne às áreas de Gestão, o Programa permite especializar-se em Gestão de Projetos, Ambiental, da Sustentabilidade, do Ciclo de Vida, da Ecologia Industrial, além de Engenharia Financeira. Pode-se imaginar que programas mistos possam satisfazer o interesse profissional de muitos participantes.”

Outro diferencial a ser considerado, segundo Mauri, é o foco em análise dinâmica de processos e sistemas, que permitirá aos participantes ter a experiência com linguagem de programação de última geração. Problemas analisados incluirão situações que envolvem simulação de funcionamento dinâmico de empresas e condições de sustentabilidade. O programa inclui um curso de reposição de conhecimento de matemática fundamental, que permitirá que todos os alunos possam ter um desempenho ótimo na disciplina de Análise Dinâmica de Sistemas.