Cidades sustentáveis e a competitividade urbana

Ronaldo Gusmão

Diretor-Executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina – Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social

A pesquisa realizada pela revista América Economia divulga o Índice de Competitividade Urbana (ICUR) que é, na verdade, um ranking das 50 melhores cidades para se fazer negócios na América Latina, incluindo a cidade de Miami. Este índice sintetiza as variáveis que as empresas e os seus executivos levam em consideração quando vão instalar seus negócios em uma cidade. Levam em consideração indicadores de estrutura macroeconômica e a político-social, tais como: liberdade para se fazer negócios, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), governabilidade, serviços corporativos e pessoais, conectividade física e capital intelectual.

Agora, um novo indicador foi incorporado a este ranking: o da sustentabilidade ambiental. Este leva em consideração as emissões de gases de efeito estufa, presença de áreas verdes, competitividade energética e a percepção da população sobre as medidas ambientais para preservar a cidade.

No ranking das 50 principais cidades latino-americanas, é a cidade de São Paulo que aparece em primeiro lugar acompanhada por mais onze cidades brasileiras. A sustentabilidade será cada dia mais importante na tomada de decisão das empresas e pessoas.

Investimentos no país nos setores de informática, biotecnologia, saúde, entre outras, já consideram a gestão ambiental e social como fator decisório em muitos casos.

A qualidade de vida das pessoas traduzidas pela sustentabilidade tem cada dia mais valor no mundo empresarial. Empresas e seus executivos investem onde podem reunir um maior número de oportunidades para as pessoas e seus negócios. Muitas vezes, dependendo do tipo de produto, o local ajuda na boa imagem para a empresa. Alguém tomaria uma água mineral ou comeria um bombom de uma cidade com um alto índice de poluição? Provavelmente, seja este o motivo pelo qual a cidade mineira de Caxambu é responsável pela produção dos dois.

Vale ressaltar que pessoas não moram na União nem nos Estados. Elas moram nas cidades que já abrigam 83% da população do Brasil segundo o IBGE. A sustentabilidade das cidades tem três dimensões bem definidas: econômica, ambiental e social.

A sustentabilidade econômica diz respeito à capacidade das cidades de produzirem seus próprios recursos econômicos através de suas empresas; da capacidade das administrações gerirem estes recursos sem criarem dívidas futuras (graças à lei de responsabilidade fiscal). Neste quesito é importante a capacidade das cidades de atraírem e reterem negócios.

Já a sustentabilidade ambiental deve garantir alguns quesitos básicos: abastecimento de água e esgotamento e tratamento sanitário para 100% da população, 12 m2 de área verde por habitante, controle da poluição atmosférica, sem poluição visual e sonora, limpeza pública com coleta, tratamento e disposição final do lixo. Por fim, a sustentabilidade social que deve garantir educação e assistência à saúde, emprego ou renda para todos,  habitação decente, áreas comuns de acesso a bibliotecas e áreas de lazer, etc.

No Índice de Sustentabilidade Ambiental do ICUR, que é medido numa escala de 1 a 100, as cidades de Recife e Curitiba aparecem nos dois primeiros lugares com 83,7 e 82,3 respectivamente. Lamentavelmente, em último lugar no ranking geral, aparece a cidade de Belo Horizonte com 23,8.

Mas por que São Paulo é a primeira cidade no ranking geral, com pontuação de 55,1 no quesito de sustentabilidade, e Belo Horizonte 23,8? O paulista tem muito maior percepção do que seus governantes estão fazendo para preservar o meio ambiente. Muito mais do que o belo-horizontino. O prefeito de São Paulo, José Kassab, no seu primeiro mandato, lançou o programa Cidade Limpa, que iniciou o combate à poluição visual e que se estendeu para o controle da qualidade do ar e sonora. O combate à poluição visual “elegeu” Kassab, pois a população aprovou o Cidade Limpa. Ele fez, a população percebeu.

Como vimos a sustentabilidade ambiental é composta por valores tangíveis e intangíveis. Belo Horizonte hoje é muito mais sustentável que São Paulo (área verde por habitante, abastecimento de água, esgotamento e tratamento sanitário, emissões de gases de efeito estufa, qualidade do ar e sonora, exceção à regra, BH tem maior poluição visual).

Nossa tarefa, portanto, é informar, sensibilizar e educar urgentemente a população para que ela se conscientize de que somente juntos, com o suporte dos governantes municipais é possível construir uma cidade sustentável e competitiva para as pessoas, empresas e o planeta.