Inovação: o elemento-chave para a indústria nacional.

Comunicação Ietec

Mais do que estratégica, a inovação deve ser vista como fator determinante para a sobrevivência dos negócios. O fortalecimento da economia brasileira privilegiou uma maior abertura do mercado, o que favoreceu a competição.Se o cenário é mais competitivo, desenvolver novas soluções que priorizam a qualidade, os custos reduzidos e o conceito de sustentabilidade são importantes diferenciais.

Não é difícil concluir, portanto, que ser inovador é a meta da indústria nacional. Em agosto deste ano, a Confederação Nacional da Indústria - CNI e um grupo formado por executivos e empresários de 200 companhias brasileiras e multinacionais que atuam no país, entre elas Gerdau, Natura, Embraer, Coteminas, Ford e Fiat, lançaram um manifesto onde se comprometem a duplicar as ações de inovação em seus negócios até 2014.

De acordo com a CNI, 30 mil empresas usam algum tipo de inovação nas suas produções e cerca de 6 mil investem na área de P&D. A meta também é duplicar o número de empresas inovadoras no país.

Crise econômica: um divisor de águas

Após a forte a recessão econômica mundial, um conselho se tornou unanimidade no mundo dos negócios: reveja a sua estratégia e aposte na inovação. Dois segmentos da econômica incorporaram bem essa sugestão, o automobilístico e a siderurgia.

Um bom exemplo vem do Centro de Desenvolvimento de Produto – CPD da Iveco Latin America, em Sete Lagoas que há um ano atua diretamente no projeto e aperfeiçoamento de vários lançamentos da empresa e no desenvolvimento e testes de novas tecnologias ecologicamente sustentáveis para motorização de caminhões.

“Hoje, já possuímos veículos de baixo consumo com bom desempenho e continuamos aprimorando essa tecnologia. Além disso, temos projetos em andamento e parcerias que, em breve, serão apresentados para o mercado trazendo benefícios com significativa redução nas emissões de poluentes e significativa redução do consumo de combustível”, explica Marcello Mota, gerente de plataforma de veículos leves da Iveco.

Um dos projetos da Iveco em andamento hoje é a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - VBTP, feito em conjunto com o Exército Brasileiro, para desenvolver uma viatura militar de 18 toneladas capaz de carregar 11 soldados. O primeiro protótipo será construído na fábrica de Sete Lagoas e deve estar pronto em 2010 para o início da fase de testes. Uma das metas do programa é que mais de 60% dos componentes do VBTP sejam fabricados no Brasil, reduzindo custos de produção e manutenção.

O que é importante ser levado em consideração é que a inovação não é apenas de produtos, mas também de processos e de estratégia de comercialização. Não é apenas de pesquisa e desenvolvimento, mas também sobre como usar o conhecimento que, nas palavras do diretor da CNI, José Augusto Fernandes, é o grande desafio das organizações hoje. Atualmente, o CPD da Iveco conta com 210 – 10% a mais do que na época da inauguração.

A Usiminas também é exemplo de inovação eficiente. Entre 1992 e 2008, a Usiminas apresentou 600 pedidos de patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI, o que posiciona a empresa como a segunda do Brasil e a primeira no ramo de siderurgia e mineração a se destacar no quesito inovação. Estes dados integram o estudo realizado pela Prospectiva Consultoria, que catalogou as solicitações de patentes de um grupo de dez empresas nacionais.

O primeiro lugar é ocupado pela Petrobras, com 1.113 registros, seguida pela Usiminas, Vale, com 365 patentes, e a CSN, com 344. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas – CPD, localizado em Ipatinga, MG, é referência na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de produção e aplicação de aços em âmbito latino-americano.

"O CPD da Usiminas é o mais bem equipado do País e o que tem mais profissionais dedicados em tempo integral à pesquisa", ressalta o diretor de Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião.

O CPD da Usiminas é o único do Brasil a simular, por meio de linhas-pilotos, as fases dos processos produtivos de aço, desde a coqueria até o laminador. As equipes também atuam em estudos sobre novas aplicações e tipos de aço, melhorias nos processos produtivos da usina, seleção e implentação de novas tecnologias e em avaliações laboratoriais.

Atenta às futuras demandas, a Usiminas pretende ampliar seus investimentos no setor, com foco nos mercados de energia eólica, óleo e gás e construção civil. Também irá reforçar os estudos para promover a eficiência energética do aço. Desde a sua implantação, incluindo equipamentos e instalações, mais de US$ 100 milhões foram aplicados nas atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Os exemplos da Iveco e Usiminas mostram que a inovação só é possível quando gestores e profissionais se conscientizam do seu real valor para os negócios. Não é à toa que as empresas mais inovadoras do mundo mostram que para inovar é necessário incentivar a criatividade das pessoas por meio de uma cultura de inovação que envolva profissionais, clientes e fornecedores.

Inovação também para os pequenos

Para a inovação acontecer, quatro fatores são fundamentais: investimento, tempo para pesquisas, cultura organizacional e processos. Apesar de já ter se tornado um senso comum, dinheiro não é o mais importante destes fatores. Para o coordenador dos cursos da área industrial do Ietec e diretor de Novos Produtos da instituição, José Ignácio Villela, os grandes empecilhos para a inovação hoje são o tempo e a cultura.

“A captação de recursos não pode ser considerada um problema, uma vez que existem hoje incentivos para investimentos na área. O mesmo vale para os processos organizações. Empresas hoje podem contar com o suporte de consultorias para se tornarem mais ágeis, produtivas e também inovadoras. Mas o que pode resolver o problema de falta de tempo dedicado à pesquisa e a ausência de uma cultura inovadora na organização? Estes são fatores que dependem única e exclusivamente da empresa e este é que o grande problema”, afirma Villela.

Neste aspecto, destacam-se as ações de inovação das pequenas e médias empresas. Um exemplo bem sucedido vem da Arte & Chapas, empresa do setor industrial, atuante no segmento de perfilados em aço galvanizado.

Antecipando a necessidade do setor de construção civil em promover o aproveitamento da água de chuva, a Art & Chapas desenvolveu uma linha especial de calhas e rufos, denominada OndaPluv, capaz de solucionar problemas de desvio, captação e condução de águas pluviais. Um de seus produtos aposta no design para evitar o acúmulo de água nas calhas, prevenindo, assim, focos para o mosquito da Dengue.
“Para chegarmos em novas soluções, investimentos em uma nova estrutura de atuação no mercado que passou a considerar o nosso cliente real, o mercado de atuação, identificamos as demandas deste mercado, reduzimos os custos da produção atrelada ao aumento da qualidade, melhorei os processos, treinamos os revedendores. Descobri que eu precisava valorizar o meu produto e agregar valor a ele exigia inova-lo”, explica o diretor da Arte & Chapas, Robson Oliveira.

Para José Ignácio, “pequenas empresas deveriam usar a inovação de produtos e processos como forma de se diferenciar das grandes organizações, principalmente em um cenário como o atual, marcado pela forte competição”.


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