Gestão de projetos de inovação: aplicação de metodologia é fundamental

Comunicação Ietec

Melhorar a qualidade, reduzir custos, explorar novos mercados, ampliar as vendas, motivar pessoas. Seja qual for o objetivo, os projetos de inovação ganharam posição de destaque nas organizações dos mais diversos segmentos. Como consequência, o investimento em centros de Pesquisa e Inovação (P&D), onde os projetos são metodologicamente desenvolvidos, crescem a passos largos. O motivo é a necessidade de concretizar as ideias com o mínimo risco possível, transformando-as em resultados concretos.

De acordo com diretor da Dmep, empresa referência na gestão de projetos de inovação no Brasil, Luiz Castanheiras Polignano, a aplicação de metodologias é fundamental para qualquer empresa que queira se destacar no mercado. No caso da inovação, não é diferente. “Método é coisa séria, imprescindível, qualquer que seja ele: Stage-gate de Cooper, o DMADV do Six Sigma, o TRM, a Gestão de Portfólio, o QFD, ou os métodos de gerenciamento de projetos como os do PMI e do IPA”, afirmou.

A combinação dos modelos é citada por Polignano como válida para o desenvolvimento dos projetos de inovação. Entretanto, ele ressalta que alguns pontos devem ser preservados: 1) o método resultante deve ser científico, 2) deve possuir fases características e complementares – uma que defina qual projeto será desenvolvido e outra que oriente a condução, 3) precisa ter estágios claros de atividades e gates de tomada de decisão e 4) deve ser orientado para o cliente e não “pelo” cliente.

Outro fator destacado pelo diretor, que é professor da Pós-Graduação do Ietec, foi a importância de gerenciar um portfólio de inovações, ao invés de projetos isolados. “Isso significa trabalhar o conceito amplo de inovação, tanto sua aplicação em diferentes áreas foco (como processos fim, processos gerenciais, mercado e produto), como também o grau da novidade, de melhorias incrementais a mudanças radicais”, comentou.

Embora a gestão eficiente da transformação de ideias em ações seja unanimidade entre os especialistas, o coordenador dos cursos de Gestão de Projetos do Ietec e referência na área João Carlos Boyadjian observou que os projetos de inovação devem ser tratados de maneira diferente dos convencionais.

De acordo com ele, primeiro as etapas devem ser bem definidas e planejadas. Após a conclusão de cada uma delas é necessário que o responsável faça uma análise minuciosa dos resultados para, só então, validar a passagem de fase. Desta forma, os riscos são reduzidos e o projeto não é comprometido.

O cronograma também não segue o mesmo ritmo dos outros projetos. Uma das explicações é a incerteza do resultado dos testes. “O ciclo de vida de um projeto de inovação não tem os mesmos padrões. As etapas são diferentes, as propostas são diferentes”, enfatizou.

Testes – Na indústria mineral, o investimento em pesquisa têm sido constante. A Vale inicia, ainda neste mês, no Centro de Excelência em Logística (CEL), em Vitória (ES), os testes com o mais moderno simulador de operação de trens do mundo, desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica da USP.

O equipamento possibilita a reprodução fiel das malhas ferroviárias da Vale em tecnologia 3D e recebeu investimentos da ordem de R$ 2,5 milhões. O objetivo é treinar maquinistas com uma tecnologia de ponta totalmente brasileira, que resultará em mais segurança nas operações, economia de combustível e redução de desgaste das locomotivas e vagões.

O simulador tem funcionalidades inovadoras, como a leitura de dados georreferenciados (latitude e longitude) que permite determinar, por meio da visão em 3D, todas as características topográficas do relevo da malha ferroviária, como curvas acentuadas e desníveis.

"O software será instalado em cabines de treinamento, que são a reprodução de uma cabine de locomotiva modelo Dash 9, e simulará os trens em movimento", disse Gustavo Mucci, gerente geral de Inovação e Desenvolvimento Ferroviário. O simulador considera, ainda, em um ambiente de realidade virtual, todas as características de um trem, como aderência da roda ao trilho, eficiência da frenagem, de tração e do freio dinâmico, tempo de percurso, consumo de combustível e procedimentos de segurança.
 
Nos últimos 8 anos, a Vale investiu R$ 9,5 milhões em tecnologia de simuladores e, em 2010, deve investir mais R$ 1 milhão no aperfeiçoamento dos módulos do novo simulador. A previsão é de que, a partir do segundo semestre, sejam instaladas cerca de 24 cabines de treinamento no Centro de Excelência em Logística (CEL), em Vitória (ES), em São Luís (MA) e também ao longo da FCA, em unidades móveis de treinamento da Valer, a área de educação da Vale. Cerca de 540 maquinistas serão treinados ainda este ano.