Em meio à exuberante floresta amazônica da Colômbia, um diminuto anfíbio esconde um poder letal. O Phyllobates terribilis, com apenas 3 centímetros, se destaca não pelo tamanho, mas pela incrível toxicidade que carrega.
Suas cores vibrantes, longe de serem um atrativo, são um aviso claro para predadores: ele é altamente perigoso. Este sapo é o vertebrado mais letal do planeta.
Conhecido entre especialistas como dendrobates dourado, o Phyllobates terribilis pertence à família Dendrobatidae. Sua distribuição geográfica alcança desde a Amazônia colombiana até o sul da Nicarágua.
Em inglês, a espécie é chamada de golden poison frog (“sapo dourado venenoso”, em tradução livre para o português), um testemunho de sua potência venenosa.
Seu veneno é tão letal que basta tocá-lo para ser envenenado. A letalidade do sapo dourado deve-se à batracotoxina, substância que ele adquire através de sua dieta.
Formigas e besouros, que consomem fungos nos quais o veneno é produzido, são a fonte desse poderoso alcaloide. O processo, conhecido como “sequestro”, transforma o sapo em uma verdadeira arma letal.
O meigo mas terrível “sapo dourado venenoso” – Imagem: Wikimedia Commons/reprodução
O perigoso veneno da batracotoxina
A batracotoxina é capaz de provocar efeitos devastadores nos organismos que a enfrentam.
Segundo o Museu Americano de História Natural, apenas uma porção do veneno pode exterminar dez seres humanos ou dois elefantes africanos.
A substância atua nos canais de sódio das células nervosas, resultando em paralisia e insuficiência cardíaca instantânea.
Defesa e aposematismo
Para se proteger, o Phyllobates terribilis utiliza uma estratégia chamada aposematismo, na qual suas cores intensas alertam predadores sobre sua toxicidade.
Curiosamente, a Erythrolamprus epinephelus, uma serpente predadora, desenvolveu resistência ao veneno ao longo de sua evolução e até prefere caçar os filhotes do sapo dourado.
Interação com as culturas indígenas
A letalidade do Phyllobates terribilis não passou despercebida entre as comunidades indígenas. As tribos emberás, por exemplo, utilizam seu veneno há milhares de anos.
Ao perfurarem o sapo com pequenas hastes de madeira, extraem o veneno para aplicar em dardos de zarabatanas, usados em caça e defesa.
A presença do Phyllobates terribilis nas florestas amazônicas é um lembrete do equilíbrio delicado dos ecossistemas e da incrível biodiversidade que a natureza abriga.
Seu veneno, ao mesmo tempo que representa um perigo, é também um exemplo de como a evolução moldou estratégias de sobrevivência únicas.
Estudos contínuos sobre este sapo podem revelar segredos valiosos sobre a química natural e a adaptação de espécies. As pesquisas, ainda em desenvolvimento, prometem trazer novas luzes sobre esse fascinante fenômeno da natureza.
* Com informações do Instituto Butantan