A múmia de Bashiri, conhecida como “A intocável”, intriga cientistas desde sua descoberta há mais de um século no Vale dos Reis, no Egito.
Este achado, feito pelo egiptólogo britânico Howard Carter, o mesmo que descobriu a tumba de Tutancâmon, permanece um enigma arqueológico.
O nome “Bashiri”, que significa “profeta”, é um dos poucos detalhes conhecidos sobre esta relíquia. Distinta pela preservação e pelo padrão de bandagens, Bashiri destaca-se entre outras descobertas.
A técnica funerária empregada em sua mumificação lembra as pirâmides de Gizé, indicando um tratamento especial. No entanto, sua identidade exata continua envolta em mistério.
O temor de danificar sua embalagem original tem impedido cientistas de desembrulhá-la. Apesar dos avanços tecnológicos, a relutância em realizar uma análise física persiste.
“A intocável” é exibida no Museu Egípcio do Cairo, desafiando pesquisadores a explorar sua história sem comprometer sua integridade.
A intrigante múmia de Bashiri, que permanece totalmente coberta por bandagens – Imagem: Shutterstock/reprodução
O mistério por trás das bandagens
A múmia de Bashiri, datada do século III a.C., sugere um status social elevado do indivíduo mumificado.
A ausência de inscrições e registros, no entanto, limita a compreensão de sua origem. Acredita-se que seu complexo padrão de bandagens reflete um cuidadoso tratamento funerário, comum apenas a pessoas mais abastadas.
Tecnologia a serviço da arqueologia
Apesar de estudos físicos serem evitados, tecnologias modernas como tomografias e imagens 3D permitem explorar o interior de Bashiri sem risco. Estas técnicas revelaram um homem adulto, de cerca de 1,5 metro de altura, que foi sepultado com adornos sofisticados.
O largo colar que cobre o peito da múmia é composto por fileiras de contas e broches em forma de cabeça de falcão. Essas descobertas fornecem pistas valiosas sobre a identidade e o contexto histórico deste personagem misterioso.
Decifrando as mensagens ocultas
Sobre a múmia há também um avental com cenas complexas ilustradas. De acordo com o jornal inglês Daily Mail, estas imagens incluem deidades como Ísis e Néftis, além dos filhos de Hórus, sugerindo uma forte conexão com crenças religiosas da época.
Imagens do deus Anúbis adornam a cobertura dos pés de Bashiri, indicando práticas funerárias tradicionais. Estes detalhes não só enriquecem o entendimento sobre os rituais egípcios, mas também alimentam o fascínio em torno desta relíquia em particular.
Quem era Bashiri? Por que as suas bandagens foram feitas de modo tão peculiar? Embora o mistério de Bashiri continue a intrigar estudiosos, a relíquia permanece como um elo valioso entre o presente e o passado.
Mesmo que “A intocável” ainda não tenha sido desembrulhada (e talvez jamais seja), as descobertas atuais já oferecem, como mencionamos antes, um vislumbre das complexas práticas culturais do Egito Antigo.